Amós 5
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Ouvi esta palavra, lúgubre canto com que eu entõo sôbre vós: A casa de Israel caiu e ela não tornará mais a restabeiecer-se. 2A virgem de Israel foi deitada sôbre a sua terra, não há quem a levante. 3Porque isto diz o Senhor Deus: Na cidade, de onde saíam mil, ficarão nela cento: E da que saíam cento, ficarão nela dez na casa de Israel. 4Porquanto isto diz o Senhor à casa de Israel: Busca)-me, e vivereis. 5E não busqueis a Betel, nem entreis em Galgala, nem passeis a Bersabé: Porque Galgala será levada cativa, e Betel ficará reduzida a nada. 6Buscai o Senhor, e vivei: Não suceda que arda a casa de José como um fogo, e que abrase a Betel, e não haja quem o apague. 7Vós que converteis em absíntio os juízos, e aban-donais a justiça sôbre a terra: 8Buscai' aquêle que criou a estrêla da Ursa, e a estrêla do Orião, e o que troca em manhã as trevas, e muda em noite o dia: O que chama as águas do mar, e as derrama sôbre a face da terra: Seu nome é o Senhor. 9O que sorrindo-se derriba ao robusto, e entrega ao saco o poderoso. 10£les aborreceram ao que os repreendia na porta: E abominaram ao que falava com perfeição. 11Por isso pelo motivo de que vós despojáveis ao pobre e lhe tiráveis o melhor que tinha: Edificareis casas de pedra de silharia, porém não habitareis nelas: Plantareis vinhas as mais excelentes, porém não bebereis do vinho delas. 12Porque eu conheço as vossas muitas maldades, e os vossos fortes pecados: Inimigos do justo, que acei-tais dádivas, e oprimis os pobres na porta. 13Por isso o prudente se calarã naquele tempo, porque é tempo mau. 14Buscai o bem, e não o mal, para que vivais, e o Senhor Deus dos exércitos será convosco, como vós dissestes. 15Aborrecei o mal, e amai o bem, e restabelecei na Porta a justiça: À ver se acaso o Senhor Deus dos exércitos se compadece das relíquias de José. 16Por cuja causa isto diz o Senhor Deus dos exércitos, o Soberano Dominador: Por tôdas as ruas soarão gritos: E em todos os lugares de fora se ouvirá dizer ai! ai! E êles chamarão para êste luto os lavradores, para êste pranto os que sabem carpir. 17E em tôdas as vinhas haverá pranto: Porque eu hei de passar pelo meio de ti, diz o Senhor. 18Ai dos que desejam o dia do Senhor! Para que o desejais vós? Êste dia do Senhor será para vós um dia de trevas, e não de luz. 19Como se um homem fugisse de diante de um leão e lhe saísse ao encontro um urso: Ou como se tendo entrado em casa, e segurando-se com a sua mão à parede, o mordesse então uma cobra. 20Que será pois o dia do Senhor, senão um dia de trevas, e não de claridade? E que haverá nêle senão es-curicade, e não luz? 21Eu aborreço, e tenho rejeitado as vossas festas: E não receberei o cheiro dos vossos ajuntamentos. 22Porque se vós me oferecerdes os vossos holocaustos, e os vossos presentes, eu os não aceitarei: E não porei os olhos nos sacrifícios das hóstias pingues, que me oferecerdes em cumprimento dos vossos votos. 23Aparta de mim o estrépito dos teus cânticos: Nem eu ouvirei as árias que cantares ao som da tua lira. 24E os meus juízos se darão a ver contra vós, como uma água que transborda, e a minha justiça, como uma impetuosa torrente. 25Porventura, ó casa de Israel, oferecestes-me vós algumas hóstias e sacrifícios no deserto, onde estivestes quarenta anos? 26Vês sim levastes o Tabernáculo ao vosso Moloc, e a imagem dos vossos ídolos, o astro do vosso Deus, coisas que vós fizestes por vossas mãos. 27Eu pois vos farei transportar para além de Damasco. diz o Senhor, cujo nome é o Deus dos Exércitos.