3 Reis 20
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo · Nas Bíblias atuais: 1 Reis
1Benadad porém, rei da Síria, ajuntou todo o seu exército, e com êle trinta e dois reis, e cavalos e carroças: E subindo pelejou contra Samaria, e a sitiou. 2E enviando à cidade mensageiros a Acab, rei de Israel, 3disse: Eis-aqui o que diz Benadad: A tua prata, e o teu ouro é meu: E as tuas mulheres, e os teus filhos mais gentis, são meus. 4E o rei de Israel respondeu: Como tu dizes, ó rei meu senhor, eu sou teu, e tôdas as minhas coisas. 5E voltando os mensageiros, disseram: Eis-aqui o que diz Benadad, que nos enviou a ti: Tu me hás-de dar a tua prata, e o teu ouro, e as tuas mulheres, e os teus filhos. 6Amanhã pois a esta mesma hora te enviarei os meus servos, e esquadrinharão tua casa, e a casa. de teus servos: E êles tomarão com as suas mãos tudo o de que gostarem e o levarão. 7Chamou pois o rei de Israel todos os anciãos do povo, e disse: Considerai, e vede, que êle nos arma algum laço: Porque me mandou mensageiros a pedir minhas mulheres, e filhos, e a prata, e o ouro, e eu não disse que não. 8E todos os anciãos, e todo o povo lhe responderam: Não lhe dês ouvidos, nem condescendas com êle. 9E assim respondeu aos mensageiros de Benadad: Dizei ao rei meu senhor: Eu farei tôdas as coisas que tu me enviaste a pedir no princípio a mim teu servo: Mas esta coisa não a posso fazer. 10E voltando os mensageiros, lhe referiram a resposta. O qual os tornou a enviar e disse: Os deuses me tratem com a sua última severidade, se o pó de Samaria bastar para encher os punhados de todo o povo que me segue. 11E o rei de Israel respondendo, disse: Dizei-lhe: Não se vanglorie o que toma as armas do mesmo modo como o que as larga. 12Sucedeu pois que, quando Benadad, ouviu esta resposta, êle estava bebendo nas suas tendas com os reis, e disse aos seus servos: Cercai a cidade. E êles a cercaram. 13E eis que chegando-se um profeta a Acab rei de Israel, lhe disse: Eis-aqui o que diz o Senhor: Viste tôda esta inumerável multidão? Pois eu te declaro, que hoje ta entregarei nas tuas mãos: Para que tu saibas, que eu sou o Senhor. 14E disse Acab: Por quem? E êle lhe respondeu: Eis-aqui o que diz o Senhor: Pelos criados de pé dos príncipes das províncias. E disse Acab: Quem começará a pelejar? E o profeta lhe disse: Tu. 15Fêz Acab pois revista dos criados dos príncipes das províncias, e achou que eram duzentos e trinta e dois: E depois deles fêz revista do povo, de todos os filhos de Israel, e achou que eram sete mil: 16E saíram ao meio-dia. Benadad porém já embriagado estava bebendo na sua tenda, e com êle os trinta e dois reis, que tinham vindo em seu socorro. 17Os criados pois dos príncipes das províncias marchavam na primeira frente. E Benadad mandou espias. Os quais lhe vieram dizer: E” gente que saiu de Samaria. 18E êle disse: Ou êles venham tratar de paz, tomai-os vivos: Ou venham a pelejar, prendei-os vivos. 19Avançaram-se pois os criados dos príncipes das províncias, e o resto do exército os seguia: 20E cada um deles matou os que se lhe puseram diante: E logo os siros fugiram, e Israel os perseguiu. Benadad, rei da Síria, também fugiu a cavalo com os seus cavaleiros. 21E o rei de Israel tendo também saído matou os cavalos, e destruiu as carroças, e maltratou a Síria com um grande estrago. 