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1 Macabeus 15

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Então o rei Antíoco, filho de Demétrio, remeteu das ilhas do mar cartas a Simão, sumo sacerdote, e príncipe do povo dos judeus, e a tôda a sua nação: 2E o seu conteúdo era desta maneira: O rei Antíoco a Simão, sumo sacerdote e à nação dos judeus, saúde: 3Porquanto certos homens pestilenciais invadiram o reino de nossos pais, e eu quero.recobrá-lo, e restabe-lecê-lo no estado em que antes se achava: E levantei um grande exército de gente escolhida e fiz construir naus de guerra. 4Assim faço tenção de entrar nos meus estados para me vingar daqueles que têm danificado as minhas províncias, e que têm assolado muitas cidades no meu reino. 5Eu pois te remi to agora todos os impostos, que todos os reis meus predecessores te remitiram e te confirmo em tôdas as imunidades que êles te concederam: 6E eu te dou licença que batas moeda do teu cunho no teu país: 7E que Jerusalém seja uma cidade santa, e livre: E que tôdas as armas, que mandaste fazer, e tôdas as praças fortes, as quais tu construíste, e tens em teu poder, fiquem para ti. 8E tôdas as dívidas do rei: E as regalias que o rei devia haver, desde agora e para sempre, te são perdoadas. 9E quando nós tiverrnos entrado na posse do nosso reino, e te faremos a ti, e à tua nação, e ao templo, grandes honras, de maneira que fique manifesta a vossa glória em tôda a terra. 10No ano cento e setenta e quatro entrou Antíoco no reino de seus pais, e tôdas as tropas vieram logo oferecer-se a êle, de sorte qué poucas ficaram com Trifão. 11E o rei Antíoco o perseguiu, e êle Trifão veio para Dora, fugindo pela costa do mar. 12Porque sabia que sôbre êle estavam os males iminentes, e que o exército o desamparará: 13E Antíoco caiu sôbre Dora com cento e vinte mil homens de guerra, e oito mil cavalos: 14E pôs cêrco à cidade, e os navios a bloquearam pela parte do mar: E a tinham em apêrto por mar, e por terra, sem deixarem entrar nem sair pessoa alguma. 15Entretanto chegaram de Roma Numenio, e os que tinham ido com êle, trazendo cartas escritas aos reis, e a diversos povos, nas quais se continha o seguinte: 16LÚCIO, cônsul dos romanos, ao rei Ptolomeu, saúde. 17Os embaixadores dos judeus, que são nossos amigos, vieram ter conosco, enviados por Simão, príncipe dos sacerdotes, e pelo povo dos judeus, a fim de renovarem a antiga aliança, e amizade que há entre nós. 18E êles trouxeram também um escudo de ouro de mil minas. 19Nós pois resolvemos escrever aos reis e aos povos, que lhes não façam mal nenhum, que não acometam nem a êles, nem as suas cidades, nem as suas províncias: E que não dêem socorro aos que pelejarem contra êles. 20Ora nós julgamos que devíamos aceitar o escudo que êles nos trouxeram. 21Se pois alguns homens corrompidos saíram do país dêles para se refugiarem entre vós, remetei-os a Simão, príncipe dos sacerdotes, para que êle os faça castigar conforme a sua lei. 22Estas mesmas coisas escreveram ao rei Demétrio, ea Atalo, ca Ariarates, e a Arsaces: 23E a tôdas as terras: E a Lâmpsaco, e aos lacedemônios, e a Delos, e a Mindo, e a Sicionia, e a Caria, e a Samos, e a Panfília, e a Lícia, e a Halicarnasso, e a Cós, e a Siden, e a Arado,: e a Rodes, e a Faselida, e a Gortina, e a Gnido, e a Chipre, e a Cirene. 24E destas cartas mandaram os romanos uma cópia a Simão, príncipe dos sacerdotes, e ao povo dos judeus. 25O rei Antíoco, porém, pôs um segundo cêrco a Dora, sem nunca levantar mão do seu combate, e aplicando máquinas: E ali teve de tal sorte fechado a Trifão, que não podia sair: 26Então lhe mandou Simão um socorro de dois mil homens escolhidos, com dinheiro e ouro, e muitos vasos: 27Mas Antíoco os não quis receber, e rompeu todos os tratados, que tinha feito com êle antes, e se alienou dêle. 28Depois enviou-lhe a Atenóbio, um dos seus consi-dentes, para tratar com Simão, dizendo-lhe da sua parte: Vós tendes entre vossas mãos a Jope, e a Gazara, e a fortaleza que está em Jerusalém, que são cidades do meu reino. 29Tendes assolado os seus têrmos, e fizestes grande destrôço no país, e levantastes-vos com o senhorio de muitos lugares no meu reino. 30Agora pois dai para cá as cidades que tomastes, e os tributos de diferentes lugares, em que vós domi-nastes fora das fronteiras da Judéia: 31E senão, pagai pelas cidades que retendes, quinhentos talentos de prata, e pelos estragos que fizestes, e tributos das cidades, outros quinhentos talentos: De outra sorte, nós iremos, e vos faremos guerra. 32Veio pois Atenóbio, amigo do rei, a Jerusalém, e viu a glória de Simão, e as suas peças de ouro, e prata que brilhavam, e o seu grande aparato: E ficou maravilhado: Depois lhe referiu as palavras do rei. 33E Simão lhe respondeu, e lhe disse: Nós não temos usurpado o país de ninguém, nem retemos os bens de outrem: Mas temos somente recuperado a herança de nossos pais, que de certos tempos a esta parte estava injustamente possuída pelos nossos inimigos. 34Assim que, tendo-nos sido favorável o tempo, nós nos tornamos a meter de posse da herança de nossos pais. 35Pelo que toca às queixas que nos fazes acêrca de Jope, e de Gazara, êles eram os que causavam muitos males entre o povo, e no nosso país: Entretanto nós estamos prontos a dar por estas cidades cem talentos. E Atenóbio não lhe respondeu uma só palavra. 36Mas êle cheio de ira, tendo voltado para o rei, lhe deu parte destas razões, e da glória de Simão, e de tudo o que tinha visto, do que o rei ficou em grande extremo irritado. 37Neste comenos fugiu Trifão numa nau para Or-tosiada. 38E o rei Antíoco deu a Cendebeu o comando de tôda a costa maritima, e lhe entregou um exército composto de infantaria, e cavalaria. 39E ordenou-lhe que fizesse abalar o seu campo contra a fronteira da Judéia: E lhe mandou que reedificasse a Gedor, e tapasse as portas da cidade, e redu-zisse o povo à fôrça das suas armas. Entretanto o rei perseguia a Trifão. 40E Cendebeu chegou a J amnia, e começou a vexar o povo, e a espezinhar a Judéia, e a fazer um grande número de prisioneiros, e a matar gente, e a reedificar Gedor. 41E pôs ali cavalaria, e gente de pé: Para que saindo fizessem correrias pelas terras da Judéia, em conformidade do que lhe tinha mandado o rei.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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