Isaías 1
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Visão de Isaías, filho de Amós, a qual êle viu sôbre Judá e Jerusalém no tempo de Ozias, de Joatan, de -Acaz, e de Ezequias, reis de Judá. 2Ouvi, Céus, e tu, ó terra, escuta, porque o Senhor é quem falou. Criei uns filhos, e engrandeci-os: Porém eles me desprezaram. 3Conheceu o boi a seu possuidor, e o jumento o presépio do seu dono: Mas Israel não me conheceu, e o meu povo não entendeu. 4Ai da nação pecadora, do povo carregado de iniquidade, da ralé maligna, dos filhos malvados: Abandonaram o Senhor, blasfemaram o Santo de Israel, tornaram para trás alienados. 5Que importará que cu vos fira de novo, acumu-lando vós umas prevaricações sobre outras? Tôda a cabeça está enferma, e todo o coração abatido. 6Desde a planta do pé até o alto da cabeça não há nêle coisa sã: Tudo é uma ferida, e uma contusão, e uma chaga entumecida, que não está ligada, nem se lhe aplicou remédio para a sua cura, nem com óleo foi suavi-zada. 7A vossa terra está deserta, as vossas cidades abrasadas do fogo: Os estranhos à vossa vista devoram a vossa região, e ela será devastada como numa assolação de inimigos. 8E ficará desamparada a filha de Sião como choupana em vinha, e como choça em pepinal, e como cidade que é devastada. 9Se o Senhor dos exércitos nos não tivera conservado alguns da nossa linhagem, teriamos sido como Sodoma, e ter-nos-íamos tornado tais como Gomorra. 10Ouvi a palavra do Senhor, príncipes de Sodoma, escutai a lei do nosso Deus, povo de Gomorra. 11De que me serve a mim a multidão das vossas vítimas, diz o Senhor? já estou farto delas: Não quero mais holocaustos de carneiros, nem gordura de animais nédios, nem sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. 12Quando vinheis à minha presença quem reque-reu estas coisas de vossas mãos, para que andásseis nos meus átrios? 13Não ofereçais mais sacrifícios em vão: O incenso é para mim abominação. Neomênia e Sábado e outras festividades não sofrerei, os vossos ajuntamentos são iníquos: 14A minha alma aborrece as vossas Calendas, e as vossas solenidades: Elas se me têm feito molestas, cansado estou de as sofrer. 15E quando estenderdes as vossas mãos, apartarei de vós os meus olhos: E quando multiplicardes as vossas orações, não as atenderei: Porque as vossas mãos estão cheias de sangue. 16Lavai-vos, purificai-vos, tirai de diante de meus olhos a malignidade de vossos pensamentos: Cessai de obrar perversamente, 17aprendei a fazer bem: Procurai o que é justo, socorrei ao oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a viúva. 18E vinde, e argui-me, diz o Senhor: Se os vossos pecados fôrem como a escarlata, êles se tornarão brancos como a neve: E se fôrem roxos como o carmezim ficarão alvos como a branca lã. 19Se quiserdes, e me ouvirdes, comereis os bens da terra. 20Mas se não quiserdes, e me provocardes a ira: Devorar-vos-á a espada, porque a bôca do Senhor falou. 21Como se fêz prostituta a cidade fiel, cheia de retidão? Habitou nela a justiça, mas agora os homicidas. 22A tua prata se mudou em escória: O teu vinho se misturou com água. 23Os teus príncipes são infiéis, companheiros de ladrões: Todos amam as dádivas, andam atrás das recompensas. Não fazem justiça ao órfão: E a causa da viúva não tem acesso a êles. 24Por êste motivo diz o Senhor Deus dos exércitos, o forte de Israel: Ai! que eu me consolarei sôbre os meus adversários, e me vingarei de meus inimigos. 25E voltarei a minha mão sôbre ti, e acrisolarei a tua escória até à última depuração, e tirarei de ti todo o teu estanho. 26E restituirei os teus juízes como foram dantes, e os teus conselheiros como antigamente: Depois disto "serás chamada a cidade do justo, a cidade fiel. 27Sião será resgatada em juízo, e será restabelecida em justiça. 28E quebrantará os malvados, e juntamente os pecadores: E os que desampararam ao Senhor serão consumidos. 29Porque êles serão confundidos pelos ídolos, a, quem sacrificaram: E vós vos envergonhareis dos jardins que tínheis escolhido, 30quando vos tornardes como um carvalho, a que caem as fôlhas, e como uma horta sem água. 31E será a vossa fortaleza como torcida de estôpa, e a vossa obra como faisca: E uma e outra se queimará ao mesmo tempo, e não haverá quem a apague.