Ezequiel 17
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 2Filho do homem, propõe êste enigma, e refere esta parábola à casa de Israel, i 3« dir-lhe-as: isto diz o Senhor Deus: Uma águia corpiulenta de grandes asas, de longa extensão de membros, cheia de penas, e de variedade de côres, veio ao Líbano, e levou a medula de um cedro. 4Arrancon as últimas pontas dos seus ramos: I£ levou-as para a terra de Canaã, e pó-las numa cidade de negociantes. 5E tomou da semente da terra, e pô-la na terra por semente, para aque lançasse firme raiz sobre muitas águas: Pô-la à superfície. 6E depois de ter brotado, cresceu em uma vinha mui larga de pouca altura, cujos ramos olhavam para a tal águia: E as suas raízes estavam debaixo dela: Fêz-se pois uma vinha, e fortificou em lançamentos, e produziu renovas. 7E veio outra águia corpulenta de grandes asas e de muitas penas: E eis-que esta vinha, como que encaminhando para a tal águia as suas raízes, estendeu para ela os seus lançamentos, para que a regasse com as águas das aréolas da sua fecundidade. 8Foi esta vinha plantada numa boa terra à borda de copiosas águas: Para lançar fôlhas, e dar fruto, até vir a fazer-se uma grande vinha. 9Dize: Isto diz o Senhor Deus: Será possível que venha ela a ser bem sucedida? não lhe arrancará antes as suas raízes, e deitará abaixo os seus frutos, e secará todos os lançamentos que houver brotado, e não ficará árida: E isto não com forte braço, nem com muito povo, para a arrancar de raiz? 10Ei-la aí está plantada: E acaso irá ela avante ou quando a tocar um vento abrasador não se secará ela, e ficará árida nos canais da: sua fecundidade? 11E foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 12Dize a esta casa exasperadora: Não sabeis que significam estas coisas? Dize: Eis-aí vem o rei de Babilônia sôbre Jerusalém: E.tomará o rei, e os seus príncipes, e os levará ao seu reino a Babilônia. 13E tomará um da estirpe real, e fará aliança com êle: E receberá dêle juramento: Mas até os fortes do pais êle tirará. 14Para que o reino fique abatido, e não se levante, mas guarde o seu pacto, e o observe. 15O qual, apartando-se dêle, enviou mensageiros ao Egito, para que lhe desse cavalos e muita gente. Acaso será prosperado, ou conseguirá a segurança que deseja quem isto praticou? e o que desfez o pacto, acaso escapará? 16Por minha vida, diz o Senhor Deus: Que no país do rei que o fêz rei, cujo juramento quebrantou, e cujo pacto, que tinha com êle, violou, no meio de Babilônia morrerá. 17E Faraó nem com grande exército, nem com muito povo dará batalha contra êle: Com ereção de terráplenos, e com fábrica de trincheiras, para que imate muitas pessoas. 18Porque tinha desprezado o juramento para romper à aliança, e eis-aí deu a sua mão: E tendo feito tôdas estas coisas, não escapará. 19Por cuja causa isto diz o Senhor Deus: Por minha vida, que farei recair sôbre a cabeça dele o juramento que desprezou, e a aliança, em cuja ruptura prevaricou. 20E estenderei a minha rêde sobre êle, e será apanhado na minha rêde varredoura: E levá-lo-ei a Babilônia, e lá o julgarei pela prevaricação com que me desprezou. 21E todos os seus desertores com todo o seu esquadrão, cairão mortos à espada: E os que ficarem serão espalhados a todo o vento: E sabereis que cu o Senhor é que falei. 22Isto diz o Senhor Deus: E eu tomarei da medula do elevado cedro, e a porei à parte: Cortarei do mais alto de seus ramos um tenro garto e plantá-lo-ei sôbre um alto e elevado monte. 23Eu o plantarei no alto monte de Israel, e êle deitará arrebentos, e dará fruto, e far-se-á um grande cedro: E tôdas as aves habitarão debaixo dêle, e tôda a espécie de voláteis fará o seu ninho debaixo da sombra das suas fôlhas. 24E saberão tôdas as árvores desta região, que eu o Senhor é que humilhei a árvore alta, e exaltei a àr-vore humilde: E sequei a árvore verde, e fiz reverdecer a árvore sêca. Eu o Senhor o disse e o fiz.