2 Coríntios 11
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Oxalá que suportasseis por um pouco a minha insipiência, mas enfim tolerai-me: 2Porque vas zelo com zelo de Deus. Porquanto eu vos tenho desposado com Cristo, para vos apresentar como virgem pura ao único Espôso. 3Mas temo que assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim sejam corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da sinceridade que há em Cristo. 4Porque se aquêle que vem prega outro Cristo, que -nós não temos pregado, ou recebeis outro Espírito que não haveis recebido: Ou outro Evangelho, que não haveis abraçado: Bem o tolerarieis. 5Mas eu cuido que em nada tenho sido inferior dos maiores dentre os Apóstolos. 6Porque ainda que eu sou grosseiro nas palavras, não o sou todavia na ciência, mas em tudo a vós nos temos dado a conhecer. 7Ou porventura cometi eu delito, humilhando-me a mim mesmo, para que vós fósseis exaltados? Porque sem interêsse vos preguei o Evangelho de Deus. 8Eu despojei as outras igrejas, recebendo delas estipêndio por vos servir. 9E quando eu estava convosco, e necessitava: Não fui oneroso a nenhum: Porque os irmãos, que tinham vindo de Macedônia, supriram tudo o que me faltava: em tudo me guardei, e guardarei de vos ser pesado. 10A verdade de Cristo está em mim, porque não será quebrantada em mim esta glória, enquanto às regiões da Acaia. 11Por que? Será por que eu vos não amo? Deus o sabe. 12Mas eu o faço, e farei sempre: Por cortar a ocasião de se gloriarem aos que a buscam, querendo parecer-se também conosco, para dai se gloriarem. 13Porque os tais falsos Apóstolos são obreiros dolosos, que se transformam em Apóstolos de Cristo. 14E não é de espantar: Porque o mesmo satanás se transformã em Anjo de luz: 15Não é logo muito que os seus ministros se trans-formem como em ministros de justiça: Cujo fim será segundo as suas obras. 16Outra vez o digo, (para que ninguém me tenha por imprudente, ao menos sofrei-me como a insensato, para que eu me glorie ainda por um pouco.) 17O que falo, pelo que toca a esta matéria de glória, não o digo segundo Deus, mas como por insipiência. 18Porque muitos se gloriam segundo a carne: Também eu me gloriarei. 19Porque vós, sendo como sois uns homens sensatos: Sofreis de boamente aos insensatos. 20Porque sofreis a quem vos põe em escravidão, a quem vos devora, a quem de vós recebe, a quem se exalta, a quem vos dá na cara. 21Digo-o quanto à afronta como se nós afracasse-mos nesta parte. No que qualquer tem ousadia, (falo com imprudência) também eu a tenho: 22São hebreus, também eu: São israelitas, também eu: São descendência de Abraão, também eu: 23São ministros de Cristo, ( falo como menos sábio) mais o sou eu: Em muitíssimos trabalhos, em cárceres muito mais, em açoutes sem medida, em perigo de morte, muitas vêzes. 24Dos judeus recebi cinco quarentenas de açoutes, menos um. 25Três vezes fui açoutado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes fiz naufrágio, uma noite e um dia estive no profundo do mar. 26Em jornadas muitas vezes eu me vi em perigos de rios, em perigos de ladrões, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos: 27Em trabalho e fadiga, em muitas vigílias, com fome e sêde, em muitos jejuns, em frio e desnudez. 28Afora êstes males, que são exteriores, me combatem as minhas ocorrências urgentes de cada dia, o cuidado que tenho de tôdas as igrejas. 29Quem enferma, que eu não enferme? Quem se escandaliza, que eu me não abrase? 30Se importa que algum se glorie de alguma coisa: Eu me gloriarei nas coisas que são da minha fraqueza. 31Deus, e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que é bendito por todos os séculos, sabe que não minto. 32Em Damasco o que era Governador da Província por el-rei Áretas, fazia que estivessem guardas naquela cidade, para me prender. 33Mas numa alcofa me desceram por uma janela da muralha: abaixo, e assim escapei das suas mãos.