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2 Paralipômenos 32

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo · Nas Bíblias atuais: 2 Crônicas

1Depois de executadas estas coisas, e como fielmente fica referido, veio Senaquerib, rei dos assírios, e tendo entrado nas terras de Judá, pôs cerco às cidades fortificadas, com o desígnio de as conquistar. 2O que vendo Ezequias, isto é, que Senaquerib tinha vindo, e que todo o ímpetó da guerra se dirigia contra Jerusalém, 3teve conselho com os grandes, e com os mais valentes oficiais, sôbre que se tapassem as nascenças das fontes, que havia fora da cidade: E sendo todos deste parecer, 4ajuntou muita gente, e taparam tôdas as fontes, e o regato, que corria pelo meio da terra, dizendo: Não aconteça que venham os reis dos assírios, e achem abundância de água. 5Reparou também, esmerando-se muito, todos os muros, que se achavam desmantelados, e fêz em cima torres e outros muros por fora: E reedificou o forte de Melo na cidade de Davi, mandou que se fizessem armas e escudos de todo o gênero: 6E nomeou oficiais que comandassem o exército: E ajuntando-os todos na praça da porta da cidade, falou-lhes -ao coração, dizendo: 7Sêde homens de valor, e alentai-vos: Não temais, nem se vos dê do rei dos assírios, nem de tôda a multidão, que o acompanha: Porque muitos mais estão conosco, do que os que estão com êle. 8Porque com êle está um braço cie carne: Conosco o Senhor nosso Deus, que é nosso auxiliador, e que peleja por nós. E o povo cobrou ânimo com essas palavras de Ezequias rei de Judá. 9Depois que estas coisas sucederam, Senaquerib, rei dos assírios, enviou os seus mensageiros a Jerusalém (porque êle como todo o exército estava sitiando Laquis) dizendo a Ezequias, rei de Judá, e a todo o povo, que havia na cidade: 10Eis-aqui o que manda dizer Senaquerib rei dos assírios: Em quem estais vós confiados para vos deixardes estar cercados em Jerusalém? 11Porventura Ezequias vos engana, para vos fazer morrer à fome e à sede, afirmando que o Senhor vosso Deus vos livrará da mão do rei dos assírios? 12Não é pois êste o Ezequias, que destruiu os seus altos, e os seus altares, e o que ordenou em Judá e em Jerusalém dizendo: Diante de um só altar vós adorareis, e no mesmo queimareis incenso? 13Ignorais acaso o que temos feito eu, e meus pais a todos os povos da terra? Porventura tiveram poder os deuses das nações e de tôdas as terras para livrar os seus países da minha mão? 14Qual é de todos os deuses das nações, as quais meus antepassados devastaram, que tivesse fôrça para tirar das minhas mãos o seu povo, de sorte que possa também o vosso Deus livrar-vos de um tal poder? 15Não vos engane logo Ezequias, nem zombe de vós por uma vã persuasão, nem lhe deis crédito. Porque se nenhum dos deuses de tôdas as nações e de todos os reinos pôde livrar o seu povo da minha mão nem da de meus pais, logo consequentemente o vosso Deus vos não poderá livrar da minha mão. 16Outras muitas coisas disseram ainda os mensageiros de Senaquerib contra o Senhor Deus, e contra o seu servo Ezequias: 17Êle escreveu também cartas cheias de blasfêmias contra o Senhor Deus de Israel, e disse contra êle: Assim como os deuses das outras nações não puderam livrar o seu povo da minha mão, assim também o Deus de Eze-: quias não poderá livrar o seu povo dêste poder. 18E além disto a alta v q z falava em língua judaica ao povo, que estava sôbre as muralhas de Jerusalém, para os atemorizar, e para se assenhorear da cidade. 19E falou contra o Deus de Jerusalém, bem como contra os deuses dos povos da terra, que são obras das mãos dos homens. 20Fizeram pois oração o rei Ezequias, e o profeta Isaías filho de Amós, contra esta blasfêmia, e levantaram gritos até o céu. 21E o Senhor mandou um anjo, que matou todo o homem forte, e guerreiro, e o general do exército do rei dos assírios: E Senaquerib se recolheu com ignomínia ao seu país. E tendo entrado no templo do seu deus os filhos que tinham saído das suas entranhas, ò mataram à espada. 22E o Senhor salvou a Ezequias e aos habitantes de Jerusalém da mão de Senaquerib, rei dos assírios, e da mão de todos, e lhes deu paz em os contornos. 23E muitos traziam a Jerusalém vítimas, e oferendas ao Senhor, e presentes a Ezequias rei de Judá: O qual depois disto foi engrandecido entre todas as nações. 24Neste tempo adoeceu Ezequias mortalmente, e fêz a sua oração ao Senhor: E êle o ouviu, e lhe deu um sinal. 25Mas não correspondeu aos benefícios, que tinha recebido, porque o seu coração se elevou: E a ira do Senhor se acendeu contra êle, e contra Judá e contra Jerusalém. 26Mas depois, por se ter elevado seu coração, se humilhou tanto êle como os habitantes de Jerusalém: E por isso não veio sôbre êles a ira do Senhor durante a vida de Ezequias. 27Ezequias porém foi rico, e de grande fama, e ajuntou para si grandes tesouros de prata e de ouro e de pedraria preciosa, de aromas, e de tôda a casta de armas, e de vasos de grande preço. 28Teve também grandes celeiros de trigo, de vinho, e de azeite, e cavalariças para tôda a casta de animais, e currais para os gados, 29e edificou também cidades para si: Porque tinha inumeráveis rebanhos de ovelhas, e de gado grosso. porque o Senhor lhe tinha dado uma extraordinária abundância de bens. 30Êste é o mesmo Ezequias, que tapou a fonte de cima das águas de Gion, e as fêz correr por baixo da terra para o poente da cidade de Davi: Em tôdas as obras que empreendeu foi bem sucedido. 31Todavia na embaixada dos príncipes de Babilônia, que lhe tinham sido enviados, para se informarem do prodígio, que tinha acontecido na terra, Deus o desamparou para que fôsse tentado, e para se fazer patente tudo o que êle tinha no seu coração. 32E o resto das ações de Ezequias, e das suas obras de misericórdia, estão escritas na visão do profeta Isaías filho de Amós, e no Livro dos reis de Judá e de Israel. 33E adormeceu Ezequias com seus pais, e sepultaram-no sôbre os jazigos dos filhos de Davi: E todo o Judá, e todos os moradores de Jerusalém celebraram as suas exéquias: E em seu lugar reinou seu filho Manassés.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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