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João 21

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Depois tornou Jesus a mostrar-se a seus discipulos junto do mar de Tiberíades. E mostrou-se-lhes desta sorte: 2Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná de Galiléia, e os filhos de Zebedeu, e outros dois de seus discípulos. 3Disse-lhes Simão Pedro: Eu vou pescar. Responderam-lhe os mais: Também nós outros vamos contigo. Saíram pois, e entraram numa barca: Mas naquela noite nada apanharam. 4Mas chegada a manhã, veio Jesus pôr-se na ribeira: Sem que ainda assim conhecessem os discípulos que era Jesus. 5Disse-lhes pois Jesus: O' moços, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lles êles: Nada. 6Disse-lhes Jesus: Lançai a rede para a parte direita da embarcação, e achareis. Lançaram êles pois a rede: Mas já a não podiam trazer acima que tão grande era a carga dos peixes. 7Então aquêle discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor. Simão Pedro quando ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a sua túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar. 8E os outros discípulos vieram na barca: (Porque não estavam distantes de terra, senão só obra de duzentos côvados) trazendo a rede cheia de peixes. 9E tanto que saltaram em terra, viram umas brasas postas, e um peixe em cima delas, e pão. 10Disse-lhes Jesus: Dai cá dos peixes, que agora apanhastes. 11Subiu Simão Pedro à barca, e tirou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes. E sendo tão grandes, não se rompeu a rede. 12Disse-lhes Jesus: Vinde, jantai. E nenhum dos que estavam à mesa ousava perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor. 13Veio pois Jesus, e tomou o pão, e deu-lho e assim mesmo do peixe. 14Foi esta já a terceira vez que Jesus se manifestou a seus discípulos, depois de ressurgir dos mortos. 15Tendo êles pois jântado, perguntou Jesus a Simão Pedro:Simão, filho de João, tu amas-me mais do que êstes? Êle respondeu: Sim, Senhor, tu sabés que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. 16Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, tu amas-me? Êle respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. 17Perguntou-lhe terceira vez: Simão, filho de João, tu amas-me? Ficou Pedro triste, porque terceira vez lhe perguntara: Tu amas-me? E respondeu-lhe: Senhor, tu conheces tudo: Tu sabes que eu te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo: Quando tu eras mais moço, tu te cingias, e ias por onde te dava na vontade, mas quando já fôres velho, estenderás as tuas mãos e outro será o que te cinja, e que te leve para onde tu não queiras. 19E isto disse Jesus, para significar com que gênero de morte havia Pedro de dar glória a Deus. E depois de assim ter falado, disse-lhe: Segue-me. 20Voltando Pedro, viu que o seguia aquêle discípulo que Jesus amava, que ao tempo da ceia estivera até reclinado sôbre o seu peito, e lhe perguntara: Senhor, quem é o que te há de entregar? 21Assim que como Pedro viu a êste, disse para Jesus: Senhor, é êste que? 22Disse-lhe Jesus: Eu quero que êle fique assim até que eu venha; que tens tu com isso? Segue-me tu. 23Correu logo esta voz entre os irmãos, que aquêle discípulo não morreria. E não lhe disse Jesus: Não morre: senão: Eu quero que êle fique assim, até que eu venha; que tens tu com isso? 24Êste é aquêle discípulo que dá testemunho destas coisas, e que as escreveu: E nós sabemos que é verdadeiro o seu testemunho. 25Muitas outras coisas porém há ainda, que fêz Jesus: As quais se se escrevessem uma por uma, creio que nem no mundo todo poderiam caber os livros, que delas se houvessem de escrever.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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