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Deuteronômio 2

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E partindo dali viemos ao deserto, que leva ao mar Vermelho, como o Senhor mo tinha dito: e andamos muito tempo à roda do monte Seir. 2Então me disse o Senhor: 3Basta cie andares à roda dêste monte: ide para o setentrião: 4e ordena ao povo, dizendo: Vós passareis pelos confins dos filhos de Esaú vossos irmãos, que habitam em Seir. e cies vos temerão. 5Guardai-vos pois de os atacar: Porque eu vos não darei da terra dêles nem quanto um pé pode calcar, visto ter eu dado em possessão a Esaú o monte Seir. 6Comprar-lhes-eis por dinheiro tudo o que houverdes de comer: e também lhes comprareis a água que tirardes e que beberdes. 7O Senhor teu Deus te abençoou em tôdas as obras das tuas mãos: Êle conheceu o teu caminho, como passaste este grande deserto, habitando contigo o Senhor teu Deus por espaço de quarenta anos, e não te tem faltado nada. 8Depois que passamos as terras dos filhos de Esaú nossos irmãos, que habitavam em Seir, pelo caminho da planície de Elat, e de Asiongaber, viemos ao caminho, que guia para o deserto de Moab. 9Então me disse o Senhor: Não pelejes contra os moabitas, e não lhes faças guerra: Porque eu te não darei nada da sua terra, visto que dei Ar em possessão aos filhos de Ló. 10Os Emins foram os seus primeiros habitadores, povo grande, e pujante, e de tão alta estatura que como da linhagem dos Enacins, 11se tinham por gigantes, e eram semelhantes aos filhos dos Enacins. Enfim os moabitas os chamam Emins. 12Em Seir porém habitaram primeiro os horreus: Os quais expulsos e destruídos, habitaram ali os filhos de Esaú, assim como o povo de Israel se estabeleceu na terra da sua possessão, que o Senhor lhe deu. 13Movendo-nos pois para passar a torrente de Za-reb, chegamos a ela. 14Ora o tempo, que nos pusemos em marcha desde Cadesbarne até à passagem da torrente de Zared, foram trinta e oito anos: Até que se extinguiu do campo tôda a geração dos homens de guerra, como o Senhor tinha jurado: 15Cuja mão foi sôbre êles, para os fazer perecer do meio do campo. 16Depois da morte porém de todos estes homens de guerra, 17me falou o Senhor, dizendo: 18Tu passarás hoje os confins de Moab, uma cidade que se chama por nome A r: 19E chegando às vizinhanças dos filhos de Amon, vê lá não pelejes contra êles, nem lhes faças guerra: Porque eu te não darei nada da terra dos filhos de Amon, visto tê-la dado em possessão aos filhos de Ló. 20Êste país foi reputado o país dos gigantes: Porque nêle em outro tempo habitaram os gigantes, que os amonitas chamam Zomzomins, 21povo grande, e numeroso, e de alta estatura, como os Enacins, que o Senhor exterminou de diante dêles: e os fêz habitar em seu lugar, 22como êle fizera a respeito dos filhos de Esaú, que habitam em Scir, exterminando os horreus, e dando-lhes o seu país, que possuem até ao presente. 23Da mesma sorte aos heveus, que habitavam desde Haserim até Gaza, os lançaram fora os capadócios: Os quais tendo saído da Capadócia, os destruíram, e se estabeleceram em seu lugar. 24Levantai-vos, e passai a torrente de Arnon: Eis-aí te entreguei eu nas tuas mãos a Seon amorreu rei de Hesebon, e entra a possuir a sua terra, e peleja contra êle. 25Hoje começarei a meter o terror e o medo das tuas armas nos povos, que habitam debaixo de todo o céu; para que ao ouvir o teu nome fiquem espavoridos, e à maneira das que estão para parir tremam, e sintam dores. 26Eu pois da solidão de Cademot enviei embaixadores a Seon rei de Hesebon com palavras de paz, dizendo-lhe: 27Passaremos pela tua terra, iremos pela estrada real: Não declinaremos nem para a direita, nem para a esquerda. 28Vende-nos tudo o que houvermos mister para comer: dá-nos também pelo nosso dinheiro a água. que bebermos. Permite-nos somente a passagem. 29como fizeram os filhos de Esaú, que habitam em Seir, e os moabitas, que habitam em Ar: até que cheguemos ao Jordão, e passemos à terra. que o Senhor nosso Deus está para nos dar. 30Mas Seon rei de Hesebon não nos quis dar passagem: porque o Senhor teu Deus ihe tinha obdurado o espírito, e empedernido o seu coração, para êle te ser entregue às mãos, como tu agora vês. 31Então me disse o Senhor: Eis comecei eu a te entregar Seon com o seu país, começa a possuí-lo. 32E Seon saiu em nosso encontro com todo o seu povo, para nos dar batalha em Jasa. 33E o Senhor nosso Deus no-lo entregou: E nós o derrotamos com seus filhos e com todo o seu povo. 34Tomamos-lhe ao mesmo tempo tôdas as suas cidades: Mortos os seus habitantes. homens e mulheres e meninos, e nelas não deixamos nada: 35Exceto os animais, que vieram a ser presa dos saqueadores: e os despojos das cidades, que tomamos 36desde Aroer, que está sôbre a ribanceira da torrente de Arnon, cidade situada no vale, até Galaad. Não houve aldeia nem cidade, que escapasse às nossas mãos: Tôdas no-las entregou o Senhor nosso Deus: 37Tirando o país dos filhos de Amon, a que não chegamos: e tudo o que está nos arredores da torrente de Jeboc, e as cidades situadas nas serras, com todos os lugares, onde o Senhor nosso Deus nos proibiu que entrássemos:

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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