Isaías 30
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Ai, filhos desertores, diz o Senhor, para que to-másseis um conselho, e não de mim: E urdísseis uma teia e não pelo meu espírito, para que assim acrescentás-seis pecado sôbre pecado: 2Que estais postos a caminho para descer ao Egito, e não tendes consultado o meu Oráculo, esperando o auxílio na fortaleza de Faraó, e tendo confiança na sombra do Egito. 3E tornar-se-á para vós a fortaleza de Faraó em confusão, e a confiança da sombra do Egito em igno-minia. 4Porque os teus príncipes estavam em Tanis, e os embaixadores chegaram até Hanes. 5Todos ficaram afrontados à vista dum povo que lhes não pode ser de proveito: Não lhes serviram de auxílio nem de utilidade alguma senão de confusão e de opróbrio. 6Opressão dos jumentos do Meio-dia: Ei-los aí vão por uma terra de tribulação e angústia de onde saem a leoa, e o leão, a víbora e o basalisco volante levando sôbre os ombros de jumentos as suas riquezas e sôbre o espinhaço giboso de camelos os seus tesouros, a um povo que lhes não poderá prestar para coisa alguma. 7Porque o Egito debalde e em vão dará socorro: Por isso eu gritando sôbre isto, disse: Ali só há soberba, descansa. 8Agora pois tendo tu entrado, escreve isto sôbre o buxo em sua presença, e registra-o com cuidado num livro, e no último dia servirá de um testemunho indelével para sempre: 9Porque é um povo que está provocando a ira, e são uns filhos mentirosos, uns filhos que não querem ouvir a lei de Deus, 10que dizem aos que vêem: Não vejais: E aos que olham: Não olheis em proveito nosso para as coisas que são retas: Falai-nos coisas agradáveis, vêde para nós en-ganadoras lisonjas. 11Alongai de mim o caminho, apartai de mim a vereda, cesse de se repetir diante da nossa face o Santo de Israel. 12Por cujo motivo diz isto o Santo de Israel: Porquanto vós rejeitastes esta palavra, e tendes esperado na calúnia e no tumulto, e aí fizestes a vossa firmeza: 13Por isso esta iniquidade será para vós uma como abertura numa alta muralha que está para cair, e é procurada, porque subitamente, quando se não espera virá a sua ruína. 14E será feita em pedaços como se quebra de uma fortíssima pancada uma quarta de barro: E não se achará das suas migalhas um caco, em que se leve uma brasi-nha num fogão, ou se tire uma pouca de água dum poso. 15Porque o Senhor Deus, o Santo de Israel, diz assim: Se vós voltardes e vos deixardes estar em paz, sereis salvos: A vossa fortaleza estará no silêncio e na esperança. E vós o não quisestes: 16Antes dissestes: De nenhuma sorte, mas recorre-remos aos cavalos: Por isso mesmo é que vós fugireis. E montaremos em ligeiros: Por isso serão mais ligeiros aquêles que vos hão de perseguir. 17Mil homens fugirão da vista do terror de um só: E à vista do terror de cinco deitareis a fugir, até que fiqueis como mastro de navio no cume de um monte, e estandarte sobre um outeiro. 18Por isso o Senhor espera para ter misericórdia de vós: E por isso êle será exaltado perdoando-vos: Porque o Senhor é um Deus de equidade: Ditosos todos os que o esperam. 19Porque o povo de Sião habitará em Jerusalém: Tu de nenhuma sorte derramando lágrimas chorarás, êle com muita comiseração se compadecerá de ti: Logo que ouvir a voz do teu clamor, te responderá. 20E o Senhor vos dará um pão apertado, e água pouca: E dali em diante não fará desaparecer para longe de tio teu doutor: E os teus olhos estarão vendo o teu mestre. 21E os teus ouvidos ouvirão a palavra dêle, advertindo-te por detrás de ti: Este é o caminho, andai por êle: E não declineis nem para a direita nem para a esquerda. 22E desprezarás como coisas contaminadas as lã-minas dos ídolos feitos da tua prata, e a sua vestidura do teu ouro fundido, e arrojá-las-ás bem assim como a imundície duma menstruada. Sai daqui, lhe dirás tu. 23E dar-se-á chuva para o teu grão, onde quer que o semeares na terra: E o pão dos frutos da terra será abundantíissimo e pingue: Naquele dia será o cordeiro apascentado em espaçosa extensão na tua herdade. 24E os teus touros, e jumentinhos, que lavram a terra, comerão tôda a mistura de grãos como êles foram padejados na eira. 25E sobre todo o monte alto, e sôbre todo o outeiro elevado haverá arroios dáguas correntes no dia da mortandade de muitos, quando cairem as tôrres. 26E a luz da lua será como a luz do sol, e a luz do sol será sete vêzes maior, como seria a luz de sete dias juntos no dia em que o Senhor atar a ferida do seu povo, e curar o golpe da sua chaga. 27Eis-ai que o nome do Senhor vem de longe, o seu furor ardente e grave de suportar: Os seus lábios estão cheios de indignação, e a sua língua é como um fogo devorante. 28O seu assôpro é como uma torrente que inundando chega até o meio do pescoço para perder as nações com uma aniquilação, e o freio do êrro, que estava nos queixos dos povos. 29O vosso cântico será como na noite da santificada solenidade, e a alegria do coração como o que vai caminhando ao som da flauta, para entrar no monte do Senhor ao forte de Israel. 30E o Senhor fará ouvir a glória da sua voz, e mostrará o terror do seu braço nas ameaças do seu furor, e com as chamas dum fogo devorante: Quebrará tudo com torvelhinho, e com pedra de saraiva. 31Porque à voz do Senhor ficará cheio de pavor Assur, ferido com a sua vara. 32E será perdurável a passagem da vara, que o Senhor fará descansar sôbre êle com tambores e citaras: E num assinalado combate os vencerá. 33Porquanto aparelhado está o lugar de Tofet desde ontem, aparelhado pelo rei, profundo, e dilatado. As suas acendalhas são o fogo e muita lenha: O assôpro do Senhor como uma torrente de enxofre é o que o acende.