Jó 17
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1O meu espírito se vai atenuando, os meus dias se abreviam, e só me resta o sepulcro. 2Não pequei, e em amarguras se demoram os meus olhos. 3Livra-me, Senhor, e põe-me junto a ti, e arme-se contra mim a mão de quem quer que fôr. 4Tu alongaste da inteligência o coração dêles, por isso não serão exaltados. 5Êle promete a presa aos companheiros e os olhos de seus filhos desfalecerão. 6Êle me reduziu a ser como a fábula do povo, e estou feito diante dêles um exemplo. 7Escureceram-se de indignação meus olhos, e os meus membros foram como reduzidos a nada. 8Os justos pasmarão disto, e o inocente se levantará contra o hipócrita. 9E o justo persistirá no seu caminho, e às mãos puras acrescentará fortaleza. 10Voltai portanto vós todos, e vinde, e não acharei entre vós nenhum sábio. 11Os meus dias passaram, os meus pensamentos se desvaneceram, sendo verdugos do meu coração. 12Trocaram a noite em dia, e de novo depois das trevas espero a luz. 13Se eu suportar, o sepulcro será a minha casa, e eu tenho preparado o meu leito nas trevas. 14Eu disse à podridão: Tu és meu pai; e aos bichos, vós sois minha mãe, e minha irmã, 15Onde está logo agora a minha esperança, e quem considera a minha paciência? 16Tôdas as minhas coisas desceram ao mais profundo do sepulcro: E acaso crês tu que ao menos neste lugar terei eu descanso?