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Jeremias 33

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E foi dirigida a palavra do Senhor a Jeremias segunda vez, quando ainda estava recluso no átrio do cárcere, a qual dizia: 2Isto diz o Senhor, o qual há de fazer, e há de formar, e dispor aquilo que disse; o Senhor é o seu nome. 3Clama a mim, e eu te atenderei, e te anunciarei coisas grandes, e firmes que tu não sabes. 4Porque isto diz o Senhor Deus de Israel às casas desta cidade, e às casas do rei de Judá, que foram destruídas, e às fortificações, e à espada 5dos que vêm a pelejar contra os caldeus, e a enchê-las de cadáveres de homens, que eu feri no meu furor e na minha indignação, escondendo a minha face desta cidade por causa de tôda a maldade dêles. 6Eis-aqui estou eu que fecharei a sua chaga, e lhes darei saúde, os curarei: E lhes mostrarei a paz e a verdade que êles procuram. 7E farei que voltem os cativos de Judá, e os cativos de Jerusalém: E os restabelecerei, como desde o princípio. 8E os purisicarei de tôda a sua iniquidade, em que pecaram contra mim: E perdoarei tôdas as suas maldades, com que delingiiram contra mim, e me desprezaram. 9E me servirá de crédito do meu nome, e de gôzo, e de louvor, e de regozijo para com tôdas as gentes da terra, que ouvirem todos os bens, que eu lhes hei de fazer: E ficarão pasmados, e se assombrarão de todos os bens, e tôda a paz, que lhes farei a êles. 10Isto diz o Senhor: Neste lugar (que vós dizeis «que está deserto, porque não há nem homem, nem animal: Nas cidades de Judá, e nas praças de Jerusalém, que estão desamparadas sem homens, e sem habitantes, e sem gado) se ouvirá ainda 11voz de gôzo e voz de alegria, voz de espôso e voz de espôsa, voz dos que digam: Louvai o Senhor dos exércitos, porque bom é o Senhor, porque para sempre é a sua misericórdia: E voz dos que tragam suas oferendas à casa do Senhor: Pois cu farei que torne a vir o cativeiro da terra como ao princípio, diz o Senhor. 12Isto diz o Senhor dos exércitos: Neste lugar, que está deserto, sem homens, e sem animais, e em tôdas as suas cidades, haverá ainda choupanas de pastôres que façam repousar os seus rebanhos. 13Nas cidades das montanhas, e nas cidades das planícies, e nas cidades, que estão ao meio-dia: E na terra de Benjamim, e nos contornos de Jerusalém, e nas cidades de Judá ainda passarão os rebanhos pela mão do que os conte, diz o Senhor. 14Eis-aí vêm os dias, diz o Senhor: E cumprirei a palavra favorável, que falei à casa de Israel e à casa de Judá. 15Naqueles dias, e naquele tempo, farei que saia de Davi um gérmen de justiça: E êle fará juízo e justiça na terra. 16Naqueles dias Judá será salvo, e Jerusalém habitará sem temor: E êste é o nome, que lhe chamarão a êle, o Senhor nosso justo. 17Porque isto diz o Senhor: Não faltará de Davi varão, que se assente sôbre o trono da casa de Israel. 18E dos sacerdotes e dos levitas não faltará varão de diante de minha face, que ofereça holocaustos, e acenda o fogo do sacrifício e degole vítimas todos os dias. 19E foi dirigida a palavra-do Senhor a Jeremias, a qual dizia: 20Isto diz o Senhor: Se pode ser invalidado o meu, concêrto com o dia, e o meu concêrto com a noite, de sorte que não haja dia nem noite a seu tempo: 21Também poderá ser invalidada a minha aliança com Davi meu servo, de sorte que não haja dêle um filho que reine no seu trono, e levitas, e sacerdotes ministros meus. 22Assim como as estrêlas do céu não podem ser contadas, nem ser medida a areia do mar: Assim multiplicarei a linhagem de Davi meu servo, e os levitas meus ministros. 23E foi dirigida a palavra do Senhor a Jeremias, a qual dizia: 24Não tens visto porventura o que êste povo tem falado, dizendo: Duas famílias, que o Senhor havia escolhido, foram rejeitadas: E têm desprezado ao meu povo, porquanto: daqui em diante êles o não terão por uma nação? 25Isto diz o Senhor: Se não tenho feito o meu concêrto com o dia e com a noite, e não tenho estabelecido leis ao céu e à terra: 26Tão pouco rejeitarei eu também a linhagem de Jacó e de Davi meu servo, para não tomar da sua geração príncipes da estirpe de Abraão, de Isaac, e de Jacó: Porque farei voltar o cativeiro, e me compadecerei dêles.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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