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Êxodo 9

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Disse o Senhor a Moisés: Entra a Faraó, e dize-lhe: Eis aqui o que diz o Senhor Deus dos hebreus: Deixa ir o meu povo a fazer-me sacrifício. 2Se o recusas fazer, e o reténs ainda, 3será a minha mão sôbre os teus campos: e os cavalos, os jumentos, os camelos. os bois. e as ovelhas serão tocados de uma peste perniciosíssima. 4E o Senhor fará a maravilha de separar o que pertence aos filhos de Israel, do que pertence aos egípcios: de sorte que não pereça nada do que os filhos de Israel possuem. 5O mesmo Senhor foi o que designou o tempo, declarando que amanhã fará êle esta maravilha. 6Ao outro dia pois fêz o Senhor o que tinha dito: todos os animais dos egípcios morreram, e não pereceu nenhum dos dos filhos de Israel. 7Mandou Faraó, ver, e achou-se que nada do que possuíam os filhos de Israel estava morto. Mas o coração de Faraó se endureceu, e êle não quis deixar ir o povo. 8Então disse o Senhor a Moisés, e a Aarão: Tomai cada um de vós sua mão cheia de cinza da chaminé, e Moisés deite a sua ao ar diante de Faraó: 9e espalhe-se êste pó por todo o Egito; e daqui se formarão umas úlceras, e uns tumores nos: homens, e nos animais por todo o Egito. 10Tendo êles pois tomado da cinza da chaminé, se apresentaram ambos a Faraó; e Moisés a lançou ao ar. Ao mesmo tempo se formaram úlceras e tumores nos homens e nos animais. 11E os mágicos não podiam ter-se diante de Moisés, por causa das úlceras, que lhes tinham sobrevindo, como a tôda a terra do Egito. 12O Senhor endureceu o coração de Faraó, e êste não ouviu a Moisés, nem a Aarão, conforme o Senhor o tinha predito por Moisés. 13Tornou o Senhor a dizer a Moisés: Levanta-te logo ao amanhecer, e apresenta-te diante de Faraó, e dize-lhe: Eis aqui o que diz o Senhor Deus dos hebreus: Deixa ir o meu povo, para que êle me ofereça sacrifícios. 14Porque desta vez farei eu cair tôdas as minhas pragas sôbre o teu coração, sôbre os teus servos, e sôbre o teu povo; para que tu saibas que não há quem seja semelhante a mim em tôda a terra. 15Agora pois estenderei eu a minha mão, e ferirei de peste a ti, e ao teu povo, e tu perecerás de cima da terra. 16Porque eu para isso te pus, para que em ti se desse bem a ver a minha fortaleza, e para que o meu nome se fizesse célebre em tôda a terra. 17Pois que? ainda tu reténs o meu povo, e ainda o não queres deixar ir? 18Pois sabe que amanhã, a esta mesma hora, farei eu chover uma horrível pedra, qual se não viu ntin-ca semelhante no Egito, desde que êle foi fundado até o dia de hoje. 19Manda pois já desde agora ao campo, e recolhe os teus animais, e tudo o que tens: porque homens, animais, e tudo o que se achar fora, e não tiver sido recolhido dos campos, todos morrerão feridos da pedra. 20Aqueles dos servos de Faraó, que temeram a palavra do Senhor, fizeram retirar os seus servos, e os seus animais para suas casas. 21Aqueles porém, que desprezaram a palavra, que o Senhor tinha dito, deixaram os seus servos, e os seus animais nos campos. 22Então disse o Senhor a Moisés: Estende a tua mão para o céu, para que chova pedra em todo o Egito sôbre homens, sôbre animais, e sôbre tôda a erva do campo. 23Tendo Moisés levantado a sua vara para o céu, fêz o Senhor cair uma chuva de pedra sôbre a terra, no meio de trovões, e de relâmpagos, que descorriam pelo ar de tôdas as partes. Assim fêz o Senhor chover pedra sôbre a terra do Egito. 24A pedra, e o fogo, misturados um com outro, caíam ambos juntos: e era esta pedra duma tal grossura, que nunca antes se tinha visto outra semelhante no Egito, desde que esta nação fôra estabelecida. 25Em tôda a terra do Egito matou a pedra tudo o que se achava nos campos, desde os homens até os animais; ela queimou tôda a erva da campanha, e fendeu tôdas as árvores. 26Só na terra de Gessen, onde estavam os filhos de Israel, não caiu pedra. 27Então mandou Faraó chamar a Moisés, e a Aarão, e lhes disse: Eu pequei ainda desta vez. O Senhor é justo; eu, e o meu povo somos uns ímpios. 28Rogai ao Senhor, que cessem êstes grandes trovões, e pedras; para que eu vos deixe ir, e vós não fiqueis mais aqui. 29Moisés lhe respondeu: Depois que eu tiver saído da cidade, estenderei as minhas mãos para o Senhor, e cessarão os trovões, e não choverá mais pedra; para que tu saibas que a terra é do Senhor. 30Mas eu sei que tu, e o teu povo ainda não temeis o Senhor. 31O linho pois, e a cevada perderam-se, porque a cevada já tinha lançado a sua espiga, e o linho começava a deitar folhelho. 32O trigo porém, e o farro não padeceram danificação, porque eram serôdios. 33Moisés depois que deixou a Faraó, e saiu da cidade, levantou as mãos ao Senhor, e cessaram os trovões, e a pedra, e não choveu mais uma gôta d’água sôbre a terra. 34Mas Faraó vendo que tinham cessado a chuva, a pedra, e os trovões, aumentou ainda o seu pecado. 35O seu coração, e o de seus servos se tornou ainda mais pesado. e ainda mais endurecido: e êle não deixou sair os filhos de Israel, nem quis obedecer à ordem, que tinha recebido de Deus por meio de Moisés.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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