Jó 41
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Não como cruel o despertarei eu: Porque quem: pode resistir ao meu semblante? 2Quem me deu a mim antes, para que eu haja de retribuir-lhe? quanto há debaixo do céu, meu é. 3Não lhe terei respeito a êle nem às suas palavras eficazes, e compostas para rogar. 4Quem descubrirá a superfície do seu vestimento? e quem entrará no meio da sua bôca? 5Quem abrirá as portas do seu rosto? em roda dos seus dentes está o terror. 6O seu corpo é como escudos fundidos, apinhoa-dos de escamas que se apertam. 7Uma está unida à outra, de sorte que nem uni assopro passa por entre elas: 8Uma com a outra estará pegada, e juntas entre si de nenhuma maneira se separarão. 9O seu espírito é resplendor do fogo, e os seus olhos como as pestanas da aurora. 10Da sua bôca saem umas lâmpadas como tochas de fogo acesas. 11Dos seus narizes sai fumo, como o de uma panela incendida e que ferve. 12O seu hálito faz incender os carvões, e da sua bôca sai chama. 13No seu pescoço fará assento a fortaleza, e adiante dele vai a fome. 14Os membros do seu corpo bem unidos entre si: Enviará raios contra êle, e não o farão mover para outro lugar. 15O seu coração se endurecerá como pedra e se apertará como bigorna de ferreiro. 16Quando se elevar temerão os anjos, e espantados se purificarão. 17Ainda quando uma espada o alcançar, não valerá ela contra êle, nem lança nem couraça. 18Porque êle reputará o ferro como as palhas, e o metal, como um pau podre. 19Não o fará fugir homem frecheiro, as pedras da funda se tornarão em palhas. 20Reputará o martelo como uma aresta, e se rirá do vibrar da lança. 21Os raios do sol estarão debaixo dêle, e êle andará por cima do ouro como por cima do lôdo. 22Fará ferver o fundo do mar como uma panela, e o tornará como quando fervem os unguentos. 23A luz brilhará sôbre as suas pegadas, e reputará o abismo como cheio de cãs. 24Não há poder sôbre a terra, que se lhe compare. pois foi feito para que não temesse a nenhum. 25Todo o alto vê, êle é o rei de todos os filhos da soberba.