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Isaías 51

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Ouvi-me todos os que seguis o que é justo, e buscais o Senhor: Atendei para a rocha de onde fóstes cortados, e para a caverna do lago, da qual fôstes tirados. 2Lançai os olhos para Abraão vosso pai, e para Sara que vos deu à luz: Porque eu o chamei a êle só, e o abençoei, e o multipliquei. 3Consolará pois o Senhor a Sião, e consolará tôdas as suas ruínas: E mudará o seu deserto num como lugar de delícias, e a sua solidão num como jardim do Senhor. Nela se achará o gôsto e a alegria, ação de graças e voz de louvor. 4Atendei-me, povo meu, e ouvi-me, tribo minha: Porque de mim sairá a lei, e a minha justiça descansará já estabelecida para luz dos povos. 5O meu justo está perto, o meu Salvador já saiu, e os meus braços julgarão os povos: As ilhas estarão à espera de mim, e elas esperarão o meu braço. 6Levantai os vossos olhos ao céu, e olhai cá para baixo para a terra: Porque os céus se desfarão como o fumo, e a terra se gastará como um vestido, e os seus habitadores como estas coisas perecerão: Mas a minha salvação será para sempre, e a minha justiça não faltará. 7Ouvi-me vós os que sabeis o que é justo, povo meu, em cujo coração está a minha lei: Não temais o opróbrio dos homens, nem receeis as suas blasfêmias. 8Porque assim como o bicho destrói um vestido, assim comerá a êles: E do mesmo modo que a polilha desfaz a lã, assim os devorará a eles: Mas a minha salvação será para sempre, e a minha justiça por gerações de gerações. 9Levanta-te, ó braço do Senhor, levanta-te, arma-te de fortaleza: Levanta-te como nos dias antigos, nas gerações dos séculos. Porventura não feriste tu ao soberbo, golpeaste ao dragão? 10Acaso não secaste tu o mar, a água do impetuoso abismo: Não és o que fizeste caminho no fundo do mar, para que passassem os libertados? 11E agora os que foram resgatados pelo Senhor, tornarão, e virão para Sião cantando louvores, e uma alegria sempiterna descansará sôbre suas cabeças, êles possuirão gôzo e alegria, fugirá a dor e o gemido. 12Eu, eu mesmo vos consolarei; quem és tu, para teres mêdo dum homem mortal, e do filho do homem, que assim como o feno se secará? 13E te esqueceste do Senhor teu Opífice, que estendeu os céus, e fundou a terra: E todo o dia tremeste continuamente à vista do furor daquele que te atribulava, e se tinha disposto para te perder: Onde está agora o furor do que te atribulava? 14O que vem a abrir chegará cedo, e não matará sem deixar homem à vida, nem faltará o seu pão. 15Eu porém sou o Senhor teu Deus, que revolto o mar, e logo se incham empoladas as suas ondas: O Senhor dos exércitos é o meu nome. 16Eu pus as minhas palavras na tua bôca e te protegi com a sombra da minha mão, a fim de que tu plantes os céus e fundes a terra: E digas a Sião, tu és o meu povo. 17Eleva-te, eleva-te, levanta-te, Jerusalém, que bebeste-da mão do Senhor o cálice da sua ira: Tu bebeste até o fundo dêste cálice do adormecimento, esgotaste-o até às fezes. 18De todos os filhos que ela gerou, não há nenhum que a sustenha: E de todos os filhos que ela criou, não há também nenhum que a tome pela mão. 19Dois males são os que te sobrevieram: Quem se condoerá de ti? A desolação, e a esmigalhadura, e a fome, e a espada, quem te consolará? 20Os teus filhos foram lançados por terra, dormiram no tôpo de tôdas as ruas, assim como o orige tomado no laço: Cheios da indignação do Senhor, do castigo do seu Deus. 21Portanto, ouve isto, pobrezinha, e embriagada sem ser de vinho. 22Isto diz o dominador teu Senhor, e teu Deus, que pelejará pelo seu povo: Eis-aqui estou eu que tirei da tua mão o cálice de adormecimento, o fundo do cálice da minha indignação, tu não o tornarás mais daqui por diante a beber. 23E pô-lo-ei na mão daqueles que te abateram, e disseram à tua alma: Abaixa-te, para nós passarmos: E puseste o teu corpo como chão, e como caminho aos viandantes.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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