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Êxodo 2

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Algum tempo depois um homem da tribo de Levi casou com uma mulher da sua estirpe. 2Esta mulher concebeu, e deu à luz um filho; e vendo que o menino era de belo parecer, teve-o escondido três meses. 3Como porém não pudesse por mais tempo ter esta coisa encoberta, tomou um cestinho de junco, bar-rou-o de betume, e de pez, meteu nêle o menino, e expô-lo nuns canaviais, que estavam na ribanceira do rio; 4ficando uma irmã do menino a observar de longe o que depois sucedia. 5Neste tempo veio a filha do Faraó banhar-se no rio, acompanhada das suas damas, que caminhavam ao longo da borda da água. E como desse com os olhos no cestinho entre as canas, mandou a uma delas que lho trouxesse. 6Trazido que foi, abriu-o, e achou dentro um menino chorando. Do que compadecida disse: Este é algum dos meninos dos hebreus. 7Então chegando-se a irmã do menino, disse para a princesa: E” vossa alteza servida, que eu vá buscar alguma mulher dos hebreus, que crie êste menino? 8Disse-lhe ela: Vai. Partiu pois a moça, e fêz que viesse sua mãe. 9A filha de Faraó lhe falou, e disse: Toma êste menino, e cria-mo, que eu te pagarei êste trabalho. Tomou a mãe o menino, criou-o e depois de grande tornou-o a dar à filha de Faraó, 10a qual o adotou por seu filho, e lhe pôs o nome de Moisés, dizendo: Porque eu o tirei da água. 11Neste tempo, sendo Moisés já homem, foi êle ver seus irmãos. Observou a aflição, em que êles estavam, e viu que um hebreu era ultrajado por um egiptano. 12Então olhando para tôdas as partes, e vendo que não estava por ali ninguém, matou ao egípcio, e o escondeu na areia. 13Ao outro dia achou dois hebreus bulhando, e disse ao que fazia o ultraje: Por que dás tu em teu irmão? 14Respondeu êle: Quem te constituiu a ti nosso príncipe, e nosso juiz? Acaso queres-me tu matar, como mataste ao egípcio? Teve Moisés mêdo, e disse: Como se descobriu isto? 15Faraó tendo notícia do caso, procurava matar a Moisés; mas êste, fugindo de diante dêle, se retirou para a terra de Madian, e se assentou junto a um poço. 16Ora em Madian havia um sacerdote, que tinha sete filhas, as quais, tendo vindo a tirar água, depois de terem enchido os canos, queriam dar de beber aos rebanhos de seu pai. 17Mas uns pastores, que sobrevieram, as lançaram para fora. Então Moisés levantando-se, e pondo-se em defesa das moças, deu de beber às suas ovelhas. 18Quando elas voltaram para casa de Raguel seu pai, disse-lhe êste: Por que viestes vós mais cedo do costumado?. 19Elas lhe responderam: Um egípcio nos livrou da violência dos pastores; e além disto tirou água conosco, e deu de beber às ovelhas. 20Onde está êle? disse o pai. Pór que deixastes vós ir êsse homem? Chamai-o, para que coma. 21Jurou pois Moisés que ficaria com êle. E depois casou com sua filha Séfora. 22E ela lhe pariu um filho, a quem êle pôs o nome de Gersão, dizendo: Eu fui viandante numa terra estrangeira. Pariu ela ainda outro filho, e êle o chamou Eliezer, dizendo: O Deus de meu pai, que é o meu socorro, me livrou da mão de Faraó. 23Muito depois morreu o rei do Egito: e os filhos de Israel gemendo debaixo do pêso das obras, que os oprimia, clamaram: e o clamor, que o excesso dos seus trabalhos lhes fazia levantar, chegou a Deus. 24Ouviu êle os seus gemidos, e lembrou-se do pacto, que tinha feito com Abraão, Isaac, e Jacó. 25E o Senhor olhou para os filhos de Israel, e êle os conheceu.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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