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Ezequiel 29

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1No dia onze do décimo mês do ano décimo, me foi dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 2Filho do homem, põe o teu rosto contra Faraó, rei do Egito, e profetizar-lhe-ás tudo o que está para acontecer a êle, e ao Egito: 3Fala-lhe, e dize-lhe: Isto diz o Senhor Deus: Eis-aqui venho eu a ti, O Faraó, rei do Egito, dragão enorme, que te deitas no meio dos teus rios, e dizes: O rio é meu, e eu sou o que a mim mesmo me criei. 4E te porei nos queixos um freio: E prenderei os peixes dos teus rios às tuas escamas: E eu te tirarei para fora do meio dos teus rios, e todos os teus peixes estarão pegados às tuas escamas. 5E te lançarei para o deserto, e a todos os peixes do teu rio: Tu cairás sôbre a face da terra, não te levantarão nem te sepultarão: Eu te dei por pasto às alimárias da terra, e às aves do céu: 6E todos os habitantes do Egito saberão que eu sou o Senhor: Pois que tu fôste para a casa de Israel um bordão de cana. 7Quando êles te tomaram na mão, e tu te quebraste, e lhes rasgaste todo o ombro, e quando êles cuidavam que se seguravam em ti, tu te fizeste em pedaços, e lhes fizeste arrebentar todos os seus rins. 8Por esta causa isto diz o Senhor Deus: Eis-aí vou eu a fazer cair a espada sôbre ti: E eu matarei dentre vós os homens e as alimárias. 9E a terra do Egito será reduzida a um deserto, e, uma solidão: E êles saberão que eu sou o Senhor: Porque tu disseste: O rio é meu, e eu é que o fiz. 10Por isso eis-me aqui contra ti, e contra os teus rios: E mudarei a terra do Egito numas solidões, depois que a guerra a tiver assolado, desde a tôrre de Siene até os confins da Etiópia. 11Não passará por ela pé de homem, nem andará nela pé de alimária: E não será habitada quarenta anos. 12E porei a terra do Egito já deserta na classe dos países desertos, e as suas cidades na classe das cidades destruídas, e elas estarão desoladas quarenta anos: E espalharei para diversas nações aos egípcios, e os deitarei ao vento para várias terras. 13Porque isto diz o Senhor Deus: Depois de findos quarenta anos, eu tornarei a ajuntar os egípcios do meio dos povos, para onde êles tinham sido espalhados. 14E tornarei a trazer os cativos do Egito, e os estabelecerei na terra de Fatures, na terra da sua nascença: E êles ficarão sendo ali um reino humilde: 15O Egito será o mais humilde de todos os reinos, e se não tornará mais a levantar por cima das nações, e eu os diminuirei, para que não dominem sôbre as gentes. 16E não serão mais a confiança da casa de Israel, ensinando-lhes a iniquidade, para que fujam de mim, e os sigam: E saberão que eu sou o Senhor Deus. 17E no ano vinte e sete, no primeiro dia do primeiro mês, aconteceu isto: Foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 18Filho do homem, Nabucodonosor, rei de Babilônia, me rendeu com o seu exército um grande serviço no cêrco de Tiro: Tôdas as cabeças ficaram calvas, e todos os ombros ficaram pelados: E contudo nem a êle, nem ao seu exército se deu alguma recompensa em atenção de Tiro, pelo serviço que me fêz na tomada dela. 19Por cuja causa isto diz o Senhor Deus: Eis-aí vou eu pôr a Nabucodonosor, rei de Babilônia, na terra do Egito: E lhe tomará todo o povo, e fará dele a sua: prêsa, e repartirá os seus despojos: E esta será a recompensa que terá o seu exército. 20E assim será pago do serviço que me fêz no cêrco desta cidade: I eu lhe entregarei a terra do Egito, porque êle trabalhou para mim, diz o Senhor Deus. 21Naquele dia reflorescerá o poder da casa de Israel, e eu te abrirci a bôca no meio dêles: E saberão que eu sou o Senhor.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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