Eclesiástico 22
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Com pedra enlodada foi apedrejado o preguiçoso, e todos falarão do vilipêndio dêle. 2Com bosta de bois foi apedrejado o preguiçoso: E todo o que tocar sacudirá as mãos. 3O filho mal disciplinado é a vergonha do pai: E a filha será em mais baixa estimação reputada. 4A filha prudente é uma herança para seu marido: Mas aquela cujo procedimento envergonha, é talhada para a desonra de seu pai. 5A mulher atrevida cobre de confusão a seu pai e a seu marido e não será inferior aos ímpios, e de um e de outro andará desestimada. 6Um discurso fora de propósito é como a música no dó: O castigo e a doutrina em todo o tempo é sabedoria. 7Aquêle que ensina ao insensato, é como o que quer tornar a unir os cacos de um vaso quebrado. 8O homem que se põe a contar alguma coisa ag que o não ouve, é como o que desperta dum pesado sonc a quem nele está agarrado. 9Aquele que fala da sabedoria a um insensato, é como o que fala com um dormente: E no fim do discurso diz: Quem é êste? 10Chora sôbre o morto, porque lhe faltou a luz: E chora sôbre o insensato, porque lhe falta o sentido. 11Chora pouco sôbre o morto porque êle entrou no descanso. 12Porque a muito malvada vida do homem malvadíssimo é pior do que a morte do insensato. 13O chôro sôbre o morto é por sete dias: Mas o que merece o insensato e ímpio estende-se a todos os dias da sua vida. 14Não fales muito com o imprudente, e não caminhes com o insensato. 15Guarda-te dêle, para que não tenhas moléstia, e não serás contaminado com o seu pecado. 16Desvia-te dele, e acharás descanso, e não te aze-darás com êle pela sua estultícia. 17Que coisa haverá mais pesada do que o chumbo? E que outro nome pode quadrar melhor do que êste ao insensato? 18E” mais fácil de levar a areia, e o sal, e qualquer massa de ferro, do que o homem imprudente, e insensato, e Ímpio. 19A travação de madeira com firme engradamen-to disposta no alicerce do edifício, não se desunirá: Assim também o coração firmado no sólido pensamento do conselho. 20A resolução do homem sensato não se enfraquecerá com o mêdo, seja em que tempo fôr. 21Bem como uma armação de paus posta em lugares elevados, e como as paredes de pedra em sosso não se conservarão em pé contra a violência do vento: 22Assim também o coração do insensato tímido nos seus pensamentos não resistirá contra o ímpeto do temor. 23Assim como o coração do insensato medroso nos seus pensamentos, não temerá em tempo algum, assim também o que insiste sempre nos preceitos de Deus. 24Aquêle que pica o ôlho, faz sair dele lágrimas: E o que pica o coração, excita sentimento. 25Aquêle que atira com uma pedra aos pássaros, fá-los-á tomar o vôo: Assim também aquêle que diz injúrias ao seu amigo desfaz a amizade. 26Não obstante haveres tu arrancado a espada contra o teu amigo, não desesperes: Porque ainda há regresso. Ao amigo, 27se abrires a bôca, proferindo palavras de desabrimento, não temas: Porque ainda há reconciliação: Exceto quando se chegou a romper em afrontas, e impropérios, e orgulhoso desdém, e revelação de segrêdo, e ferida à traição: Em todos êstes casos fugirá de ti o amigo. 28Guarda fé ao teu amigo na sua pobreza, para que também te alegres com êle nas suas prosperidades. 29Conserva-te sempre fiel a êle no tempo da sua tribulação, para que também sejas o co-herdeiro na sua herança. 30Antes que apareça o fogo, sai o vapor da fornalha, e se eleva em alto fumo: Assim também as injúrias, e ultrajes, e ameaças precedem a efusão de sangue. 31Eu não me envergonharei de saudar ao meu amigo, não me esconderei da sua presença: E se me vierem males por amor dêle, sofrê-los-ei. 32Tôda a pessoa que isto ouvir se acautelará dele. 33Quem porá guarda à minha bôca, e um sêlo inviolável sôbre os meus lábios, para que eu não caia por sua causa e para que a minha língua me não perca?