Gênesis 37
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Ora Jacó habitava na terra de Canaã, onde seu pai tinha assistido como forasteiro. 2E eis-aqui o qúe diz respeito à sua família. José aos dezesseis anos de sua idade, e não sendo ainda mais que menino, apascentava o rebanho com seus irmãos; e costumava acompanhar com os filhos de Bala, e de Zelfa, mulheres de seu pai. Numa ocasião acusou êle a seus irmãos diante de seu pai dum crime enorme. 3Amava Israel a José mais do que a todos seus irmãos pelo haver tido sendo: já velho: e êle lhe tinha mandado fazer uma túnica de várias côres. 4Seus irmãos pois vendo que seu pai o amava mais do que a todos os outros, aborreciam-no, e não podiam falar-lhe com brandura. 5Aconteceu também, que José referiu a seus irmãos um sonho, que tivera, que foi a semente, donde brotou ainda maior ódio. 6Porque êle lhes disse: Ouvi um sonho, que eu tive. 7Parecia-me que eu estava atando convosco uns molhos de trigo no campo: que o meu molho se levantava e se tinha em pé; e que os vossos, postos à roda do meu, o adoravam. 8Seus irmãos lhe responderam: Acaso serás tu nosso rei, e seremos nós sujeitos ao teu poder? Êstes sonhos pois, e êstes contos acenderam ainda mais a inveja, e o ódio, que os irmãos tinham contra êle. 9Teve José ainda outro sonho, que êle contou a seus irmãos por estas palavras: Pareceu-me como que via em sonhos, que o sol, e a lua, e onze estrêlas me adoravam. 10Tendo êle contado êste sonho a seu pai, e a seus irmãos, o pai o repreendeu, e lhe disse: Que quererá dizer êsse sonho, que tu tiveste? Será que eu, e tua mãe, e teus irmãos te hajamos de adorar sôbre a terra? 11Assim seus irmãos estavam cheios de inveja contra êle: mas seu pai considerava a coisa em silêncio.. 12Aconteceu então que os irmãos de José se cingiram a viver em Siquem, e ali apascentavam os rebanhos de seu pai. 13E disse Israel a José: Teus irmãos apascentam as nossas ovelhas no pais de Siquem. Vem, e mandar-te-ei para êles. 14Eu estou pronto, lhe disse José. Continuou Jacó: Vai, e vê se teus irmãos se portam bem, e se os rebanhos estão em bom estado: e contar-me-ás o que se passa. Tendo pois sido mandado de Hebron chegou a Siquem. 15E como um homem o encontrasse, andando daqui para ali no campo, e lhe perguntasse, que era o que buscava, 16êle lhe respondeu: Busco a meus irmãos; peço-te que me digas, onde estão êles pastoreando os rebanhos? 17O homem lhe respondeu: Êles foram-se dêste lugar, e eu os ouvi estarem dizendo entre si: Vamos para Dotain. Partiu pois José atrás de seus irmãos, e achou-os em Dotain. 18Tanto que êles o viram de longe, antes que chegasse a êles, resolveram matá-lo. 19E diziam uns para os outros. Eis-aí vem o sonhador: 20Vamos, tiremos-lhe a vida, metamo-lo numa.cisterna velha. Diremos que uma bêsta fera o devorou; e então se verá de que lhe serviram os seus sonhos. 21Rúben tendo-os ouvido falar assim, trabalhava pelo livrar das suas mãos, e lhes dizia: 22Não o mateis, e não derrameis o seu sangue, mas lançai-o nesta cisterna, que está no deserto, e conservai vossas mãos inocentes. Isto dizia êle com intento de o livrar das suas mãos, e de o restituir a seu pai. 23Ainda bem pois José não tinha chegado a seus irmãos, quando êstes lhe tiraram logo a sua túnica de várias côres, que descia até os artelhos: 24e o lançaram numa cisterna velha, que estava sem água. 25Depois tendo-se assentado para comerem, viram uns ismaelitas, que passavam e que vindos de Galaad levavam nos seus camelos aromas, resina, e mirra, e caminhavam para o Egito. 26Então disse Judá a seus irmãos: De que nos servirá matarmos a nosso irmão, e ocultarmos a sua morte?. 27Melhor é vendê-lo a êstes ismaelitas, e não manchar nossas mãos: porque êle é nosso irmão, e nossa carne, Assentiram seus irmãos ao que êle lhes dizia. 28Tendo pois tirado da cisterna a José quando passava uma cáfila de madianitas, venderam-no por vinte moedas de pratas aos ismaelitas, que o levaram ao Egito. 29Rúben, como voltando à cisterna não achasse o menino, 30rasgados os seus vestidos, veio ter com seus irmãos, e disse-lhes: O menino não aparece, e onde irei eu? 31Depois disto tomaram êles a túnica de José e tendo-a tingido no sangue dum cabrito, que mataram, 32enviaram-na a seu pai, dando ordem a que os portadores lhe dissessem: Eis-aqui uma túnica, que nós achamos; vê se ela é a de teu filho, ou não. 33O pai tendo-a conhecido, disse: Esta é a túnica de meu filho: alguma fera cruel o devorou; alguma bêsta devorou a José. 34E rasgados seus vestidos se cobriu de um cilício, chorando a seu filho por muito tempo. 35Então concorreram juntos seus filhos a ver se podiam aliviar seu pai na sua dor: mas êle não quis admitir consolação, e disse: Eu não hei de deixar de chorar, enquanto não descer com meu filho ao inferno. Pelo que continuou êle sempre em chorar. 36Entretanto os madianitas venderam José no Egito a Putífar, eunuco de Faraó, e general das suas tropas.