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Isaías 8

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E o Senhor me disse: Toma um livro grande, e escreve nêle em estilo de homem: Tira depressa os despojos, faze velozmente a prêsa. 2E eu tomei duas testemunhas fiéis. Urias sacerdote, e Zacarias, filho de Baraquias: 3E cheguei-me à profetisa, e ela concebeu, e deu à luz um filho. Então me disse o Senhor: Põe-lhe por nome, apressa-te a tirar os despojos: Faze velozmente a prêsa. 4Porque antes que o menino saiba chamar por seu pai e por sua mãe, tirar-se-á a fortaleza de Damasco, e levar-se-ão os despojos de Samaria diante do rei dos assírios. 5E continuou o Senhor a falar-me ainda, dizendo: 6Por isso mesmo que êste povo rejeitou as águas de Siloé, que correm em silêncio, e quis antes acostar-se ao partido de Rasin, e ao do filho de Romélia: 7Por êste motivo eis que o Senhor fará sôbre êles vir as águas impetuosas e abundantes, ao rei dos assi-rios, e todo o seu poder: E subirá sôbre todos os seus ribeiros, e correrá por cima de tôdas as suas margens. 8E se espraiará por Judá inundando-a, e indo assim passando, lhe chegará até o pescoço. E a extensão de suas asas encherá a largura da tua terra, ó Emanuel. 9Ajuntai-vos, povos, e sereis vencidos. e vós tôdas as terras de longe ouvi: Incorporai as vossas fôrças e sereis vencidos, tomai as vossas armas e sereis vencidos: 10Formai qualquer desígnio, e êle sairá frustrado: Proferi alguma palavra de mando, e ela não será executada: Porque Deus é conosco. 11Porque o Senhor me diz a mim estas coisas: Assim como êle com a mão forte me deu a instrução de que não fôsse pelo caminho dêste povo, dizendo: 12Não digais: Conspiremo-nos porque tudo o que êste povo diz é uma conspiração: E não temais o que êle teme, nem vos assusteis. 13Dai glória à santidade do mesmo Senhor dos exércitos: Êle seja o vosso pavor, e êle o vosso terror. 14E êle será para vós um motivo de santificação. Mas servirá de pedra de tropêço, e de pedra de escândalo às duas casas de Israel: De laço e de ruína aos habitantes de Jerusalém. 15E tropeçarão muitos dentre êles e cairão, e serão quebrantados, e enredados, e presos. 16Ata o testemunho, sela a lei entre os meus discipulos. 17E esperarei o Senhor, que esconde a sua face à casa de Jacó, e aguardá-lo-ei. 18Eis-aqui estou eu e os meus meninos, que o Senhor me deu, para servirem de sinal, e de portento a Israel da parte do Senhor dos exércitos, que habita no monte Sião. 19E quando vos disserem: Consultai os pitões, e os adivinhos, que murmuram em segredo nos seus encantamentos: Acaso não consultará o povo ao seu Deus, há-de ir falar com os mortos acêrca dos vivos? 20Antes à lei e ao testemunho é que se deve recorrer. Porém se êles não falarem na conformidade desta palavra, não raiará para êles a luz da manhã. 21E passará por ela, cairá, e terá fome: E quando padecer esta fome, se agastará, e amaldiçoará ao seu rei, e ao seu Deus, e levantará os olhos lá para cima. 22E olhará para a terra, e eis-que tudo será tribulação e trevas, desmaio e angústia, e obscuridade que a persiga, e não poderá escapar do apêrto em que se acha.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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