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Jeremias 25

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Palavra, que foi dirigida a Jeremias sôbre todo o povo de Judá, no quarto ano de Joaquim, filho de Josias, rei de. Judá, que é o primeiro ano de Nabucodonosor, rei de Babilônia. 2A qual o profeta Jeremias anunciou a todo o povo de Judá, e a todos os habitantes de Jerusalém, dizendo: 3Desde o ano treze de Josias, filho de Amon, rei de Judá, até o dia de hoje, que é o ano vinte e três, foi-me dirigida a palavra do Senhor, e eu vos falei, levantando-me de noite, e falando-vos: E não ouvistes. 4E o Senhor madrugou para enviar-vos todos os profetas seus servos, e com efeito os enviou: E vós não o escutastes, nem inclinastes os vossos ouvidos para ouvirdes 5quando dizia: Retirai-vos, cada um do seu mau caminho, e dos vossos péssimos desígnios: E habitareis na terra que vos deu o Senhor a vós, e a vossos pais, desde o século em século. 6E não queirais ir após uns deuses estrangeiros, para os servirdes, e os adorardes: Nem me provoqueis a ira com as obras de vossas mãos, e eu vos não afligirei. 7E não me ouvistes, diz o Senhor, de modo que me haveis provocado a ira com as obras de vossas mãos para vosso mal. 8Pelo que isto diz o Senhor dos exércitos: Porque não ouvistes as minhas palavras: 9Eis-aqui estou eu que enviarei, e tomarei tôdas as famílias do Aquilão, diz o Senhor, e ao meu servo Nabucodonosor, rei de Babilônia: E os trarei sobre esta terra e sôbre os seus moradores, e sôbre tôdas as nações, que estão em roda dela: E os matarei, e pô-los-ei em espanto e em ludíbrio, e em solidões perduráveis. 10E farei cessar entre êles a voz de gôsto e a voz de alegria, a voz do espôso, e a voz da espôsa, a voz da mó, e a luz da candeia. 11E tôda esta terra virá a ser um medonho deserto, e um espanto: E tôdas estas gentes servirão ao rei de Babilônia setenta anos. 12E completos que fôrem os setenta anos, irei com a minha visita sôbre o rei de Babilônia, e sôbre aquela gente, diz o Senhor, para castigar a sua iniquidade, e sôbre a terra dos caldeus: E reduzi-la-ei a umas eternas solidões. 13E trarei sôbre aquela terra tôdas as minhas palavras, que tenho falado contra ela, tudo o que está escrito neste livro, quando profetizou Jeremias contra tôdas as gentes: 14Porque estas os serviram a êles, não obstante serem muitas as gentes, e reis grandes: E eu lhes tornarei segundo as suas obras, e segundo os feitos das suas mãos. 15Porque o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel, diz assim: Toma da minha mão o cálice do vinho dêste furor: E darás a beber dele a tôdas as gentes, as quais eu te enviarei. 16E eles beberão, e ficarão turbados, e sairão fora de si à vista da espada, que eu enviarei entre êles. 17E tomei o cálice da mão do Senhor, e dei a beber a tôdas as gentes, as quais o Senhor me enviou: 18A Jerusalém, e às cidades de Judá, e aos seus reis, e aos seus príncipes: Para os reduzir à solidão, e ao espanto, e ao ludíbrio, e à maldição, como já é êste o dia: 19A Faraó, rei do Egito, e aos seus servos: E aos seus príncipes e a todo O seu povo. 20E geralmente a todos: A todos os reis da terra de Ausitide, e a todos os reis da terra dos filisteus, e a Ascalona, e a Gaza, e a Acaron, e ao que resta de Azot, 21e à Iduméia, e a Moab, e aos filhos de Amon: 22E a todos os reis de Tiro, e a todos os reis de Sidônia: E aos reis da terra das ilhas, que estão da banda de além do mar: 23E a Dedan, e a Tema, e a Buz, e a todos os que se fazem cortar os cabelos em redondo. 24E a todos os reis da Arábia, e a todos os reis do Ocidente, que habitam no deserto. 25E a todos os reis de Zambri, e a todos os reis de Elam, e a todos os reis dos medos: 26Também a todos os reis do Aquilão, aos de perto e aos de longe, a cada um contra seu irmão: E a todos os reinos da terra, que estão sôbre a sua face: E o rei de Sesac beberá depois dêles: 27E lhes dirás: Isto diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Bebei, e embriagai-vos, e arrevezai: E cai, e não vos levanteis à vista da espada, que eu enviarei entre vós. 28E se não quiserem receber o cálice da tua mão, para que bebam, lhes dirás: Isto diz o Senhor dos exércitos: Certamente o bebereis: 29Porque eis-aí está que se na cidade, onde o meu nome tem sido invocado, ali começarei eu a trazer aflição, a vista disto ficareis vós sem castigo, como se fósseis inocentes? Não escapareis: Porque eu envio já a espada sobre todos os habitadores da terra, diz o Senhor dos exércitos. 30E tu lhes profetizarás a eles tôdas estas palavras, e lhes dirás: O Senhor rugirá desde o alto e desde a sua santa morada para ouvir a sua voz: Rugirá fortemente contra o lugar mesmo da sua glória: O celeuma será cantado como de pisadores de uvas contra todos os habitadores da terra. 31Chegou o estrondo até às extremidades da terra: Porque o Senhor entra em juízo com as gentes: Êle mesmo é o que julga a tôda a carne; à espada entreguei os ímpios, diz o Senhor. 32Isto diz o Senhor dos exércitos: Eis-ai passará a aflição de gente em gente: E um grande redemoinho sairá das extremidades da terra. 33E os que o Senhor entregar à morte naquele dia ficarão estendidos desde um pólo da terra até outro pólo: Não serão chorados, nem recolhidos, nem enterrados: Como uma esterqueira jazerão sôbre a face da terra. 34Uivai, pastôres, e gritai: E cobri-vos de cinza, vós que sois os maiorais do rebanho: Porque estão cumpridos os vossos dias, em que haveis de ser mortos: E vós ficareis dispersos, e caireis como vasos preciosos. 35E os pastôres não terão escapula, nem salvamen-to os maiorais da grei. 36Ouvir-se-ão a voz dos pastôres, e os uivos dos maiorais do rebanho: Porque o Senhor destruiu os pastos dêles. 37E os campos da paz ficarão em silêncio, à vista da ira do furor do Senhor. 38Deixou como leão o seu retiro, porque em ermo foi tornada a terra dêles, à vista da ira da pomba, e à vista da ira do furor do Senhor.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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