Isaías 47
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Desce, assenta-te no pó, Virgem filha de Babilônia, assenta-te na terra: Não há já trono para a filha dos caldeus, porque daqui em diante não serás chamada mimosa e delicada. 2Anca com a mó, e mói a farinha: Mostra a tua torpeza, descobre o ombro, levanta o teu vestido, passa os rios. 3À tua ignomínia será descoberta, e ver-se-á o teu opróbrio: Tomarei vingança, e não haverá homem. que me resista. 4Assim o fará o nosso Redentor, que tem por nome o Senhor dos exércitos, o Santo de Israel. 5Assenta-te ficando em silêncio, e entra nas trevas, ó filha dos caldeus: Porque não serás daqui em diante chamada a Senhora dos reinos. 6Eu me agastei contra o meu povo, arrojei de mim como proterva a minha herança, e entreguei-os na tua mão: Tu não usaste com êles de misericórdia: Sôbre o ancião fizeste muito pesado o teu jugo. 7E disseste: Eu serei Senhora para sempre: Não puseste estas coisas sobre o teu coração, nem te lembraste do teu paradeiro. 8Agora pois ouve estas coisas tu, ó delicada, e que habitas confiadamente, que dizes dentro do teu coração: Eu sou, e fora de mim não há mais: Não me assentarei viúva, nem tampouco experimentarei a esterilidade. 9Em um só dia virão sùbitamente sôbre ti êstes dois maies, a esterilidade e a viuvez: Tôdas estas desgraças vieram sôbre ti por causa da multidão dos teus malefícios, e pela extrema dureza dos teus encantadores. 10E tiveste confiança na tua malícia, e disseste: Não há quem me veja: Esta tua sabedoria, e esta tua ciência é a que tc scduziu. E disseste dentro no teu coração: Eu sou e fora de mim não há outra. 11Virá sobre ti o mal, e não saberás de onde êle nasce: E lançar-se-á com ímpeto sôbre ti uma calamidade, que tu não poderás expiar: Virá sôbre ti repentinamente uma miséria, que tu não saberás. 12Deixa-te estar com os teus encantadores, e com a multidão dos teus malefícios, em que tens trabalhado desde a tua mocidade, para ver se acaso te aproveita isso alguma coisa, ou se podes ficar mais forte. 13Desfaleceste na multidão dos teus conselhos: Venham agora, e salvem-te os agoureiros do céu, que con-templavam os astros, e contavam os meses, para te anunciarem por êles as coisas futuras. 14Ei-los aí que se têm tornado como em palha, o fogo os devorou: Êles não livrarão a sua alma da mão da chama: Não há brasas a que se aquentem, nem fogão, para que a êle se assentem. 15Assim te vieram nisto a parar tôdas e quaisquer daquelas coisas em que te tinhas afadigado: Os teus negociantes desde a tua mocidade, cada um no seu caminho, erraram: Não há quem te salve.