2 Macabeus 11
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Mas pouco tempo depois Lísias, aio do rei, e seu parente, e que tinha a seu cargo os negócios do reino, muito sentido do que havia acontecido, 2ajuntando oitenta mil homens de pé, e tôda a cavalaria, marchava contra os judeus, imaginando que sem dúvida tomaria a cidade, com tenção de a dar aos gentios para a povoarem. 3E de tirar do templo grandes somas de dinheiro, como dos outros templos dos pagãos, e vender todos os anos o sumo sacerdócio: 4Não fazendo reflexão alguma no poder de Deus, mas tendo largado as rédeas à sua soberba, punha Lisias tôda a confiança na multidão da sua infantaria, e nos seus milhares. de cavalos, e em oitenta elefantes. 5Entrando pois na Judéia, e chegando a Betsura, que estava situada num lugar estreito, cinco estádios distante de Jerusalém, atacava esta praça. 6Tanto porém que Macabeu e os que estavam com êle souberam que as fortalezas eram combatidas, com gemidos, ce lágrimas, rogavam ao Senhor, e juntamente todo o povo, que enviasse algum bom anjo para salvação de Israel. 7E Macabeu foi o primeiro que depois de tomar êle mesmo as armas exortou os outros a se exporem juntamente com êle ao perigo, e a darem socorro a seus irmãos. 8E quando êles marchavam todos juntos com ânimo resoluto, apareceu ao sair de Jerusalém um homem a cavalo, que ia adiante dêles vestido de hábitos brancos com armas de ouro, brandindo uma lança. 9Então bendisseram todos êles ao mesmo tempo ao Senhor misericordioso, e se encheram de ânimo: Prontos a pelejar, não só com os homens mas também com as alimárias mais ferozes, e atravessar por muros de ferro. 10Marchavam êles pois com grande coragem, tendo por si o Senhor, que do alto do céu se declarava seu protetor, e fazia resplandecer sôbre êles a sua misericórdia. 11Ao mesmo tempo lançando-se êles com grande ímpeto sôbre seus inimigos, à maneira de leões. mataram onze mil homens da sua infantaria, e mil e sciscen-tos de cavalaria: 12E fizeram fugir todo o mais resto, e a maior parte dêles não se puderam salvar, senão ficando feridos e sem armas. E até mesmo Lísias por meio de uma vergonhosa fugida escapou. 13E como êle não era insensato, considerando consigo mesmo a perda que tinha tido, e reconhecendo que os hebreus eram invencíveis quando se escoravam no socorro de Deus todo-poderoso, mandou-lhes embaixadores: 14E prometeu-lhes que consentiria em tôdas as condições de paz, que fôssem justas, e que persuadiria ao rei que fizesse amizade com eles. 15Anuiu pois Macabeu aos rogos de Lisias, atendendo em tôdas as coisas ao interêsse do público: E o rei estêve por tudo o que Macabeu pediu aos judeus na carta que escreveu a Lisias. 16Porque Lísias tinha escrito uma carta aos judeus concebida assim nestes têrmos: LÍSIAS ao povo dos judeus, saúde. 17João e Absalon, que por vós tinham sido enviados, entregando-me as vossas cartas, me pediram que cumprisse eu as coisas que por intervenção dêles me eram significadas. 18Portanto expus ao rei tudo o que se lhe podia representar: E êle conveio naquilo que os seus negócios lhe permitiam. 19Se vós pois fórdes fiéis ao rei nos vossos tratados, eu também daqui em diante me empenharei por vos fazer todo o bem que puder. 20E pelo que toca aos outros pontos, eu, tanto aos que vós me enviastes, como aos que eu vos envio, os en-carreguei de conferirem pessoalmente mais em particular convosco sôbre êles. 21Tende boa saúde. Ano cento e quarenta e oito, a vinte e quatro dias do mês de Dioscoro. 22E a carta do rei continha o seguinte: O REI Antíoco a Lísias, seu irmão, saúde. 23Tendo sido o rei nosso pai trasladado para entre os deuses, desejando nós que os que estão no nosso reino vivam em paz e que ponham diligência em tratar dos seus negócios, 24ouvimos que os judeus não condescenderam com meu pai no tocante a se passarem para o rio dos gregos, mas que querem conservar os seus costumes, e que por esta razão êles nos pedem que lhes seja permitido viverem segundo as suas leis. 25Querendo pois que também êste povo viva em quietação, determinamos, e ordenamos que lhes seja restituído o seu templo, para êles viverem conforme os costumes de seus antepassados. 26Tu pois farás bem de mandares lá, e de fazeres aliança com êles: Para que tendo conhecido a nossa vontade, fiquem já com o ânimo desassombrado, e atendam a seus próprios interêsses. 27E a carta do rei aos judeus era do teor seguinte: O REI Antíoco ao senado dos judeus, e aos outros judeus, saúde. 28Se vós passais com saúde, estais no estado em que nós desejamos: E nós também passamos bem. 29Veio buscar-nos Menelau, dizendo que vós desejáveis vir ter com os vossos, que estão no nosso reino. 30Nós pois damos passaportes aos que quiserem vir até ao dia trinta do mês de Xantico, 31permitindo que os judeus usem das suas comidas, e vivam segundo as suas leis, como dantes: E que nenhum dêles de modo algum padeça detrimento pelas faltas que foram cometidas por ignorância. 32Nós pois vos mandamos também Menclau. para conferir convosco. 33Tende saúde. Ano cento e quarenta e oito, aos quinze dias do mês de Xantico. 34E também os romanos mandaram sua carta concebida nestes têrmos: QUINTO Memio, e Tito Manílio, legados dos romanos, ao povo dos judeus, saúde. 35Nós vos concedemos igualmente as mesmas coisas que Lisias, parente do rei, vos concedeu. 36E pelo que toca às que êle julgou que deviam ser representadas ao rei, mandai quanto mais depressa alguém, depois de terdes entre vós deliberado bem na matéria, para nós determinarmos o que vos fôr mais conveniente: Porque nós vamos a Antióquia. 37Por isso mandai-nos depressa a resposta, para: nós sabermos também qual é a vossa vontade. 38Tende boa saúde. Ano cento e quarenta e oito, aos quinze dias do mês de Xantico.