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Jó 21

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E respondendo Jó, disse: 2Ouvi, vos peço, as minhas razões, e fazei penitência. 3Sofrei-me, e eu falarei, e depois, se vos parecer, zombai das minhas palavras. 4Porventura e com um homem a minha disputa, para que não tenha motivo de angustiar-me?. 5Olhai para mim, e pasmai, e ponde o dedo sôbre a vossa bôca: 6E eu mesmo quando me recordo, me assombro, e estremece tôda a minha carne. 7Por que razão pois vivem os ímpios, por que são exaltados, e crescem em riquezas? 8Seus filhos se conservam diante deles, à sua vista têm uma multidão de parentes, de netos. 9As suas casas estão seguras, e em paz, e a vara de Deus não está sôbre eles. 10A sua vaca concebeu, e não abortou: Pariu a sua vaca, e não se lhe malogrou a sua cria. 11Saem como a manadas os seus filhos, e os seus pequenos saltam, e brincam. 12Levam pandeiro, e alaúde, saltam ao som dos instrumentos músicos. 13Êles passam os seus dias em prazeres, e num momento descem à sepultura. 14Êstes são os que disseram a Deus: Retira-te de nós, pois nós não queremos conhecer os teus caminhos. 15Quem é o Todo-Poderoso para que o sirvamos? e que nos aproveita que lhe façamos orações? 16Mas porquanto não estão na mão deles os seus bens, longe esteja de mim o conselho dos ímpios. 17Quantas vezes se apagará a lucerna dos ímpios, e lhes sobrevirá inundação, e lhes repartirá as dores do seu furor? 18Serão como as palhas ao soprar do vento, e como a cinza espalhada pelo redemoinho: 19Deus reservará para seus filhos a pena do pai: E quando lhe der o pago, então escarmentará. 20Verão os seus próprios olhos a sua total ruína, e do furor do onipotente beberá. 21Pois que se lhe dá a êle do que será feito da sua casa depois da sua morte? E que Deus corte pela metade o número dos seus meses? 22Acaso pretenderá alguém ensinar alguma coisa a Deus, que julga os mais elevados? 23Um morre robusto e são, rico e feliz. 24As suas entranhas estão cheias de gordura, e os seus ossos estão regados de tutanos: 25Outro porém morre em amargura da sua alma sem bens alguns: 26E todavia ambos eles dormem igualmente no pó, e os bichos os comerão. 27Eu conheço bem os vossos pensamentos, e injustos juízos contra mim. 28Por que vós dizeis: Onde está a casa dêste príncipe, e onde as tendas dos ímpios? 29Perguntai a qualquer dos viandantes, e sabereis que êle entende isto mesmo. 30Porque o mau é reservado para o dia da perdição, e será conduzido ao dia do furor. 31Quem acusará diante dêle o seu caminho? e quem lhe dará o pago do que fêz? 32Êle mesmo será levado aos sepulcros e estará vigilante no montão dos mortos. 33Doce foi êle às areias do Cocito e arrastará atrás de si todo o homem, e diante de si a inumeráveis. 34Como pois me consolais em vão, tendo-se visto que as vossas respostas se opõem à verdade?

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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