22(Vindo pois um profeta ter com o rei de Israel, disse-lhe: Vai, e cobra ânimo, e sabe, e vê o que tens para fazer: Porque no ano seguinte virá o rei da Síria contra ti.) 23Os servos porém do rei da Sina lhe disseram: Os deuses dos montes são seus deuses, e por isso êles nos venceram: Mas é melhor que pelejemos com êles em campo raso, e vencê-los-émos. 24Tu pois faze isto: Aparta do exército todos os reis, e põe em seu lugar os primeiros oficiais: 25E restabelece o número dos soldados, que morreram dos teus, e os cavalos conforme eram antes, e as carroças segundo o número das que tinhas antes: E nós pelejaremos contra êles em campo raso, e tu verás que os desbarataremos. Creu êle no conselho dêles, e assim o fêz. 26Portanto tendo passado um ano, fêz Benadad revista dos siros, e veio a Afec, para combater contra Israel. 27E fêz-se também revista dos filhos de Israel, e providos de víveres marcharam contra os siros, e se acamparam em frente dêles, como dois pequenos rebanhos de cabras: Os siros porém cobriam a terra. 28(E vindo um homem de Deus disse ao rei de Israel: Eis-aqui o que diz o Senhor: Porque os siros disseram: O Deus dos montes é o Senhor e não é o Deus dos vales: Eu te entregarei nas mãos tôda esta grande multidão, e sabereis que eu sou o Senhor.) 29E estiveram os exércitos ordenados em batalha sete dias, êstes em frente daqueles, e ao sétimo dia se deu batalha: E os filhos de Israel mataram num dia cem mil homens de pé dos siros. 30Os que escaparam, fugiram para a cidade de Afec: E caiu o muro sôbre vinte e sete mil homens, que tinham restado. Mas Benadad fugindo entrou na cidade, e retirou-se ao lugar mais secreto duma câmara: 31E disseram-lhe os seus servos: Atende, nós temos ouvido dizer que os reis da casa de Israel são cle-mentes: Ponhamos pois sacos sôbre os nossos rins. e cordas à roda das nossas cabeças, e vamos buscar o rei de Israel: Talvez que êle nos salve as vidas. 32Pelo que êles se cingiram com sacos pelos rins, e puseram cordas nas suas cabeças, e vieram ter com o rei de Israel, e lhe disseram: O teu servo Benadad diz: Concede-me, eu te peço, a vida. E êle respondeu: Se êle ainda vive êle é meu irmão. 33O que tomaram os homens por. bom presságio: E tomaram logo a palavra da sua bôca, e disseram: Teu irmão Benadad. E êle lhes disse: Ide, e trazei-mo. Veio pois Benadad à presença de Acab, e êste o fêz montar sôbre a sua carroça. 34E Benadad lhe disse: Eu te restituirei as cidades, que meu pai tomou a teu pai: E faze para ti praças em Damasco, assim como meu pai as fêz em Samaria, e eu me retirarei de ti depois de feita a aliança. Fêz pois a aliança e o deixou ir. 35Então um dos filhos dos profetas disse da parte do Senhor a um seu companheiro: Fere-me. Mas êle o não quis ferir. 36E êle lhe disse: Porque tu não quiseste ouvir a voz do Senhor, logo que te apartares de mim te matará um leão. E tendo-se êle apartado um pouco dêle, um leão o encontrou, e o matou. 37Mas encontrando também outro homem, disse-Ihe: Fere-me. ste homem lhe deu e o feriu. 38Retirou-se pois o profeta, e encontrou o rei no caminho, e disfarçou-se cobrindo de pó o seu rosto e os seus olhos. 39E passando o rei, gritou ao rei, e disse-lhe: O teu servo saiu a pelejar de perto: E como fugisse uni homem, outro mo trouxe, e me disse: Guarda-me este homem: Se êle se escapar, a tua vida responderá pela vida dele, ou tu pagarás um talento de prata. 40E quando eu todo turbado andava às voltas duma parte para a outra, de repente desapareceu. E o rei de Israel lhe disse: Esta é a tua sentença que tu mesmo pronunciaste. 41Mas logo limpou o pó do seu rosto, e o rei de Israel conheceu que era um dos profetas. 42E êle lhe disse: Eis-aqui o que diz o Senhor: Porque tu deixaste escapar das tuas mãos um homem digno de morte, a tua vida responderá pela vida dêle. e o teu povo pelo seu povo. 43O rei de Israel porém voltou para sua casa, não fazendo caso de ouvir, e enfurecido veio para Samaria.