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Isaías 49

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Ouvi, ilhas, e atendei, povos de lofige: O Senhor desde o ventre me chamou, desde o ventre de minha mãe se lembrou do meu nome. 2E.pôs a minha bôca como uma espada aguda: Êle me protegeu debaixo da sombra da sua mão, e me pos como uma seta escolhida: Êle me escondeu na sua aljava. 3E me disse: Israel, tu és meu servo, porque eu me gloriarei em ti. 4E eu disse: Em vão tenho trabalhado, sem fruto, e inutilmente consumi a minha fortaleza: Portanto o meu juízo será com o Senhor, e a minha obra com o meu Deus. 5E agora o Senhor que me formou desde o ventre materno, para seu servo, me diz que eu hei de trazer Jacó a êle, mas Israel se não congregará: E fui glorificado aos olhos do Senhor, e o meu Deus se fêz a minha fortaleza. 6E disse êle: Pouco é que tu sejas meu servo para suscitar as tribos de Jacó, e converter as fezes de Israel. Eis-aqui estou eu que te estabeleci para luz das gentes, a fim de sêres tu a salvação que eu envio até à última extremidade da terra. 7Eis-aqui o que diz o Senhor Redentor de Israel, o santo dêle, à alma desprezível, à gente abominada, ao servo dos senhores: Os reis te verão, e os príncipes se levantarão, e êles te adorarão por causa de Senhor, pois é fiel, e por causa do Santo de Israel que te escolheu. 8Eis-aqui o que diz o Senhor: Eu te ouvi no tempo favorável, e te auxiliei no dia da salvação: E te conservei, e te constitui por aliança do povo, para reparares a terra, e possuíres as heranças dissipadas: 9Para dizeres aos que estão em cadeias: Saí: E aos que estão em trevas: Vêde a claridade. Sobre os caminhos serão apascentados, e achar-se-ão em tôdas as planícies os pastos dêles. 10Não padecerão fome, nem terão sêde, e não os molestará a calma, nem o sol: Porque o que dêles tem compaixão os governará, e os levará a beber às fontes das águas. 11E reduzirei a caminho todos os meus montes, e as minhas veredas serão alteadas. 12Eis-ai está que êstes virão de longe e eis-ai aquêles que chegarão do Aquilão e do mar, e aquêles outros da terra do Meio-dia. 13Louvai, céus, e regozija-te, terra, fazei retinir, montes, festivais louvores: Porque o Senhor consolou o seu povo, e êle se compadecerá dos seus pobres. 14Entretanto disse Sião: O Senhor me desamparou, e o Senhor se esqueceu de mim. 15Acaso pode uma mulher esquecer-se do seu menino de peito, de sorte que não tenha compaixão do filho de suas entranhas? Mas se ela se esquecer dele, eu todavia não me esquecerei de ti. 16Eis-aí está que eu já te gravei nas minhas mãos: As tuas muralhas estão sempre diante de meus olhos. 17Os que te hão de reedificar, são chegados: Os que te destruíam, e te dissipavam, sairão para fora de ti. 18Levanta os teus olhos em circunferência, e vê, como todos. êsses se têm congregado, eles se vieram render a ti: Eu juro pela minha vida, diz o Senhor, que de todos êstes como dum ornamento serás revestida, e pô-los-ás por enfeite à roda de ti como espôsa. 19Porque os teus desertos, e as tuas solidões, e a terra da tua ruína, tudo isto será agora estreito para Os teus habitadores, e serão afugentados para longe os que. te devoravam. 20Ainda dirão em teus ouvidos os filhos da tua esterilidade: É-me apertado êste lugar, dá-me espaço para que eu habite. 21E tu dirás no teu coração: Quem me gerou êstes filhos? eu estéril, e sem parir, lançada da minha pátria, e cativa: E êstes quem os criou? eu desamparada e só: E êstes onde estavam? 22Isto diz o Senhor Deus: Eis-aqui estou eu que levantarei para as gentes a minha mão, e arvorarei para os povos o meu estandarte. E trarão a teus filhos nos braços e as tuas filhas levarão sôbre os ombros. 23E serão os reis que te alimentem, e as rainhas as tuas amas: Com o rosto inclinado até à terra te adorarão, e com a bôca tocarão no pó dos teus pés. E saberás que eu sou o Senhor, sôbre o qual não serão confundidos os que o esperam. 24Acaso tirar-se-ã a prêsa ao forte? ou o que fôr tomado pelo valente poderá ser salvo? 25Porque o Senhor diz isso: Por certo, que tanto o cativeiro será tirado ao forte: Como o que tiver sido levado pelo valente, ficará salvo. Quanto porém aqueles, que te julgaram, eu os julgarei, e pelo que toca a teus filhos, eu os salvarei. 26E alimentarei a teus inimigos com as suas carnes: E êles se embriagarão, como com mosto, do seu próprio sangue: E tôda a carne saberá que eu sou o Senhor que te salva, e que o Redentor é o forte de Jacó.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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