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Eclesiástico 13

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1O que tocar o pêz, ficará contaminado dêle: E o que tiver comércio com o soberbo, se vestirá de soberba. 2Tomará sôbre si uma pesada carga o que tem comunicação com outro mais poderoso do que êle. E não entres em sociedade com o que é mais rico do que tu. 3Que fruto tirará do seu comércio uma panela junto do caldeirão? Porque quando êstes vasos derem um no outro ela se quebrará. 4O rico fêz uma injustiça, e bramará: O pobre porém, tendo sido maltratado, se calará. 5Se lhe deres com largueza, êle te admitirá à sua amizade: Mas se não tiveres que lhe dar, êle te deixará. 6Se tens, fará convivência contigo e escorchar-te-á: e êle nenhuma pena terá de ti. 7Se tu lhe fôres necessário, êle te enganará e sorrindo-se te dará boa esperança, falando-te com boas palavras e te dirá: Necessitas de alguma coisa? 8E confundir-te-á com as suas cobertas, até que te esgote com dois ou três jantares: E por último zombará de ti: E vendo-te ao depois te abandonará, e moverá para ti a sua cabeça. 9Humilha-te diante de Deus, e espera que a sua mão obre. 10Ve, não te humilhes indiscretamente deixando-te seduzir. 11Não te humilhes na tua sabedoria, para que não suceda que, sendo humilhado, te deixes seduzir para cometeres uma loucura. 12Se fôres chamado por algum grande retira-te: Porque isso o incitará mais a chamar-te. 13Não lhe sejas importuno para que êle se não desgoste de ti: E não te alongues dêle, para que não venhas a esquecer-lhe. 14Não o detenhas em conversação, como se fôsse seu igual: Nem te fies nas suas muitas palavras: Porque êle te tentará, fazendo-te falar muito e sorrindo-se perguntar-te-á o que tu deves ter em segrêdo. 15O seu coração desapiedado conservará tôdas as tuas palavras: E não te perdoará, nem os maus trata-mentos, nem as prisões. 16Tem côbro em ti, e ouve com atenção o que êle te disser: Porque andas em risco de te perder. 17Mas ouvindo tu as suas palavras, toma-as por um sonho, e vigiarás. 18Ama a Deus em tôda a tua vida, e invoca-o pela tua salvação. 19Todo o animal ama ao seu semelhante: Assim também todo o homem ama ao seu próximo. 20Tôda a carne se ajunta à que se lhe assemelha, e todo o homem se unirá com o seu semelhante. 21Se o lôbo comunicar alguma vez com o cordeiro, assim o pecador com o justo. 22Que correlação tem um homem santo com um cão? Ou que sociedade tem um homem rico com um pobre? 23O asno montês é a prêsa do leão no deserto, assim também os pobres são o pasto dos ricos. 24E assim como a humildade é a abominação do soberbo: Assim também o pobre é a execração do rico. 25O rico, tendo sido abalado, é sustido pelos seus amigos: Mas o pobre, quando cair, será empurrado até pelos seus conhecidos. 26Se o rico se engana, tem muitos defensores: Falou com altiveza, e justificaram-no: 27Enganou-se o pobre, e ainda em cima é arguí-do: Falou avisadamente, e não se lhe dão ouvidos. 28Falou o rico, e todos se puseram em silêncio, e exaltaram até às nuvens as suas palavras. 29Falou o pobre, e dizem: Quem é êste? E se puser um pé em falso, acabá-lo-ão de derrubar. 30Boa é a riqueza para o que não tem pecado na sua consciência: E a pobreza é péssima na bôca do ímpio. 31O coração do homem muda-lhe o rosto, ou para bem, ou para mal. 32Dificultosamente, e com trabalho acharás tu um rasto de bom coração, e um bom semblante.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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