Jó 13
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Eis-aqui tôdas estas coisas viu o meu ôlho, e ouviu o meu ouvido, e as compreendi tôdas. 2Isso que vós sabeis, também eu o alcanço: E não vos sou inferior. 3Com tudo isso falarei ao Todo-Poderoso e com Deus desejo conversar: 4Fazendo antes ver que vós sois uns forjadores de mentiras, fautores de perversos dogmas. 5E oxalá que vós vos calásseis, para poderdes passar por sábios. 6Ouvi pois a minha correção, a atendei ao juízo dos meus lábios. 7Acaso necessita Deus das vossas mentiras, para que em sua defensa faleis dolosamente? 8Porventura olhais para o seu rosto, e vos esforçais a sentenciar a favor de Deus? 9Ou será isto do agrado daquele, a quem nada se pode ocultar? ou será êle surpreendido como: um homem, com os vossos enganos? 10Êle mesmo vos condenará, porque dissimuladamente olhais para o seu rosto. 11Logo que se mover, vos perturbará, e o seu terror cairá sôbre vós. 12A vossa memória será semelhante à cinza, e as vossas cabeças reduzir-se-ão como a lódo. 13Calai-vos por um pouco, para que cu vos diga tudo o que o meu espirito me sugerir. 14Por que razão despedaço eu as minhas carnes com os meus dentes, e por que trago eu a minha vida nas minhas mãos? 15Ainda quando êle me matasse, nele esperarei: Mas acusarei na sua presença os meus caminhos. 16E Êle mesmo será o meu salvador: Porque nenhum hipócrita ousará aparecer diante dos seus olhos. 17Ouvi as minhas palavras, e dai ouvidos aos meus enigmas. 18Se eu fôr julgado, sei que hei de ser achado justo. 19Quem há que queira ser julgado comigo? venha: Por que calando me consumo? 20Duas coisas ao menos não obres comigo, e então não me esconderei da tua face: 21Desvia a tua mão longe de mim, e não me consterne o teu terror. 22Chama por mim, e eu te responderei: Ou bem eu falarei, e tu responde-me. 23Quantas iniquidades e pecados tenho eu, mostra-me as minhas maldades e delitos. 24Por que escondes tu de mim o teu rosto, e por que me julgas tu teu inimigo? 25Contra uma fôlha, que é arrebatada do vento, ostentas o teu poder, e persegues a uma palha sêca: 26Pois escreves contra mim amarguras, e queres-me consumir pelos pecados da minha mocidade. 27Tu puseste os meus pés em um cêpo, e observaste tôdas as minhas veredas, e consideraste os vestígios de meus pés. 28E que como a podridão hei-de ser consumido, e como vestido que é comido da traça.