2 Reis 13
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo · Nas Bíblias atuais: 2 Samuel
1Aconteceu depois disto que Amon, filho de Davi, se namorou de Tamar, irmã de Absalão, filho de Davi, a qual era duma rara beleza: 2E se apaixonou de sorte por ela, que por causa do seu amor caiu doente: Porque sendo ela virgem, parecia difícil a Amon fazer com ela coisa alguma contra a honestidade. 3Tinha porém Amon um amigo, homem muito sagaz, chamado Jonadab, filho de Semaa, irmão de Davi. 4Êste disse a Amon: Como assim de dia em dia vais emagrecendo, ó filho do rei? Por que te não descobres tu comigo? E Amon lhe respondeu: Eu amo a Tamar, irmã de meu irmão Absalão. 5Respondeu-lhe Jonadab: Deita-te na tua cama, e finge que estás doente: E quando teu pai te vier visitar,dize-lhe: Peço-te que tragas aqui minha irmã Tamar, para que me dê de comer, e me guise algum prato que eu possa comer da sua mão. 6Deitou-se pois Amon na cama, e começou a dar-se por doente: E tendo vindo o rei visitá-lo, disse Amon ao rei: Peço-te que mandes vir a minha irmã Tamar, para que faça à minha vista dois pratinhos, que eu coma da sua mão. 7Mandou pois Davi a casa de Tamar, a dizer-lhe: Vem à casa de teu irmão Amon, e faze-lhe alguma coisa de comer. 8È veio Tamar à casa de seu irmão Amon, que estava na cama: E tomando uma pouca de farinha a misturou: E adelgaçando-a, cozeu à sua vista uns caldinhos. 9E tomando o que tinha cozido, lançou-o num prato, e pôs-lhe diante, e Amon não quis comer, e disse: Façam sair todos para fora. E tendo feito sair todos para fora, 10disse Amon para Tamar: Chega-me cá à alcova essa vianda, para que eu a coma da tua mão. Tomou pois Tamar o que tinha cozido, e levou-o a seu irmão Amon à alcova. 11E logo que lhe pôs diante o manjar, pegou dela. e disse: Vem, minha irmã, deita-te comigo. 12Ela ihe respondeu: Não, meu irmão, não me faças esta violência, pois que isto não é lícito em Israel: Não faças tal loucura. 13Porque cu não poderei sofrer o meu opróbrio, e tu passarás em Israel por um insensato: Mais vale que fales ao rei e êle não me negará a ti. 14Porém Amon não quis ceder a seus rogos, mas podendo mais do que ela a forçou, e a desflorou. 15E Amon lhe cobrou uma muito estranha aversão: De sorte que o ódio que concebeu contra ela excedia muito ao amor que antes lhe tivera. E Amon lhe disse: Levanta-te e vai-te. 16E ela lhe respondeu: Êste ultraje que tu agora obras para comigo, lançando-me fora, ainda é maior do que o que primeiro me fizeste. E Amon não a quis ouvir. 17Antes chamando a um criado que o servia lhe disse: Deita-a fora, e fecha logo a porta nas suas costas. 18Ia Tamar vestida duma túnica talar: Porque êstè era o trajo que costumavam trazer as donzelas fi-lhas do rei. E o criado de Amon a deitou fora: E fechou a porta após ela. 19Tamar porém lançando cinza sôbre a sua cabeça, e rasgando a túnica talar, e postas as mãos na cabeça, se foi dali dando gritos. 20E Absalão, seu irmão, lhe disse: Acaso teu irmão Amon abusou de ti? Agora porém, ó minha irmã, cala-te: E” teu irmão: Nem se angustie o teu coração por isso. Ficou pois Tamar em casa de seu irmão Absalão definhando-se de pena. 21E o rei Davi tendo ouvido estas coisas. se apaixonou muito, mas não quis contristar o ânimo de Amon, seu filho primogênito. 22E Absalão não falou a Amon nem mal, nem bem: Porque Absalão aborrecia a Amon, por ter violado a sua irmã Tamar. 23Dois anos depois aconteceu tosquiarem-se as ovelhas de Absalão em Baalhasor, que é ao pé de Etraim: E Absalão convidou a todos os filhos do rei, 24e foi ter com o rei, e lhe disse:. Dou-te parte, que se tosquiam as ovelhas de teu servo: Rogo pois que venha o rei com os seus príncipes a casa de seu servo. 25E o rei disse a Absalão: Não. meu filho. não nos peças que vamos todos, e te sejamos pesados. Ins-tando-lhe porém Absalão, e não condescendendo Davi, deu-lhe a sua bênção. 26E Absalão lhe disse: Se tu não queres vir, suplico-te que ao menos venha conosco meu irmão Amon. E o rei lhe respondeu: Não é necessário que êle vá contigo. 27Finalmente instou-lhe mais Absalão, e Davi deixo ir com êle a Amon e a todos os mais filhos do rei. E Absalão tinha preparado um banquete como um banquete real. 28Absalão porém tinha dado ordem aos seus criados, dizendo: Estai com sentido quando Amon começar a estar turbado do vinho, e eu vos der sinal, dai nele, e matai-o: Não tenhais mêdo: Porque eu sou quem vo-lo mando: Tende ânimo, e sede homens de valor. 29Executaram pois os criados de Absalão a respeito de Amon, o que seu amo lhes havia ordenado. E todos os filhos do rei, levantando-se da mesa, montaram cada um na sua mula, e fugiram. 30Indo eles ainda no caminho, chegou aos ouvidos de Davi o rumor, dizendo: Absalão matou a todos os filhos do rei, e não ficou dêles nem um só. 31Levantou-se então o rei, e rasgou os seus vestidos: E lançou-se por terra, e todos os seus criados, que assistiam, rasgaram os seus vestidos. 32Mas respondendo Jonadab, filho de Semaa, irmão de Davi, disse: Não imagine o rei, meu senhor, que foram mortos todos os seus filhos: Só morreu Amon, porque assim o tinha resoluto fazer Absalão desde o dia que Amon forçara a sua irmã Tamar. 33Não se lhe meta pois na cabeça ao rei meu senhor tal notícia, que diz: Todos os filhos do rei foram mortos: Porque só: morreu Amon. 34Fugiu porém Absalão: E eis que levantando os olhos o criado, que estava de sentinela, viu uma grande tropa de gente, que vinha por um caminho escuso ao lado do monte. 35E Jonadab disse ao rei: Eis lá vêm os filhos do rei: Sucedeu o caso como o disse teu servo. 36E acabando êle de falar, apareceram os filhos do rei: E entrando levantaram a voz e choraram: E o rei e todos os seus servos também choraram com pranto mui amargo. 37Porém Absalão fugindo, foi para casa de To-lomai, filho de Amiud, rei de Gessur. E Davi chorou a seu filho todos os dias. 38E Absalão tendo fugido e refugiando-se em Gessur, esteve ali três anos. 39E o rei Davi deixou de perseguir a Absalão porque já se tinha consolado da morte de Amon.