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Daniel 1

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1No ano terceiro do reinado de Joaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei de Babilônia, a Jerusalém, e a sitiou: 2E o Senhor entregou nas suas mãos a Joaquim, rei de Judá, e uma parte dos vasos da casa de Deus: E os levou para a terra de Senaar, para a casa do seu Deus, e pôs os vasos na casa do tesouro do seu Deus. 3Então disse o rei a Asfenez, seu eunuco-mor, que lhes destinasse dentre os filhos de Israel, e da linhagem dos reis e dos príncipes, 4alguns meninos, em que não houvesse defeito algum, de gentil presença, e instruídos em tudo o que diz respeito à sabedoria, hábeis nas ciências, e bem discipli-nados, e que pudessem estar no palácio do rei, para que êle os ensinasse a escrever, e a falar a língua dos caldeus. 5E ordenou o rei, que se lhes desse cada dia de comer das suas iguarias, e de beber do vinho que êle mesmo bebia, a fim de que, mantidos desta sorte por três anos, pudessem depois andar a servir na presença do rei. 6E entre êstes se acharam no número dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael, e Azarias. 7E o eunuco-mor lhes pôs por nome: A Daniel, o de Baltasar. a Hananias, o de Sidrac, a Misael, o de Misac, e a Azarias, o de Abdénago. 8Ora Daniel assentou firmemente no seu coração, não se sujar com os comeres que viessem da mesa do rei, nem com o vinho que êle bebesse: E pediu ao eunuco-mor que lhe permitisse não comer de umas iguarias, que o tot-nariam impuro. 9E deu Deus a Daniel achar graça e misericórdia diante do eunuco-mor. 10Então disse o eunuco-mor a Daniel: Eu tenho mêdo do rei meu amo, o qual ordenou que se vos desse de comer e de beber: Se êle vir os vossos rostos mais ma-cilentos que os dos outros moços da vossa idade, sereis vós a causa de que o rei me mande cortar a cabeça. 11E respondeu Daniel a Malasar, a quem o eunuco-mor tinha ordenado que tivesse cuidado de Daniel, de Hananias, de Misael, e de Azarias: 12Peço-te que nos experimentes a nós teus servos dez dias, e que se nos dê só legumes a comer, e água a beber 13E depois disto, olha para os nossos rostos, e para os rostos dos meninos que comem da mesa do rei: E conforme vires, assim te haverás com os teus servos. 14E êle, tendo ouvido estas palavras, fêz nêles experiência dez dias: 15E depois dos dez dias, apareceram os seus rostos melhores. e mais gordos, do que os de todos os meninos que comiam da mesa do rei. 16Malasar, pois, tomava para si os manjares, e O vinho que se lhes dava para beber: E a eles dava-lhes legumes, 17Ora Deus deu a êstes meninos a ciência, e o conhecimento de todos os livros, e de tôda a sabedoria: E a Daniel a inteligência de tôdas as visões e sonhos. 18Findos pois os dias, depois dos quais o rei tinha dito que lhe fôssem apresentados: O eunuco-mor os introduziu à presença de Nabucodonosor. 19E tendo-se o rei entretido em conversação com eles, entre todos êles não foram achados outros tais, como Daniel, Hananias, Misael e Azarias: E eles ficaram servindo na câmara do rei. 20E em tôda a questão que o rei lhes propôs em matéria de sabedoria e de inteligência, achou que êles excediam dez vêzes todos os adivinhos e mágicos, que havia em todo o seu reino. 21Daniel, porém, viveu até o primeiro ano do rei Ciro.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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