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Eclesiastes 4

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Eu me voltei para outras coisas, e vi as calúnias que se passam debaixo do sol, e as lágrimas dos inocentes e que ninguém os consolava: Nem êles podiam resistir à violência dos que os vexavam, destituídos de todo o socorro. 2E louvei mais os mortos do que os vivos: 3E reputei mais venturoso do que uns e outros, ao que ainda não é nado, e que não tem visto os males que se fazem debaixo do sol. 4Contemplei de novo todos os trabalhos dos homens, e fiz reparo em que as suas indústrias se achavam expostas à inveja do próximo: E nisto há também vaidade, e cuidado supérfluo. 5O insensato cruza as suas mãos, e come as suas carnes, dizendo: 6Mais vale um punhadinho com descanso, do que ambas as mãos cheias com trabalho e aflição do ânimo. 7Tornando a considerar achei ainda outra vaidade debaixo do sol: 8Há um tal que é só, e que não tem ninguém consigo, nem filho, nem irmão, e que todavia não cessa de trabalhar, nem os seus olhos se fartam de riquezas: Nem faz esta reflexão, dizendo: Para quem trabalho eu, e defraudo a minha alma dos bens da vida? nisto há também vaidade, e aflição miserabilíssima. 9Melhor é pois estarem dois juntos, do que estar um só: Porque têm a conveniência da sua sociedade: 10Se um cair, o outro o susterá: Ai do que está só: Porque quando cair, não tem quem o levante. 11E se dormirem dois juntos, êles se aquentarão mútuamente: Mas um só como se há de aquentar? 12E se alguém prevalecer contra um, dois lhe resistem: O cordel triplicado dificultosamente se quebra. 13Melhor é um moço pobre e sábio, do que um rei velho insensato, que não sabe prever nada para o futuro. 14Porque às vêzes sai um do cárcere, e dos ferros para ser rei: E outro que nasce rei, é consumido da pobreza. 15Eu vi todos os viventes, que passeiam debaixo do sol com o moço, que tem o segundo lugar, e que depois há de ter o primeiro. 16Todos os que foram antes dêle são um povo infinito em número: e os que depois hão de existir não se hão de nêle regozijar. Mas até isto é vaidade e aflição de espírito. 17Vê onde pões o teu pé, quando entras na casa de Deus, e chega-te para ouvires. Porque muito melhor é a obediência do que as vitimas dos insensatos, que não conhecem o mal que fazem.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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