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Josué 8

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E disse o Senhor a Josué: Não temas, nem te acobardes: Leva contigo todos os combatentes, e levantando-te sobe à cidade de Hai: Eis-aí te entreguei eu na tua mão o seu rei, e o povo, e a cidade e a terra. 2E farás à cidade de Hai, e ao seu rei, como fizeste a Jericó, e ao seu rei: Mas repartireis entre vós a presa e todos os animais: Põe uma emboscada à cidade por detrás dela. 3Levantou-se pois Josué, e com êle tôda a gente de guerra, para marcharem contra Hai: E mandou de noite trinta mil homens escolhidos dos mais valentes, 4e lhes ordenou, dizendo: Disponde uma emboscada por detrás'da cidade: Não vos alongueis muito: E estareis apercebidos todos: 5Mas eu, e tôda a gente, que está comigo, marcharemos pela parte oposta contra a cidade. E quando êles saírem contra nós, fugiremos, e dar-lhes-emos as costas, como primeiro fizemos: 6Até que seguindo-nos se tenham pôsto longe da cidade: Porque hão-de cuidar que fugimos como a primeira vez. 7Fugindo pois nós, e êles seguindo-nos, saireis vós da emboscada, e destruireis a cidade: E o Senhor vosso Deus vo-la entregará nas mãos. 8E depois que a tiverdes tomado, ponde-ihe fogo, e fareis tudo assim, como eu o mandei. 9E desped(iu-os, e êles foram para o lugar da emboscada, e sc puseram entre Betei e Hai, ao poente da cidade de Hai: E Josué ficou aquela noite no meio do povo, 10e levantando-se de madrugada fêz revista dos que o acompanhavam, e marchou com os anciãos na fren te do exército, sustido dum corpo de bons soldados. 11E tendo chegado e subido fronteiros à cidade, fizeram alto no lado setentrional da cidade, entre a qual e êles mediava um vale. 12Mas Josué tinha escolhido cinco mil homens, e os tinha pôsto de emboscada entre Betei e Hai, ao poente da mesma cidade: 13E todo o mais resto do exército marchava em batalha para o setentrião, de sorte que os últimos daquela multidão alcançavam até o poente da cidade. Marchou pois Josué aquela noite, e ficou no meio do vale. 14O que tendo visto o rei de Hai, saiu a grã pressa ao amanhecer com todo o exército, que havia na cidade e encaminhou as suas tropas para a banda do deserto, não sabendo que lhe ficava atrás uma emboscada. 15Josué porém e todo o Israel se foram retirando, fingindo mêdo, e fugindo pelo caminho do deserto. 16E os de Hai levantando, ao mesmo tempo, uma grande grita, e animando-se mutuamente, os foram perseguindo. E quando já estavam longe da cidade, 17sem que tivesse ficado nem sequer um em Hai e em Betei, que não saísse em alcance de Israel: (Deixando as suas cidades abertas de onde tinham saído de tropel), 18disse o Senhor a Josué: Levanta contra a cidade de Hai o escudo, que tens na mão, porque eu ta entregarei. 19E tendo êle levantado o seu escudo contra a cidade, no mesmo ponto saíram os que estavam escondidos na emboscada: e encaminhando-se à cidade, a tomaram, e lhe puseram fogo. 20Os da cidade porém, que perseguiram a Josué olhando para trás, e vendo o fumo da cidade que subia até o céu, não puderam já fugir nem para cá nim para lá: Principalmente quando os que davam mostra de fugir, e que caminhavam para o deserto, atacaram com o maior esforço aos que os tinham perseguido. 21E vendo Josué e todo o Israel que a cidade estava tomada, e que dela subia o fumo, voltando-se contra os de Hai os passou a cutelo. 22Porque os que tinham tomado e queimado a cidade, saindo dela para se unir com os seus, começaram a dar nos inimigos que estavam no meio. E como fôssem feridos por uma e por outra parte os adversários, de modo que nem sequer um se salvou de tão grande número, 23tomaram também vivo o rei da cidade de Hai, e o apresentaram a Josué. 24Mortos pois todos aquêles, que tinham perseguido a Israel ao fugir para o deserto, e feito no mesmo lugar um destroço, voltaram os filhos de Israel e destruíram a cidade. 25Os que morreram neste dia, homens e mulheres, foram doze mil, e todos da cidade de Hai. 26E Josué não retirou a mão, que tinha levantada, tendo o escudo, até que foram mortos todos os habitadores de Hai. 27Mas os animais e o despojo da cidade o repartiram entre si os filhos de Israel, como o Senhor tinha mandado a Josué. 28O qual pôs fogo à cidade, e a reduziu para sempre a um montão de ruínas. 29Fêz também suspender dum patíbulo o rei de Hai até à tarde e ao pôr do sol. E mandou Josué, que descessem o seu cadáver da cruz: e êles o lançaram na mesma entrada da cidade, pôsto sôbre êle um grande montão de pedras que ali permanece até o presente dia. 30Então edificou Josué um altar ao Senhor Deus de Israel sôbre ó monte Hebal: 31Conforme o que Moisés, servo do Senhor, tinha ordenado aos filhos de Israel, e está escrito no livro da lei de Moisés: o altar porém era de pedras toscas, nas quais não tocou ferro: e ofereceu sôbre êle holocaustos ao Senhor, e imolou vítimas pacíficas. 32Escreveu também Josué sôbre as pedras o Deuteronômio da lei de Moisés, que êle tinha explicado diante dos filhos de Israel, 33Todo o povo porém, e os anciãos, e os capitães, e os juízes estavam em pé a um e outro lado da arca, diante dos sacerdotes que levavam a arca do concerto do Senhor, como os estrangeiros assim também os naturais. A metade deles ao pé do monte Garizim, e a outra metade ao pé do monte Hebal, como o tinha mandado Moisés servo do Senhor. E primeiramente abençoou Josué o povo de Israel. 34Depois disto leu tôdas as palavras da bênção e da maldição, e tudo o que estava escrito no livro da lei. 35Não omitiu nada de quantas coisas Moisés tinha mandado, mas repetiu tudo diante de tôda a multidão de Israel, às mulheres e aos meninos e aos estrangeiros, que moravam entre êles.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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