2 Reis 1
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo · Nas Bíblias atuais: 2 Samuel
1Sucedeu depois da morte de Saul, que Davi, voltando da desfeita dos amalecitas, esteve dois dias em Siceleg. 2Ao terceiro dia porém apareceu um homem que vinha do campo de Saul com o vestido rasgado, e a cabeça coberta de pó: E tanto que chegou a Davi, prostrou-se com o rosto em terra, e o adorou. 3E Davi lhe disse: De onde vens tu? E êle lhe respondeu: Eu me salvei do exército de Israel. 4E disse-lhe Davi: Como foi lá isso? dize-mo. E êle respondeu: O povo fugiu da batalha, e muitos do povo caíram mortos: E até Saul e seu filho Jônatas pereceram. 5E disse Davi ao moço, que lhe dava esta nova: Como sabes tu que Saul, e Jônatas, seu filho morreram? 6E respondeu-lhe o moço que lhe dava a notícia: Por acaso vim ao monte de Gelboé, e achei a Saul que se firmava sôbre a sua lança: E as carroças, e cavaleiros se avizinhavam a êle, 7e olhando para trás, e vendo-me me chamou. E como lhe respondesse: Aqui me tens: 8Perguntou-me: Quem és tu? E cu lhe respondo: Sou um amalecita. 9E êle me disse: Lança-te a mim, e mata-me: Porque estou muito angustiado, e tôda a minha alma está ainda em mim. 10E chegando-me a êle o matei: Porque via que êle não podia viver depois do estrago: E tomei o diadema que tinha na sua cabeça, e o bracelete do braço, e aqui to trouxe a ti, meu Senhor. 11Davi porém apanhando os seus vestidos os rasgou, e todos os que estavam com êle. 12E prantearam, e choraram, e jejuaram até a tarde sôbre Saul, e sôbre Jônatas, seu filho, e sôbre o Povo do Senhor, e sôbre a Casa de Israel, por terem perecido à espada. 13E Davi disse ao moço que lhe trouxera a notícia: De onde és tu? O qual lhe respondeu: Eu sou filho de um homem estrangeiro de Amalec. 14E Davi lhe disse: Como não temeste tu estender a mão para matares ao ungido do Senhor? 15E chamando um dos seus criados, lhe disse: Lança-te a esse homem, e mata-o. E êle o feriu, e morreu. 16E disse-lhe Davi: O teu sangue caia sôbre a tua cabeça: Porque tua própria bôca falou contra ti, dizendo: Eu matei o ungido do Senhor. 17Fêz pois Davi este cântico fúnebre sôbre Saul, e sôbre Jônatas, seu filho, 18(e ordenou que ensinassem aos filhos de Judá o arco, conforme está escrito no Livro dos Justos). E disse: Considera, Israel, aos que morreram cobertos de feridas, sôbre os teus altos. 19Os nobres, ó Israel, foram mortos nos teus montes: Como caíram os valorosos? 20Não o noticieis em Get: Nem o publiqueis nas praças de Ascalon: Não suceda alegrarem-se as filhas dos filisteus, não suceda triunfarem as filhas dos incircuncidados. 21Montes de Gelboé, nem orvalho nem chuva caia sôbre vós, nem haja campos de que oferecer primícias: Porque lá foi lançado por terra o escudo dos fortes, o escudo de Saul, como se não tivesse sido ungido com óleo. 22A seta de Jônatas nunca voltou para trás sem sangue de mortos, sem gordura de fortes, nem a espada de Saul se retirou em vão. 23Saul e Jônatas amáveis, e majestosos na sua vida, também na morte se não separaram: Mais ligeiros do que as águias, mais valentes do que os leões. 24Filhas de Israel, chorai sôbre Saul, que vos vestia de escarlate entre as delícias, e que vos dava os ornamentos de ouro para vosso enfeite. 25Como caíram os fortes no combate? Como foi morto Jônatas nos teus montes? 26Por ti me encho de mágoa, meu irmão Jônatas, o mais gentil, e o mais amável sôbre as mais amáveis das mulheres. Eu te amava bem como uma mãe ama a seu filho único. 27Como caíram os robustos e pereceram as armas guerreiras?