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Gênesis 35

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Entretanto falou Deus a Jacó, e lhe disse: Vai-sem demora para Betei, fica-te lá, e erige um altar a Deus, que te apareceu, quando tu fugias de teu irmão Esaú. 2Então Jacó, convocados todos os da sua casa, lhes disse: Lançai fora os deuses estranhos, que estão no meio de vós; purificai-vos, e mudai os vossos vestidos. 3Vinde, vamos para Betei, para lá erigirmos um altar a Deus, que me ouviu no dia da minha tribulação, e que me acompanhou na minha jornada. 4Êles lhe deram pois todos os deuses estranhos, que tinham, e as arrecadas, que lhe pendiam das orelhas; e Jacó escondeu estas coisas na terra, debaixo dum terebinto, que está por detrás da cidade de Siquem. 5Postos então a caminho, meteu Deus em tôdas cidades circunvizinhas um tão grande terror, que ninguém se atreveu a persegui-los na sua retirada. 6Assim Jacó, e todo o povo, que vivia com êle, chegou a Luza, chamada por sobrenome Betei, que é na terra de Canaã. 7Edificou ali um altar, e chamou àquele lugar a Casa de Deus, porque Deus lhe tinha aparecido nêle, quando êle fugia de seu irmão. 8Ao mesmo tempo morreu Débora, ama de Rebeca, e foi enterrada debaixo dum carvalho, ao pé de Betei; e êste lugar se ficou chamando o carvalho do choro. 9Ora Deus apareceu ainda outra vez a Jacó, depois da sua tornada de Mesopotâmia da Síria: abençoou-o, e disse-lhe: 10Tu não te chamarás mais Jacó mas o teu nome será Israel: e Deus o chamou Israel, e lhe disse: 11Eu sou o Deus Todo Poderoso: cresce, e multiplica-te: Tu serás tronco de muitas nações, e duma multidão de povos, e de ti sairão reis. 12Eu te darei a ti, e à tua posteridade depois de ti, a terra que eu dei a Abraão, e a Isaac. 13Depois se retirou Deus. 14E Jacó erigiu um título de pedra no mesmo lugar, onde Deus lhe tinha falado; ofereceu vinho em cima dêle, e derramou azeite; 15e chamou a êste lugar Betei. 16Tendo porém saído dali, veio na primavera até o caminho, que guia para Efrata, onde Raquel, dando-lhe as dores, 17e experimentando grande dificuldade em parir, se achou em perigo He vida. Disse-lhe a parteira: Não temas, porque tu ainda terás êste filho. 18Mas Raquel, que se sentia morrer à violência das dores, estando quase expirando deu a seu filho o nome de Benoni, que quer dizer, filho das minhas dores. Mas o pai lhe chamou Benjamim, que quer dizer, filho da direita. 19Morreu pois Raquel, e foi sepultada no caminho, que guia para Efrata, chamada depois Belém. 20Jacó levantou um padrão em cima do seu sepulcro. E êste é o padrão de Raquel, que se vê ainda hoje. 21Saído que foi daquele lugar, pôs Jacó a sua tenda da banda de lá da tôrre do rebanho. 22E quando êle aqui morava, dormiu Rúben com Bala, concubina de seu pai; ação, que lhe não foi oculta. Tinha porém Jacó doze filhos. 23Os filhos havidos em Lia eram Rúben, o primogênito de todos, Simeão, Levi, Judá, Issacar, e Zabulon. 24Os filhos havidos em Raquel eram José e Benjamim. 25Os filhos havidos em Bala, escrava de Raquel, eram Dan, e Neftali. 26Os filhos havidos em Zelfa, escrava de Lia, eram Gad, e Aser. Êstes são os filhos de Jacó, que êle teve em Mesopotâmia, na Síria. 27Ao depois veio Jacó ter com seu pai Isaac a Mambre, à cidade de Arbec chamada depois Hebron, onde Abraão e Isaac tinham assistido como forasteiros. 28Tinha Isaac então cento e oitenta anos completos. 29E exausto de forças com a muita idade, morreu. Tendo pois acabado a sua carreira numa extrema velhice, foi unir-se ao seu povo: e seus filhos Esaú e Jacó o sepultaram.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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