Jeremias 2
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E me foi dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 2Vai, e grita aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Isto diz o Senhor: Eu me lembrei de ti, compadecendo-me da tua mocidade, e me lembrei do amor dos teus des-posórios, quando tu me seguiste no deserto, numa terra, que se não semeia. 3Israel consagrado ao Senhor, é como as primi-cias dos seus frutos: Todos os que o devoram, delin-quem: Sôbre êles virão males, diz o Senhor. 4Ouvi a palavra do Senhor, casa de Jacó, e tôdas as famílias da casa de Israel: 5Isto diz o Senhor: Que injustiça acharam em mim vossos pais, quando se alongaram de mim, e' foram após a vaidade, e se tornaram vãos? 6E não disseram: Onde está o Senhor, que nos fêz sair da terra do Egito: Que nos conduziu pelo deserto por uma terra despovoada e sem caminho, por terra de sêde, e imagem da morte, por terra, na qual não andou varão, nem habitou homem? 7E eu vos introduzi em uma terra que é um Carmelo, para que comeêsseis seus frutos, e o melhor dca: E depois de terdes assim entrado profanastes a minha terra e pusestes a minha herança em abominação. 8Os sacerdotes não disseram: Onde. está o Senhor? E os depositérios da lei não me conheceram, e os pastôres prevaricaram contra mim: E os profetas profetaram em nome de Baal, e seguiram os ídolos. 9Portanto ainda disputarei em juízo convosco, diz o Senhor, e argumentarei com vossos filhos. 10Passai às ilhas de Cetim, e vêde: E mandai a Cedar, e considerai bem: E vêde se tem acontecido coisa semelhante. 11Se trocou alguma gente a seus deuses, que certamente não são deuses: Mas o meu povo trocou a sua glória por um ídolo. 12Pasmai, céus, sobre isto: E ficai em total desolação, portas dêle, diz o Senhor. 13Porque dois males fêz o meu povo: Deixaram-me a mim, fonte de água viva, e cavaram para si cisternas, cisternas rôtas, que não podem reter as águas. 14Acaso é Israel algum escravo, ou filho de escrava? Por que razão logo foi êle exposto à prêsa? 15Sôbre êle rugiram os leões, e levantaram a sua voz, reduziram a sua terra a um deserto: As suas cidades foram queimadas, e não há quem habite nelas. 16Também os filhos de Meénfis e de Tafnes te afrontaram até ao alto da cabeça. 17Porventura não te tem acontecido isto, porque abandonaste ao Senhor teu Deus naquele tempo, em que te conduzia pelo teu caminho? 18E agora que vais tu buscar no caminho do Egito, para beberes uma água turva? E que tens tu com o camii-nho dos assírios, para beberes a água do rio? 19A tua malícia te argüirá, e a tua apostasia te increpará. Sabe, e vê que má e amarga coisa é o haveres tu deixado ao Senhor teu Deus, e o não haver em ti temor de mim, diz o Senhor Deus dos exércitos. 20Tu desde o principio quebraste o meu jugo. rompeste os meus laços, e disseste: Não servirei. Porque semelhante a uma mulher impudica, te prostituías em todo o outeiro elevado, e debaixo de tôda a árvore irondosa. 21Quanto a mim porém eu te plantei como vinha escolhida, tôda a semente da verdade. Como pois te me hás tornado em mal, vinha estrangeira? 22Ainda que tu te laves em água de nitro, e amontoes erva de borit sôbre ti, maculada estás na tua iniqüidade diante de mim, diz o Senhor Deus. 23Comio dizes tu: Eu não estou manchada, eu não andei após de Baalim? Vê os rastos de teus pés no vale, considera o que ali fizeste: Eras como dromedária ligeira, que frequenta os seus caminhos. 24Como asna silvestre acostumada ao deserto, que, abrasada no seu apetite, correu sempre ao cheiro do que ama: Ninguém a apartará: Todos os que a buscam não se fatigarão: Achá-la-ão nos seus mênstruos. 25Guarda o teu pé da desnudez, e a tua garganta da sêde. E disseste: Não me fica esperança, de nenhuma maneira o farei: Porque amei os estranhos, e após deles andarei. 26Como fica confundido o ladrão quando o apa-nham, assim têm sido confundidos os da casa de Israel, êles e os seus reis, os príncipes, e sacerdotes, e os seus profetas, 27os quais dizem a um pau: Tu és meu pai: E a uma pedra: Tu me geraste: Voltaram-me as costas, e não a cara, e dirão no tempo da sua aflição: Levanta-te, e livra-.--nos. 28Onde estão os teus deuses, que fabricaste para ti? Levantem-se e livrem-te no tempo da tua aflição: Por-. que os teus deuses, ó Judá, eram tantos em número como as tuas cidades. 29Por que quereis vós logo contender comigo em Juízo? Todos vós me abandonastes, diz o Senhor. 30Em vão castiguei os vossos filhos, êles não receberam a correção: A vossa espada devorou os vossos profetas; como um leão destruidor 31é a vossa geração. Atendei à palavra do Senhor. Porventura tenho eu sido para Israel um deserto ou terra tardia? Pois porque tem dito o meu povo: Nós nos temos retirado, não tornaremos mais para ti? 32Porventura esquecer-se-ã a donzela do seu ornato, ou a espôsa da faixa que lhe cinge o peito? Mas o meu povo esqueceu-se de mim por dias que não têm número. 33Por que forcejas tu por justificar o teu procedimento, a fim de eu me pôr bem contigo, se em cima de fazeres o mal, o ensinaste também aos outros, 34e nas orlas dos teus vestidos se achou o sangue das almas pobres e inocentes? Eu os achei não em algumas covas, mas em todos os lugares, de que acima falei. 35E disseste: Eu estou sem pecado, e inocente: E por esta causa aparte-se de mim o teu furor. Eis-aí pois entrarei eu em juízo contigo, por teres dito: Eu não pequei. 36Que desprezível te fizeste com tanto excesso, recaindo nos teus primeiros extravios! E assim serás confundida pelo Egito, bem como o fôste já por Assur. 37Porque não só daquele sairás, mas também as tuas mãos serão postas sobre a tua cabeça, e porque o Senhor quebrantou a tua confiança, nada favorável acharás nêle.