Ezequiel 33
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 2Filho do homem, fala aos filhos do teu povo, e tu lhes dirás: Quando eu tiver feito vir a espada sôbre uma terra, e o povo desta terra tomar um homem dos ínfimos dentre êles, e o constituir por Atalaia para vigiar sôbre êle. 3E êle vir que vem a espada sôbre esta terra, e tocar a trombeta, e avisar disto ao povo: 4E se ouvindo algum, seja êle quem quer que fôr, o som da trombeta, e não se guardar, e sobrevier a espada, e o matar: O seu sangue cairá sôbre a sua cabeça. 5Êle ouviu o som da trombeta, e não se guardou, cairá sôbre êle o seu sangue: Mas se êle se guardar, salvará a sua alma. 6Se ao contrário o Atalaia vir que vem a espada, e não tocar a trombeta: E o povo se não guardar, e vier a espada, e levar uma alma dentre êles: Êste tal foi por certo apanhado na sua iniqüidade, mas eu demandarei o seu sangue da mão do Atalaia. 7Ora tu, filho do homem, tu és aquele à quem eu constitui por Atalaia à casa de Israel: Tu pois, ouvindo as palavras da minha bôca, lhas anunciarás a êles da minha parte. 8Se dizendo eu ao ímpio: Ímpio, tu infalivelmente morrerás: Não falares tu ao ímpio, para êle se guardar do seu caminho: Morrerá êsse ímpio na sua iniqüidade, mas eu requererei da tua mão o seu sangue. 9Se advertindo tu porém o ímpio que se converta dos seus caminhos, êle se não converter do seu caminho: Morrerá êle na sua iniqüidade: Porém tu livraste a tua alma. 10Tu pois, filho do homem, dize à casa de Israel: Assim falastes vós, dizendo: As nossas iniqüidades, e os nossos pecados estão sôbre nós, e nós apodrecemos nêles: Como poderemos nós logo viver? 11Responde-lhes assim: Eu juro por minha vida, diz o Senhor Deus: Que eu não quero a morte do ímpio, mas sim que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos, deixando os vossos péssimos caminhos: E por que haveis vós de morrer, casa de Israel? 12Tu pois, filho do homem, dize aos filhos do teu povo: Em qualquer dia que o justo pecar, a sua justiça não no livrará: E em qualquer dia que o ímpio se converter da sua impiedade, a impiedade lhe não fará mal: E em qualquer dia que o justo venha a pecar, êle não poderá viver na sua justiça. 13Ainda quando eu disser ao justo que terá vida, e êle confiado na sua justiça cometer a iniquidade: Tôdas as suas obras de justiça serão entregues ao esquecimento, e êle, na sua iniqüidade que cometeu, nessa mesma morrerá. 14Se porém depois que eu tiver dito ao ímpio: Tu certissimamente morrerás: E êle fizer penitência do seu pecado, e obrar conforme a retidão e a justiça: 15E se êsse ímpio restituir o penhor que lhe foi confiado, e se tornar a seu dono os bens que furtou, se andar nos mandamentos da vida, e não fizer nada de injusto: Êle viverá certissimamente, e não morrerá: 16Nenhum dos pecados que cometeu lhe será imputado: Êle fêz o que era reto e justo, assim certissimamente viverá. 17Depois disto replicaram os filhos do teu povo: O caminho do Senhor não é justo, e o caminho dêles é injusto. 18Porque quando o justo se apartar da sua justiça, e cometer obras de iniqüidade, êle morrerá nelas. 19Pelo contrário, quando o ímpio deixar a sua impiedade, e fizer obras de retidão e justiça, êle viverá por elas. 20Ainda assim dizeis vós: O caminho do Senhor não é reto. Casa de Israel, eu hei de julgar a cada um de vós segundo os seus próprios caminhos. 21E aconteceu no ano duodécimo, no décimo mês, aos cinco do mês da nossa transmigração, que um homem que tinha fugido de Jerusalém, me veio buscar, dizendo: À cidade foi devastada. 22Ora a mão do Senhor se me tinha dado a sentir na tarde do dia antecedente ao em que tinha chegado. o homem que fugirá: E abriu a minha bôca antes que: o tal homem viesse ter comigo pela manhã, e tendo-me sido aberta a bôca, não fiquei mais em silêncio. 23E foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 24Filho do homem, os que habitam nessas casas arruinadas sôbre a terra de Israel, falando assim dizem: Abraão era um só homem, e êle possuiu esta terra por herança: Nós outros, porém, somos muitos, a nós é que foi dada esta terra para a possuirmos. 25Dir-lhes-ás portanto: Isto diz o Senhor Deus: Vós que comeis as vossas viandas com sangue, e levantais os vossos olhos para as vossas imundicias, e que derramais o sangue alheio: Porventura possuireis esta terra como vossa herança?. 26Vós sempre estivestes prontos para puxar pela espada, vós cometestes abominações, e cada um de vós tem violado a mulher de seu próximo: E então possuireis vós esta terra como herança? 27Tu lhes dirás isto: Assim diz o Senhor Deus: Eu juro por minha vida, que os que habitam nesses lugares arruinados, perecerão à espada: E os que estão nos campos, serão entregues às feras para que os devorem: E os que se acolheram aos lugares fortes, e às cavernas, morrerão de peste. 28E reduzirei esta terra a uma solidão, e a um deserto, e desfalecerá a sua altiva fortaleza: E os montes de Israel serão desolados, sem que haja pessoa alguma que por êles passe. 29E êles saberão que eu sou o Senhor, quando eu tiver assim tornado desolada e deserta a terra dêles por causa de tôdas as suas abominações, que êles têm cometido. 30Quanto a ti, filho do homem: Os filhos do teu povo, que falam de ti junto dos muros, e às portas de suas casas, e dizem uns para os outros, cada um falando com o seu vizinho: Vinde, e ouçamos qual seja a pala-vira que sai da bôca do Senhor. 31Pelo que êles vêm a ti, como um povo que se ajunta em bandos, e êles se assentam diante de ti como sendo meu povo: Mas êles ouvem as tuas palavras, e não fazem nada do que lhes dizes: Porque êles as mudam em cânticos que repassam pela sua bôca, entretanto que o seu coração segue a sua avareza. 32E tu a seu respeito és como uma ária de música, que se canta por um modo doce e agradável: Assim é que êles ouvem as tuas palavras com gôsto, sem contudo fazerem o que tu lhes dizes. 33Mas quando vier o que foi predito (como está a ponto de vir), então é que êles saberão que houve um profeta entre êles.