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2 Macabeus 8

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Por êste meio tempo Judas Macabeu, e os que com êle viviam, entravam às escondidas nos castelos: E chamando seus parentes, e amigos, e tomando consigo os que se mantinham firmes na religião judaica, uniram ao seu partido seis mil homens. 2E invocaram o Senhor, para que olhasse benignamente para o seu povo, que andava pisado por todos: E que se compadecesse do templo, que era contaminado pelos ímpios: 3Que se apiedasse também: das ruínas da cidade, que estava a ponto de ser logo arrazada, e que ouvisse a voz do sangue que clamava a êle: 4Que se lembrasse igualmente das injustíssimas mortes das crianças inocentes, e das blasfêmias que se tinham proferido contra o seu nome, e que se revestisse de indignação contra êstes excessos. 5Macabeu pois tendo ajuntado grande número de gente, se fazia intolerável às nações: Porque a ira do Senhor se mudou em misericórdia. 6E dando de improviso sôbre os castelos, e cidades, os queimava: E apoderando-se dos lugares vantajosos, fazia não pequeno estrago nos inimigos: 7E principalmente de noite é que êle fazia estas suas correrias, e a fama do seu valor se espalhava por tôda a parte. 8Então Filipe, vendo os progressos que êste grande homem ia fazendo de dia em dia, e a felicidade das suas emprêsas quase sempre bem sucedidas: Escreveu a Ptolomeu, governador da Celesíria, e da Wenícia que lhe mandasse socorro com que reforçar o partido do rei. 9Ptolomeu pois lhe enviou logo a Nicanor, filho de Patroclo, amigo seu entre os grandes da córte, dando-lhe não menos de vinte mil homens de guerra de diversas nações, para extinguir tôda a linhagem dos judeus, agregando-lhe por companheiro também a Gorgias, grande capitão, e homem de longas experiências nos acidentes de guerra. 10E resolveu Nicanor pagar o tributo de dois mil talentos, que o rei devia dar aos romanos, tirando-os do dinheiro da venda dos judeus, que cativasse: 11Despachou pois sem perda de tempo correios pelas cidades marítimas, convidando os negociantes a que viessem comprar escravos judeus, prometendo dar-lhes noventa escravos por cada talento, sem fazer reflexão na vingança do Todo-Poderoso, que por momentos estava a vir sôbre êle. 12Mas Judas tanto que teve notícia da chegada de Nicanor, deu parte dela aos judeus que o acompanhavam. 13Alguns dos quais deixando-se entrar de mêdo, e não confiando na justiça de Deus fugiam: 14Os outros porém vendiam tudo o que lhes podia ficar, e ao mesmo tempo rogavam ao Senhor que os livrasse do ímpio Nicanor, que antes de se chegar a eles, os tinha já vendido: 15l quando não fôsse por amor dêles, ao menos em consideração da aliança que tinha feito com seus pais, ec da honra que êles tinham de invocar sôbre si mesmos e o seu santo, e grande nome. 16Macabeu porém, tendo feito ajuntar os sete mil homens que estavam com êle, os conjurava que se não reconciliassem com seus inimigos, nem tivessem mêdo daquela multidão de adversários que injustamente os vinham atacar, mas que pelejassem galhardamente. 17Tendo diante dos olhos o desacato, que por êles havia sido feito com injustiça ao santo lugar, como também o ultraje cometido contra a cidade igualmente insul-tada, e ainda a abolição das ordenanças dos antigos. 18Porque êles, lhes dizia, só se fiam nas suas armas e ao mesmo tempo na sua audácia: Porém nós confiamos no Senhor todo-poderoso, que pode destruir com um dar de olhos não só os que vêm para nos atacar, mas ainda o mundo inteiro. 19Lembrou-lhes também ainda os socorros, que Deus tinha dado a seus pais: E que do exército de Senaquerib haviam perecido cento e oitenta e cinco mil homens: 20E a batalha, que êles tinham dado contra os gálatas em Babilônia, com tal felicidade que logo se entrou na ação, tendo fraqueado os macedônios seus aliados, êles, que ao todo eram só seis mil, mataram cento e vinte mil homens por causa do socorro que lhes foi dado do céu, e por isto alcançaram grandissimos bens. 21Com estas palavras ficaram eles cheios de valor, e prontos a: morrer pelas leis, e pela pátria. 22Êle pois deu o comando de uma parte do exército a seus irmãos, Simão, e José, e Jônatas, subordinando a cada um dêles mil e quinhentos homens. 23Além disto havendo-lhes também lido Esdras o santo livro, e dado Judas o sinal da ajuda de Deus, êle como general pôsto na frente do exército, 24E tendo-se declarado a favor dêles o Todo-Poderoso, mataram passante de nove mil homens: E enfra-quecida a maior parte do exército de Nicanor com as feridas que recebera, êles a puseram na necessidade de fugir. 25E depois de tomarem todo o dinheiro dos que tinham vindo para os comprar, os foram perseguindo até bem longe. 26Mas voltaram, vendo-se apressados pela hora: Porque era véspera do sábado: Motivo por que não continuaram em seguir o seu alcance. 27Tendo depois recolhido as armas, e os despojos dos inimigos, celebravam o sábado: Bendizendo ao Senhor, que os tinha livrado naquele dia, derramando sôbre êles como as primeiras gôtas da sua misericórdia. 28E depois do sábado, repartiram dos despojos com os enfermos, e com os órfãos, e com as viúvas: E reservaram o resto para si, e para os seus. 29Executadas que foram assim estas coisas, e havendo todos feito a sua oração em comum, conjuravam ao misericordioso Senhor que se congraçasse para sempre com seus servos. 30E daqueles que estavam com Timóteo, e com Baquides, e que vinham contra êles, mataram mais de vinte mil homens, e tomaram várias praças fortes: E repartiram muitas prêsas, dando partes iguais aos doentes, aos órfãos, e às viúvas, e até aos velhos. 31E tendo recolhido com diligência as armas dos inimigos, as puseram tôdas de reserva em lugares azados para isso, e o resto dos despojos levaram-no para Jerusalém. 32Mataram outrossim a Pilarques, que estava com Timóteo, homem facinoroso, que tinha feito muitos males aos judeus. 33E quando estavam em Jerusalém rendendo a Deus ações de graças por esta vitória, a um, que tinha queimado as sagradas portas, isto é, a Calistenes, tendo-se êle refugiado a certa casa, nela o queimaram pondo-lhe fogo, dando-lhe a recompensa que mereciam as suas impiedades. 34Nicanor porém, aquêle homem facinorosissimo, que tinha trazido mil negociantes para lhes vender os escravos judeus, 35humilhado com o socorro do Senhor, por aquêles mesmos, que êle tinha considerado como uma gente de - nada, tendo largado a vestidura de honra, fugindo pelo meio das terras, chegou desacompanhado a Antióquia, reduzido ao cúmulo da infelicidade pela perda do seu exército. 36E o que tinha prometido aos romanos, qué lhes pagaria o tributo com o que tirasse da venda dos cativos de Jerusalém, publicava então que os judeus tinham a Deus por protetor, e que por isso eram invulneráveis, porque seguiam as leis que êle lhes tinha dado.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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