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Jó 15

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Mas respondendo Elifaz de Teman, disse: 2Porventura o sábio responderá como se falasse ao vento, e encherá de ardor o seu peito? 3Argúis com palavras àquele que não e teu igual, e falas o que te não convém. 4Quanto é em ti, tens feito vão o temor e tens desterrado os rogos diante de Deus. 5Porque a tua iniquidade ensinou a tua bôca, e tu imitas a linguagem dos blasfemadores. 6Pois a tua própria bôca te condenará, e não cu: E os teus lábios te responderão. 7Acaso és tu O primeiro homem que nasceu, e fòste tu formado antes dos outeiros? 8Acaso entraste tu no conselho de Deus, e sua sabedoria será inferior à tua? 9Que sabes tu que nós ignoremos? Que entendes tu que nós não saibamos? 10Também há entre nós velhos, e anciãos muito mais antigos que teus pais. 11Será porventura dificultoso a Deus consolar-te? Porém as tuas perversas palavras o impedem. 12Por que te ensoberbece o teu coração, e como pensando coisas grandes, tens os olhos pasmados? 13Por que se incha o teu espírito contra Deus, para proferires por tua bôca’ tão estranhos discursos? 14Que é o homem, para ser imaculado, e para parecer justo tendo nascido duma mulher? 15Olha como entre os seus mesmos santos nenhum há imutável, e como nem os céus são puros na sua presença. 16Quanto mais o homem abominável e inútil, que bebe a iniquidade como a água? 17Eu te mostrarei, ouve-me: Eu te contarei o que tenho visto. 18Os sábios o publicam, e não ocultam saberem-no de seus pais. 19Àqueles somente foi dada a terra, e não passou estranho por meio deles. 20Em todos os seus dias o ímpio se ensoberbece, e o número dos anos da sua tirania é incerto. 21A zoada do terror está sempre em seus ouvidos: E ainda quando há paz, êle sempre receia traições. 22Não crê que se possa voltar das trevas à luz, vendo em roda de tôdas as partes a espada. 23Quando se mover para buscar pão conhece que está preparado na sua mão o dia das trevas. 24A tribulação o aterrará, e a angústia o cercará, como a um rei que se prepara para a batalha. 25Porque estendeu a sua mão contra Deus, e se fêz forte contra o Todo-poderoso. 26Correu contra êle com o pescoço levantado, e armou-se duma soberba inflexível. 27A gordura cobriu todo o seu rosto, e a enxúndia lhe pende-das suas ilhargas. 28Habitou em cidades assoladas, e em casas desertas que estão reduzidas a montões. 29Não se enriquecerá, nem os seus bens persistirão, nem lançarão suas raízes pela terra. 30Não sairá de trevas: A chama secará os seus ramos, e com o assopro da sua bôca será arrebatado. 31Não crerá, baldadamente enganado pelo êrro, que possa ser resgatado por algum preço. 32Antes dos seus dias se completarem, perecerá: E as suas mãos se secarão. 33Será ferido como a vinha na sua primeira flor, e como a oliveira que deixa cair a sua flor. 34Porque tudo o que o hipócrita ajunta será estéril, e o fogo devorará as casas dos que gostam de receber presentes. 35Êle concebeu dor, e pariu iniquidade e o seu coração inventa enganos.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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