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Jeremias 46

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Palavra do Senhor, que foi dirigida ao profeta Jeremias contra as gentes: 2Para o Egito contra o exército de Faraó Necao, rei do Egito, que estava junto ao rio Eufrates em Cárca-mis, a quem derrotou Nabucodonosor, rei de Babilônia, no ano IV de Joaquim, filho de Josias, rei de Judá. 3Preparai o escudo, e o pavez, e saí à campanha. 4Uni os cavalos e montai, cavaleiros: Apresentai-vos com elmos, açacalai as lanças, vesti-vos de couraças. 5Mas que? eu os vi medrosos, e voltar as costas, os seus valentes derrotados: Fugiram precipitados, nem para trás olharam: O espanto os cerca de tôdas as partes, diz o Senhor. 6Não fuja o ligeiro, nem espere salvar-se o valente: Para a parte do Aquilão junto ao rio Eufrates foram vencidos, e caíram por terra. 7Quem é êste que sobe como rio e se incham as suas ondas como as dos rios? 8O Egito sobe à maneira de rio, e as suas ondas se moverão como rios, e dirá: Subindo, cobrirei a terra: Destruirei a cidade, e os seus moradores. 9Montai em cavalos, e fazei alarde dos carros, e vão adiante os valentes, a Etiópia, e os de Líbia armados de escudos, e os lídios lançando mão das setas, e despedindo-as. 10E aquêle dia do Senhor Deus dos exércitos, dia será de vingança, para vingar-se de seus inimigos: Devorará a espada, e fartar-se-á, e embriagar-se-á com o sangue deles: Porque esta é a vitima do Senhor Deus dos exércitos na terra do Aquilão, junto ao rio Eufrates. 11Sobe a Galaad, e toma resina, ó virgem filha do Egito: Em vão multiplicas os remédios, não haverá cura para ti. 12Ouviram as gentes a tua ignomínia, e o teu alarido encheu a terra: Porque o forte chocou com o forte, e ambos juntos vieram à terra. 13Palavra que falou o Senhor ao profeta Jeremias, sôbre o haver de vir Nabucodonosor, rei de Babilônia, e haver de assolar a terra do Egito. 14Anunciai no Egito, e fazei ouvir isto em Magdalo, e ressoe en Mênfis, e em Tafnis, dizei: Pára, e prepara-te: Porque devorará a espada aquelas coisas que estão ao redor de ti. 15Por que apodreceu o teu valente? não se pôde ter em pé: Porque o Senhor o derribou. 16Multiplicou os que caíam, e caiu cada um sôbre o do seu lado: E dirão: Levanta-te e voltemos ao nosso povo, e à terra onde nascemos, fugindo da espada da pomba. 17Chamai daqui em diante a Faraó, rei do Egito: O tempo trouxe o tumulto. 18Vivo eu (disse o rei cujo nome é o Senhor dos exércitos) que assim como o Tabor entre os montes, e como o Carmelo sôbre o mar, assim virá. 19Prepara o trem da tua transmigração, moradora filha do Egito: Porque Mênfis será tornada em solidão, e ficará deserta, e despovoada. 20O Egito é uma novilha louçã e formosa: Do Aquilão virá quem na aguilhoe. 21E ainda os que recebiam as suas soldadas e moravam no meio dela, se tornaram como bezerros cevados, e fugiram juntos, nem puderam parar: Porque veio sôbre êles o dia do seu estrago, o tempo da visitação dêles. 22A sua voz será sonora como a do metal: Porque eles marcharão depressa com o exército, e virão a ela com machados, como os que cortam lenha. 23Cortaram as árvores do seu bosque, diz o Senhor, que não podem contar-se: Multiplicaram-se como gafanhotos, que não têm número. 24Confundida está a filha do Egito, e entregue nas mãos do povo do Aquilão. 25O Senhor dos exércitos, o Deus de Israel, disse: Eis-aqui estou eu que iref com a minha visita sôbre o tumulto de Alexandria, e sôbre Faraó, e sobre o Egito, e sôbre os seus deuses, e sôbre os seus reis, e sôbre Faraó, e sôbre aquêles que confiam nêle. 26E os entregarei nas mãos dos que procuram a sua alma, e nas mãos de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e nas mãos dos seus servos: E depois disto será povoada, como nos dias antigos, diz o Senhor. 27E tu não temas, servo meu Jacó, e não te en-chas de pavor, Israel: Porque eis-aqui estou eu que te livrarei a ti, e a tua linhagem da terra remota do teu cativeiro: E voltará Jacó, e repousará, e será prosperado: E não haverá quem o amedronte. 28E tu não temas, servo meu Jacó, diz o Senhor: Porque eu sou contigo, pois que eu hei de consumir tôdas as gentes, para as quais te desterrei: A ti, porém, não te consumirei, mas castigar-te-ei com equidade, e não te perdoarei como a inocente.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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