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Eclesiástico 46

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Jesus de Nave forte na guerra, sucessor de Moisés entre os profetas, aquêle que segundo o seu nome foi grande, 2muito maior se ostentoy em salvar aos escolhidos de Deus, em derrotar os inimigos que contra êie se levantavam, a fim de conseguir para Israel a sua herança. 3Que glória não alcançou êle em levantar as suas mãos, e em mencar contra as cidades o seu montante? 4Quem antes dele combateu assim? Porque o mesmo Senhor lhe trouxe às mãos os seus inimigos. 5Não é assim que por impulso da sua ira ficou o sol parado, e que um dia veio a ser tão comprido como dois? 6Êle invocou o Altíssimo Poderoso quando atacava aos inimigos por tôdas as pártes, e ouviu-o o grande e santo Deus, enviando pedras de saraiva de mui rija violência, 7deu com ímpeto sobre uma gente inimiga, e derrotou na descida aos contrários, 8para que as nações conhecessem o seu poder, pois não é fácil pelejar contra Deus. E foi após do Todo-Poderoso: 9E nos dias de Moisés fêz uma ação de misericórdia êle, e Caleb, filho de Jefone, contrastando com o inimigo, e indo à mão ao povo para que não pecasse, e rebatendo a murmuração "de malícia. 10E sendo escolhidos estes dois, foram livres do perigo dentre o número de seiscentos mil homens de pé, a fim de os introduzir na sua herança, numa terra que mana leite e mel. 11E deu o Senhor ao mesmo Caleb fortaleza, e lhe durou êste vigor até à velhice, para subir a um lugar elevado da terra, e a sua descendência o possuiu por herança: 12Para que todos os filhos de Israel vissem que é bom obedecer ao santo Deus. 13E cs juízes apontados cada um por seu nome cujo coração não foi pervertido: Os quais não se apartaram do Senhor, 14para que a sua memória esteja em bênção, e os seus ossos reverdeçam do seu lugar, 15e dure perpètuamente o seu nome, passando a seus próprios filhos, com a glória daqueles santos varões. 16Samuel, profeta do Senhor, foi amado do Senhor seu Deus, êle instituiu um govêrno novo, e ungiu os príncipes na sua nação. 17Julgou a sinagoga segundo a lei do Senhor, e Deus olhou com olhos propícios para Jacó, e foi pela sua fé aprovado por verdadeiro profeta. 18E foi reconhecido fiel nas suas palavras, porque viu ao Deus de luz. 19E invocou o Senhor Todo-Poderoso, com a oferta dum cordeiro sem mácula quando combatia contra os inimigos que o cercavam de todos os lados. 20E o Senhor trovejou do Céu, e com um grande estrondo fêz ouvir a sua voz; 21e desfez o poder dos príncipes de Tiro, e de todos os chefes dos filisteus: 22E antes do prazo do fim da sua vida e século, deu testemunho na presença do Senhor, e de seu Ungido, de que não tinha tomado de pessoa alguma dinheiro nem ainda sapatos, e não se achou homem que o pudesse acusar. 23E depois disto dormiu Samuel o sono da morte, e apareceu ao rei, e lhe predisse o fim da sua vida, e saindo da terra, levantou a sua voz, profetizando o golpe, que estava para se descarregar sôbre a impiedade da nação.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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