Atos dos Apóstolos 16
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E chegou a Derbe e a Listra. E eis que havia ali um discípulo por nome Timóteo, filho de' uma mulher fiel de Judéia, de pai gentio. 2Dêste davam bom testemunho os irmãos que estavam em Listra, e em Icônia. 3Quis Paulo que êste fôsse em sua companhia, e tomando-o o circuncidou por. causa dos judeus que havia naqueles lugares. Porque todos sabiam que seu pai era gentio. 4E quando passavam pelas cidades, lhes ensinavam que guardassem os decretos que haviam sido estabelecidos pelos Apóstolos e pelos Presbiteros, que estavam em Jerusalém. 5E, com efeito, as igrejas eram confirmadas na Fé, e cresciam em núntero cada dia. 6E atravessando a Frígia, e a província de Galácia, foram proibidos pelo Espírito Santo de anunciarem a palavra de Deus na Ásia. 7E tendo chegado a Misia, intentavam passar a Bitínia: Mas o Espírito de Jesus lho não permitiu. 8E depois de haverem atravessado a Mísia, baixaram a Tróade: 9E de noite foi representada a Paulo esta visão: Achava-se ali em pé um homem macedônio, que lhe rogava e dizia: Tu passando a Macedônia ajuda-nos. 10E assim que teve esta visão, procuramos logo partir para Macedônia, certificados de que Deus nos chamava a lhes irmos pregar o Evangelho. 11Tendo-nos pois embarcado em Tróade,. viemos em direitura a Samotrácia e ao outro dia a Nápoles: 12E dai a Filipos, que é uma colônia e cidade principal daquela parte da Macedônia. E nesta cidade nos de tivemos alguns dias, conferindo. 13E um dia dos sábados saimos fora da porta junto ao rio, onde parecia que se fazia oração: E assentando-nos ali, falavamos às mulheres que haviam concorrido. 14E uma mulher, por nome Lídia, da cidade dos Tiatirenos, que comerciava em púrpura, serva de Deus, ouviu: O Senhor lhe abriu o coração, para atender âque-las coisas que por Paulo eram ditas. 15E tendo sido batizada, ela e a sua família, fêz esta deprecação dizendo: Se haveis feito juízo de que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa, e pousai nela. E nos obrigou a isso. 16Aconteceu, pois, que indo nós à oração, nos encontrou uma moça que tinha o espirito de Piton, a qual. com as suas adivinhações dava muito lucro a seus amos. 17Esta, seguindo a Paulo e a nós, gritava, dizendo: Êstes homens são servos do Deus Excelso, que vos anunciam o caminho da salvação. 18E isto fazia muitos dias. Mas Paulo indignan-do-se já, tendo-se voltado para ela, disse ao espirito: Eu te mando em nome de Jesus Cristo, que saias desta mulher. E êle na mesma hora saiu. 19E vendo seus amos que se lhes tinha acabado a esperánça do seu lucro, pegando em Paulo e em Silas os levaram à praça, aos do govêrno: 20E apresentando-os aos magistrados, disseram: Êstes homens amotinam a nossa cidade, porque são judeus: 21E pregam um modo de vida que a nós não nos é lícito receber, nem praticar, sendo romanos. 22E acudiu o povo, pondo-se contra êles: E os magistrados, rasgados os vestidos dêles, mandaram que fossem açoitados com varas. 23E depois de muito bem os terem fustigado, meteram-nos numa prisão mandando ao carcereiro que os tivesse a bom recato. 24Êle tendo recebido uma ordem tal como esta, os meteu em um segrêdo e lhes apertou os pés no cêpo. 25Mas à meia-noite, postos em oração, Paulo e Silas louvaram a Deus: E os que estavam na prisão os ouviam, 26E subitamente se sentiu um terremoto tão grande, que se moveram os fundamentos do cárcere. E se abriram logo tôdas as portas: E foram soltas as prisões de todos. 27Tendo pois espertado o carcereiro, e vendo abertas as portas do cárcere, tirando da espada queria matar-se, cuidando que eram fugidos os presos. 28Mas Paulo lhe bradou mui de rijo, dizendo: Não te faças nenhum mal: Porque todos aqui estamos. 29Então tendo pedido luz, entrou dentro: E todo tremendo se lançou aos pés de Paulo e de Silas: 30E tirandó-os para fora, disse-lhes: Senhores, que é necessário que eu faça, para me salvar? 31E êles lhe disseram: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família. 32E lhe pregaram a palavra: do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa. 33E tomando-os naquela mesma hora da noite, lhes lavou as chagas: E imediatamente foi batizado êle e tôda a sua família. 34E havendo-os levado a sua casa, lhes pôs a mesa e se alegrou com todos os da sua casa, crendo em Deus. 35E quando foi dia, lhe enviaram a dizer os magistrados pelos li tores: Deixa ir livres êsses homens. 36E o carcereiro fêz aviso desta ordem a Paulo: Já os magistrados mandaram que sejais postos em liberdade; agora, pois saindo daqui, ide em paz. 37Então Paulo lhes disse: Açoitados publicamente sem forma de juízo, sendo romanos, nos meteram no cárcere e agora nos lançam fora em segredo? Não será assim: Mas venham. 38E tirem-nos êles mesmos. E os litores deram parte destas palavras aos magistrados: E êstes temeram quando ouviram que eram romanos. 39E vindo lhes pediram perdão, e tirando-os lhes rogavam que saissem da cidade. 40Saindo pois do cárcere, entraram em casa de Lídia: E como viram aos irmãos, os consolaram e logo partiram.