Isaías 10
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Ai dos que estabelecem leis iníquas: E escrevendo, escreveram injustiça: 2Para oprimirem aos pobres em juízo, e fazerem violência à causa dos fracos do meu povo: Para as viúvas serem a sua prêsa, e roubarem os bens dos pupilos. 3Que fareis vós no dia da visita, e da calamidade que vem de longe? A quem tereis vós recurso? E onde deixareis a vossa glória, 4para não ficardes encurvados debaixo do pêso das cadeias, e para não cairdes com os mortos? Depois de todos êstes males não se apartou o seu furor, mas ainda está alçada a sua mão. 5Ai de Assur, êle é a vara e o bastão do meu furor, na mão dêles posta se acha a minha indignação. 6Eu o enviarei a uma nação pérfida, e lhe ordenarei que marche contra um Povo, que eu ôlho com furor, para que leve dêle os despojos, e lhe dê saque, e o ponha para ser pisado aos pés como o lódo das ruas. 7Mas êle não o julgará desta maneira, nem o seu coração o pensará assim: Antes porém se aplicará o séu coração a quebrantar, e a exterminar não poucas Nações. 8Porque dirá: 9Não é assim que os meus Príncipes são juntamente Reis? Acaso não me está no mesmo modo sujeita Calâno, como Cárcamos: E assim como o está Emat, não no está também Arfad? Porventura não corre igual paralelo tanto a Samaria, como Damasco? 10Do modo que achou a minha mão os reinos dos ídolos, assim também destruirei os simulacros dos de Jerusalém e de Samaria. 11Porventura assim como eu fiz a Samaria e aos seus ídolos, não o farei também a Jerusalém e aos seus simulacros? 12Também acontecerá isto: Quando o Senhor tiver cumprido tôdas as suas obras no monte Sião, e em Jerusalém, farei exame sobre o fruto do orgulhoso coração do rei de Assur, e sôbre a glória da altiveza de seus olhos. 13Porquanto êle disse: Pelo esfôrço da minha mão fiz isto, e com a minha sabedoria o entendi: E tirei os têrmos dos povos, e despojei aos seus príncipes, e desen-tronizei como poderoso aos que residiam em altura. 14E achou a minha mão como a um ninho a fortaleza dos povos: E assim como se recolhem os ovos, que foram deixados, assim ajuntei eu a tôda a terra: E não houve quem movesse a asa, nem abrisse a bôca, nem chilrasse. 15Acaso gloriar-se-á o machado contra o que corta com êle? ou levantar-se-á a serra contra aquêle por quem é posta em movimento? Tudo isto é como se a vara se alçasse contra o que a alça, e se levantasse o bastão, que enfim não é mais que um lenho. 16Por isso o Dominador, Senhor dos exércitos, enviará fraqueza sôbre os seus robustos: E ela arderá como queima de fogo ateada debaixo da sua glória. 17E o lume de Israel estará naquele fogo, e o seu Santo na chama: E serão abrasados, e devorados os espinhos dêle, e os seus abrolhos em um só dia. 18E a glória do seu bosque, e do seu Carmelo desde a alma até à carne será consumida, e êle fugirá de puro mêdo. 19E as árvores que ficarem do seu bosque serão contadas em conseqüência do seu pouco número, e um menino os escreverá. 20Também acontecerá isto naquele dia: Os que tiverem ficado de Israel, e os da casa de Jacó que se tiverem salvado, não farão mais firmeza sôbre aquêle que os fere: Mas estribar-se-ão sinceramente sôbre o Senhor, o Santo de Israel. 21Converter-se-ão as relíquias, as relíquias, digo, de Jacó ao Deus forte. 22Porque se o teu povo, ó Israel, fôr tão numeroso como a areia do mar, só algumas relíquias dêles se converterão, a consumação abreviada inundará justiça. 23Porque o Senhor Deus dos exércitos fará uma consumação e abreviação no meio: de tôda a terra. 24Portanto, isso diz o Senhor Deus dos exércitos: Não queiras temer, povo meu, habitador de Sião, o mal que te vier de Assur: Êle te ferirá com a sua vara, e levantará o seu bastão para o descarregar sôbre ti no caminho do Egito. 25Porquanto espera ainda um poucochinho e um breve espaço, e será consumada a minha indignação e o meu furor sôbre a maldade dêles. 26E o Senhor dos exércitos levantará o flagelo sôbre êle à proporção do estrago de Madian no Penhasco de Oreb, e segundo a sua vara sôbre o mar, e levantá-la-á no caminho do Egito. 27Também acontecerá isto naquele dia: Será tirado o seu pêso do teu ombro, e o seu jugo do teu pescoço, e apodrecerá o jugo por causa do azeite. 28Virá até Aiat, passará a Magron: Em Macmas deixará depositada a sua bagagem. 29Passaram de corrida, Gaba foi a nossa estada: Rama ficou cheia de espanto, Gabaat de Saul se lançou a fugir. 30Brada com a tua voz, filha de Galim, atende La isa, pobrezinha Anatot. 31Medemêna já passou para outra parte: Vós, habitantes de Gabim, cobrai alento. 32Ainda há dia para se chegar a fazer alto em Nobe, Cie moverá a sua mão contra o monte da filha de Sião, contra o outeiro de Jerusalém. 33Eis-que o dominador Senhor dos exércitos quebrará a quartinha com terror, os altos de estatura serão cortados, e os sublimes ficarão abatidos. 34E as espessuras do bosque serão derribadas com ferro: E o Líbano cairá com os seus altos.