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3 Reis 3

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo · Nas Bíblias atuais: 1 Reis

1Confirmou-se pois o reino na mão de Salomão, - e este se aparentou com Faraó, rei do Egito, porque, casou com uma sua filha, e levou-a para a cidade de Davi, até que acabasse de edificar a sua casa, e a casa do Senhor, e o muro à roda de Jerusalém. 2Entretanto o povo imolava sôbre os altos: Porque até àquele dia se não tinha edificado templo ao nome do Senhor. 3Mas Salomão amava o Senhor, conduzindo-se segundo os preceitos de Davi, seu pai, exceto que sacrificava e quéimava incenso nos altos. 4Foi Salomão pois a Gabaon, para lá sacrificar: Porque este era o mais considerável entre todos os altos: E ofereceu mil hóstias em holocausto sobre aquele altar em Gabaon. 5Apareceu pois o Senhor a Salomão em sonhos de noite, dizendo: Pede-me o que queres que eu te dê, 6E Salomão lhe respondeu: Tu usaste de grande misericórdia com meu pai. Davi, teu servo, segundo foi a verdade, e justiça com que êle andou na tua presença, e segundo a retidão de coração para contigo: Tu lhe guardaste a tua grande misericórdia, e lhe deste um filho que se assentasse sôbre o seu trono, como hoje o está. 7E agora, ó Senhor Deus, tu me fizeste reinar a mim teu servo em lugar de Davi meu pai: Mas eu sou um menino pequenino, e que não sei por onde hei de sair nem por onde hei de entrar. 8E o teu servo se acha no meio dum povo, que tu escolheste, de um povo infinito, que não pode contar-se nem. reduzir-sc a número pela sua multidão. 9Tu pois darás a teu servo um coração dócil, para poder julgar o teu povo, e discernir entre o bem e o mal: Porque quem poderá julgar a êste povo, a êste teu povo tão vasto? 10Agradou pois ao Senhor esta oração, por ter Salomão pedido uma tal coisa. 11E o Senhor disse a Salomão: Pois que esta foi a petição que me fizeste, e não pediste para ti nem muitos dias, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas pediste-me para ti a sabedoria para discernires o que é justo: 12Eis pois te fiz o que 'me pediste, e te dei um coração tão cheio de sabedoria e de inteligência, que nenhum antes de ti te foi semelhante, nem se levantará tal depois de ti. 13Mas eu te dei também o que tu me não pediste: A saber, riquezas, e glória em tal grau, que não se achará um semelhante a ti entre os reis de todos os séculos passados. 14Se tu porém andares nos meus caminhos, e guardares os meus preceitos, e os meus mandamentos, como teu pai os guardou, eu prolongarei os teus dias. 15Então despertou Salomão, e entendeu que era sonho: E tendo vindo a Jerusalém, se pôs diante da arca. do concerto do Senhor, e ofereceu holocaustos, e vítimas pacíficas, e deu a todos os seus criados um grande banquete. 16Nesta ocasião vieram ter com o rei duas mulheres prostitutas, e se puseram diante dele. 17Uma das quais disse: Faço-te, meu senhor, esta súplica: Eu e esta mulher habitávamos numa mesma casa, e eu pari na mesma câmara em que ela estava. 18E três dias depois de ter parido, pariu ela também: E nós estávamos juntas, e não havia na casa outra alguma pessoa conosco, senão nós ambas. 19E uma noite morreu o filho desta mulher: porque estando dormindo o abafou. 20E levantando-se no mais profundo silêncio da noite, me tirou a meu filho do meu lado quando eu, tua escrava, dormia, e o pôs junto a si: e pôs junto a mim a seu filho, que estava morto. 21E levantando-me eu pela manhã para dar de mamar a meu filho, apareceu-me morto: e olhando para êle com mais atenção, já dia claro, achei que êle não era o meu que eu tinha gerado. 22E a outra mulher respondeu: Não é assim como tu dizes, mas o teu filho morreu, o meu porém está vivo. A primeira pelo contrário replicava: Mentes: Porque o meu filho está vivo, e o teu é o que morreu. E dêste modo disputavam diante do rei. 23Então disse o rei: Esta diz, o meu filho está vivo, e o teu filho está morto. E a outra responde: Não, mas o teu filho é o que morreu, e o meu é o que está vivo. 24Disse pois o rei: Trazei-me cá uma espada. E como fôsse trazida uma espada diante do rei, 25dividi, disse êle, em duas partes o menino que está vivo, e dai metade a uma, e metade à outra. 26A mulher porém, cujo filho estava vivo, disse ao rei: (porque as suas entranhas se lhe enterneceram por seu filho:) Senhor, eu te peço que dês a ela o menino vivo, e não o mates. A outra pelo contrário dizia: Não seja nem para mim, nem para ti, mas divida-se. 27Respondeu o rei, e disse: Dai a esta o menino vivo, e não se mate: porque esta é sua mãe. 28Tendo pois ouvido todo o Israel como o rei havia sentenciado este negócio, temeram ao rei, vendo que nele estava a sabedoria de Deus para fazer justiça.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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