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João 11

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Estava pois enfêrmo um homem, chamado Lázaro, que era da aldeia de Betânia, onde assistiam Maria e Marta, suas irmãs. 2(E esta Maria era aquela que ungiu o Senhor com o bálsamo, e lhe limpou os pés com os seus cabelos; cujo irmão Lázaro estava enfêrmo.) ( 3Mandaram pois suas irmãs dizer a Jesus: Senhor, eis aí está enfêrmo aquele que tu amas. 4E ouvindo isto Jesus, disse-lhes: Esta enfermidade não se encaminha a morrer, mas a dar glória a Deus, para o Filho de Deus ser glorificado por ela. 5Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã Maria, -e a Lázaro: 6Tanto que ouviu pois que Lázaro estava enfermo, deixou-se então ficar ainda dois dias no mesmo lugar: 7Depois, passado isto, disse a seus discípulos: Tornemos outra vez para Judéia. 8Disseram-lhe os discipulos: Mestre, ainda agora te queriam apedrejar os judeus, e tu vais outra vez para lá? 9Respondeu-lhes Jesus: Não são doze as horas do dia? Aquele que caminhar de dia não tropeça, porque vê a luz dêste mundo: 10Porém o que andar. de noite tropeça, porque lhe falta a luz. 11Assim falou, e depois disto lhes disse: Nosso amigo Lázaro dorme: Mas eu vou despertá-lo do sono. 12Disseram-lhe então seus discípulos: Senhor, se êle dorme estará são. 13Mas Jesus tinha falado da sua morte: e êles entenderam que falava do dormir do sono. 14Disse-lhes pois Jesus então abertamente: Lázaro é morto. 15E eu por amor de vós folgo de me não ter achado lá, para que acrediteis: Mas vamos a êle. 16Disse então Tomé, chamado Dídimo, aos outros condiscípulos Vamos nós também, para morrermos com êle. 17Chegou enfim Jesus, e achou que Lázaro estava na sepultura havia já quatro dias. 18(Estava pois Betânia em distância de Jerusalém, perto de quinze estádios). 19E muitos dos judeus tinham vindo a Marta e a Maria, para as consolarem na morte de seu irmão. 20Marta pois tanto que ouviu que vinha Jesus, saiu — a recebê-lo: E Maria ficou em casa. 21Disse então Marta a Jesus: Senhor, se tu houveras estado aqui, não morrera meu irmão. 22Mas também sei agora que tudo. o que pedires a Deus, Deus to-concederá. 23Respondeu-lhe Jesus: Teu irmão há de ressurgir. 24Disse-lhe Marta: Eu sei que êle ha de ressurgir na ressurreição, que haverá no último dia. 25Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida: -O que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. 26E todo o que vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Crês isto? 27Ela lhe disse: Sim, Senhor, eu já estou na crença de que tu és o Cristo, Filho de Deus vivo, que vieste a êste mundo. 28E dito isto, retirou-se Marta, e foi chamar em “segredo a sua irmã Maria, a quem disse: E” chegado o Mestre, e êle te chama. 29Ela, como ouviu isto, levantou-se logo, e foi buscá-lo. 30Porque ainda Jesus não tinha entrado na aldeia: Mas estava ainda naquele mesmo lugar, onde Marta sairá a recebê-lo. 31Então os judeus, que estavam com ela em casa, -e a-consolavam, como viram que Maria se havia levantado tão depressa, e tinha saído; foram nas suas costas dizendo: Ela vai chorar ao sepulcro. 32Maria, porém, depois de chegar aonde Jesus estava, tanto que o viu, lançou-se aos seus pés, e disse-lhe: Senhor, se tu houveras estado aqui, não morrera meu irmão. 33Jesus, porém, tanto que viu chorar a ela, e choz rar os judeus, que tinham vindo com ela, afligira-se em seu espírito, e turbou-se a si mesmo. 34E perguntou: Onde o pusestes vós? Responderam-lhe eles: Senhor, vem e vê. 35Então chorou Jesus. 36O que foi causa de dizerem os judeus: Vejam como êle o amava. 37Mas alguns de entre êles disseram: Êste, que abriu os olhos ao que era cego de nascença, não podia fazer que êste outro não morresse? 38Jesus, pois, tornando a bramir em si mesmo, veio ao sepulcro: E era êste uma gruta: E em cima dela se havia pôsto uma campa. 39Disse Jesus: Tirai a campa. Respondeu-lhe Marta, irmã do defunto: Senhor, êle já cheira mal, porque é já de quatro dias. 40Disse-lhe Jesus: Não te disse eu, que se tu crêres verás a glória de Deus? 41Tiraram pois a campa: E Jesus levantando os olhos ao Céu, disse: Pai, eu te dou graças, porque me tens ouvido: 42Eu pois bem sabia que tu sempre me ouves, mas falei assim por atender a êste povo, que está à roda de mim, para que êles creiam que tu me enviaste. 43Tendo dito estas palavras, bradou em alta voz: Lázaro, sai para fora. 44E no mesmo instante saiu o que estivera morto, ligados os pés e mãos com as ataduras, e o seu rosto estava envolto num lenço. Disse Jesus aos circunstantes: Desatai-o e deixai-o ir. 45Então muitos dentre os judeus, que tinham vindo visitar a Maria e a Marta, e que tinham presenciado o que Jesus fizera, creram nele. 46Porém alguns dêles foram ter com os fariseus, e disseram-lhes o que Jesus tinha feito. 47Por cuja causa se ajuntaram os pontífices e os fariseus em conselho, e diziam: Que fazemos nós, que êste homem faz muitos milagres? 48Se o deixamos assim livre, crerão todos nele:.e virão os romanos e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nossa gente. 49Mas um dêles, por nome Caifás, que era o pon-tifice daquele ano, disse-lhes: Vós não sabeis nada. 50Nem considerais que vos convém que morra um homem pelo povo, e que não pereça tôda a nação. 51Ora, êle não disse isto de si mesmo: Mas como era pontífice daquele ano, profetou que Jesus tinha de morrer pela nação. 52E não somente pela nação, mas também para êle unir num corpo os filhos de Deus que estavam dispersos. 53Desde aquele dia pois cuidavam eles em ver como lhe dariam a morte. 54De sorte que já não andava Jesus em público entre os judeus, mas retirou-se para uma terra vizinha do deserto, a uma cidade chamada Efrem, e lá estava com seus discípulos. 55E estava próxima a Páscoa dos judeus: E muitos daquela terra subiram a Jerusalém antes da Páscoa, para se purificarem a si mesmos. 56E buscavam a Jesus: E diziam uns para os outros estando no Templo: Que julgais vós de não ter vindo a êste dia de festa? 57Mas os pontífices e fariseus tinham passado ordem, que todo o que soubesse onde Jesus estava, o denunciasse para o prenderem.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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