Eclesiástico 4
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Filho, não defraudes a esmola do pobre, e não apartes dêle os teus olhos. 2Não desprezes a alma esfaimada: E não exaspe-res ao pobre na sua necessidade. 3Não aflijas o coração do pobre, e não defiras dar ao que está em angústia. 4Não rejeites a petição do atribulado: E não voltes a tua cara ao pobre. 5Não apartes os teus olhos do necessitado por causa da ira: E não dês ocasião aos que te pedem de te amaldiçoar por detrás: 6Porque será atendida a deprecação do que te amaldiçoa na amargura da sua alma: E atendê-lo-á aquêle que O criou. 7Faze-te afável ao ajuntamento dos pobres, e humilha a tua: alma diante dos anciãos, e abaixa a tua cabeça diante dos grandes. 8Aplica o teu ouvido ao pobre sem ar tristonho, e paga-lhe a tua dívida, e responde-lhe pacificamente com brandura. 9Livra da mão do soberbo ao que padece injúria: E não leves isto com amargura em tua alma. 10No julgar sê piedoso para com os órfãos como pai, e faze as vêzes de marido para com a mãe dêles: 11E serás tu como um filho obediente do Altíssi-mo, e êle se compadecerá de ti, mais do que uma mãe. 12A sabedoria inspira vida a seus filhos, e toma debaixo da sua proteção aos que a buscam, e irá diante dêles no caminho da justiça: 13E o que a ama, ama a vida: E os que velarem para a achar, gozarão do sei prazer. 14Aquêles que a possuírem, terão a vida por herança: E onde ela entrar, Deus abençoará tudo. 15Os que a servem, serão obedientes ao santo: E Deus ama aos que a amam. 16Aquêle que a ouve, julgará as nações: E o que olha para ela permanecerá seguro. 17Se êle tiver confiança nela, herdá-la-á, e ficarão seus filhos confirmados. 18Porque ela na tentação anda com êle, e o escolhe entre os primeiros. 19Ela induzirá sôbre êle o temor, e o mêdo, e a tentativa: E o exercitará nas penas, de que as suas instruções andam acompanhadas, até que o prove em seus pensamentos, e se fie da sua alma. 20E ela o porá firme, e se encaminhará direita-mente a êle, e o encherá de alegria. 21e lhe descobrirá os seus segredos, e meterá nele um tesouro de ciência, e de inteligência da justiça. 22Porém se êle se extraviar, ela o deixará e o entregará nas mãos do seu inimigo. 23Filho, aproveita o tempo, e guarda-te do mal. 24Não te envergonhes de dizer a verdade, quando se trata da tua alma. 25Porque há uma confusão que faz cair no pecado, e há outra que traz consigo glória e graça. 26Não faças acepção de pessoas contra a tua salvação, nem te deixes levar para a mentira à custa da tua alma. 27Não respeites o teu próximo na sua queda: 28E não retenbas a palavra quando ela pode.ser saudável. Não escondas a tua sabedoria na sua beleza. 29Porque a sabedoria dá-se a conhecer pela língua: E o bom senso, e a ciência, e a doutrina mostram-se na palavra do homem cordato, e a sua firmeza consiste nas obras de justiça. 30Não contradigas de modo algum a palavra da verdade, e confunde-te da mentira em que tenhas caído por ignorância. 31Não te envergonhes de confessar os teus pecados, mas não te sujeites a todo o homem para lhos descobrir. 32Não resistas cara a cara ao homem poderoso, e não forcejes contra a corrente do rio. 33Toma a defensa da justiça para salvares a tua alma, e peleja até à morte pela justiça, e Deus pondo-se da tua parte derrotará os teus inimigos. 34Não sejas precipitado na tua língua: E ao mesmo tempo inútil, e remisso nas tuas obras. 35Não sejas como o leão na tua casa, fazendo-te terrível aos teus domésticos, e oprimindo aos que te estão sujeitos. 36A tua mão não esteja aberta para receber, e fechada para dar.