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Ester 5

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Ao terceiro dia tomou Ester vestidos reais, e apresentou-se no quarto interior do palácio real, defronte da sala do rei: E êle estava sentado sôbre o seu trono no fundo do palácio defronte da porta da sala. 2E tendo visto parada a rainha Ester, ficou dela agradado, e estendeu para ela o cetro de ouro, que tinha na mão. E chegando-se Ester, beijou a ponta do seu cetro. 3E o rei lhe disse: Que é o que queres, rainha Ester? Que petição é a tua? Ainda quando tu me peças metade do reino, se te dará. 4E ela respondeu: Se agrada ao rei, suplico que venhas hoje ao meu quarto, e Aman contigo a um banquete, que tenho disposto. 5E o rei sem mais demora disse: Chamai logo a Aman para que obedeça à vontade de Ester. Vieram pois o rei e Aman ao banquete, que a rainha lhes havia aparelhado. 6E o rei lhe disse, depois de bem farto de vinho: Que desejas tu que eu te dê? E que é o que me pedes? Ainda que tu me peças a metade do meu reino, a alcançarás. 7E Ester lhe respondeu: A minha petição, e os meus rogos são estes: 8Se tenho achado graça diante do rei, e se ao rei lhe apraz conceder-me o que peço, e cumprir a minha petição: Venha o rei e Aman ao banquete que lhes tenho aparelhado, e amanhã declararei ao rei a minha vontade. 9Saiu pois Aman aquele dia alegre e contente. E havendo visto a Mardoqueu sentado às portas do palácio, e que não só não se havia levantado para o cortejar, senão que nem sequer se havia movido do seu assento, se irritou em extremo: 10E dissimulando a ira, voltou para sua casa e convocou Os seus amigos, e a Zarés sua mulher: 11E patenteou-lhe a grandeza das suas riquezas, e o grande número de seus filhos, e a alta glória a que o rei o tinha elevado sôbre todos os grandes e seus cortesãos. 12E acrescentou depois disto: A rainha Ester a nenhum outro chamou para o banquete com o rei, senão a mim: E amanhã tenho de comer também no seu quar-to com o rei. 13Mas ainda que tenho tudo isto, nada me parece ter, enquanto vir o judeu Mardoqueu assentado diante das portas do palácio. 14E Zarés sua mulher, e os outros amigos lhe responderam: Manda levantar uma viga bem grande, que tenha cinquenta côvados de altura, e dize pela manhã ao rei que faça pendurar nela a Mardoqueu, e assim irás alegre para o banquete com o rei. Agradou-lhe o conselho, e mandou que se preparasse uma cruz bem alta.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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