Isaías 5
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Cantarei ao meu amado o cântico de meu primo à sua vinha. O meu amado teve uma vinha plantada num alto fertilíssimo. 2E a cercou de uma sebe e tirou do pé dela as pedras, e a plantou de bacelo escolhido, e edificou uma tôrre no meio dela, e fêz na mesma tôrre um lagar: E esperava que desse uvas, e veio a produzir labruscas. 3Agora pois, habitadores de Jerusalém, e varões de Judá, sêde vós os juízes entre mim e a minha vinha. 4Que coisa há que eu devesse ainda fazer à minha vinha, que lhe não tenha feito? far-lhe-ia acaso injúria em esperar que ela desse boas uvas em lugar das labruscas que só produziu? 5Pois agora vos mostrarei o que eu hei de fazer à minha vinha, arrancar-lhe-ei a sebe, e ficará exposta a ser roubada: derrubar-lhe-ei o muro, e ficará sujeita a ser pisada. 6E farei com que fique deserta: Não será podada, nem cavada: E crescerão nela espinhos e abrolhos: E mandarei às nuvens que não derramem sôbre ela chuva. 7Porque a vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel: E o varão de Judá o seu renôvo deleitável: E esperei que fizesse juízo, e eis-que só há iniqüidade: E que praticasse justiça, e eis-que só há clamor. 8Ai de vós os que ajuntais casa a casa, e ides acrescentando campo a campo até chegar ao fim de todo o terreno: Acaso habitareis vós só no meio da terra? 9Nos meu ouvidos estão estas coisas, diz o Senhor dos exércitos. Verdadeiramente que muitas casas grandes, e vistosas virão a ficar ermas sem habitador. 10Porque dez geiras de vinhas darão apenas um barrilzinho, e trinta alqueires de trigo semeado não darão mais que três. 11Ai de vós os que vos levantais pela manhã para seguir a embriaguez, e para beberdes até à tarde com tal excesso, que venhais a ficar de todo esquentados do vinho. 12A cítara, e a lira, e o pandeiro, e a flauta, e o vinho se acham nos vossos banquetes: E vós não olhais 13Por isso é que o meu povo foi levado cativo, porque não teve inteligência, e as suas nobres personagens morreram de fome, e a sua multidão se mirrou de sêde. 14Por isso é que o inferno alargou o seu seio, e sem têrmo algum abriu a sua bôca: E descerão a êle os seus fortes, e o seu povo, e os altos e jactanciosos dêle. 15E será incurvado o homem, e humilhado o varão, e os olhos dos altivos ficarão todos baixos. 16E será exaltado o Senhor dos exércitos no seu juízo, e o santo Deus será santificado em justiça. 17E serão apascentados os cordeiros segundo a sua ordem, e dos desertos convertidos em fertilidade comerão os estranhos. 18Ai de vós os que arrastais a iniquidade com cordas de vaidade, e o pecado como brocha de carro. 19Os que dizeis: Avie já com isso, e sem demora venha essa sua obra, para que a vejamos: E chegue-se, e cumpra-se o conselho do Santo de Israel, e saberemos qual êle seja. 20Ai de vós, os que ao mau chamais bom, e ao bom mau: Pondo trevas por luz, e luz por trevas: Pondo o amargo pelo doce, e o doce pelo amargo! 21Ai de vós, os que sois sábios a vossos olhos, e diante de vós mesmos prudentes! 22Ai de vós, os que sois poderosos para beber vinho, e varões fortes para beberdes a largos sorvos a ebrie-dade! 23Os que justificais ao ímpio pelas dádivas, e ao justo lhe tirais o seu direito! 24Por esta causa, assim como a língua do fogo devora a palha, e a abrasa o calor da chama: Assim a raiz dêles será como a faisca, e o seu renôvo subirá como o pó. Porquanto êles arrojaram de si a lei do Senhor dos exércitos e blasfemaram da palavra do Santo de Israel. 25Por isso o furor do Senhor se acendeu contra o seu povo e estendeu a sua mão sôbre êle, e o feriu: E os montes se abalaram, e os seus corpos mortos foram lançados como estêrco ao meio das praças. Com todos êstes castigos não se tem aplacado o seu furor, mas ainda está alçada a sua mão. 26E arvorará o seu estandarte em as nações de longe, e assobiará a êle desde os confins da terra: E eis que chegará velozmente apressado. 27Não há nêle quem sinta cansaço nem trabalho: Não dormitará, nem dormirá, nem se lhe desatará o cinto dos seus rins, nem se lhe romperá a correia do seu sapato. 28As suas setas são agudas, e todos os seus arcos estão entesados. As unhas dos seus cavalos são como pederneira, e as. suas rodas são como o ímpeto da tempestade. 29O seu rugido será como o do leão, rugirá como os cachorros dos leões: E rangerá com os dentes, e agar-rará a prêsa: E se abraçará com ela, e não haverá quem lha saque. 30E soará sôbre êle naquele dia um como sonido de mar: E eis que tudo serão trevas de tribulação, e a luz se obscureceu com a cerração dela.