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Judite 13

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Mas tanto se fêz tarde, os criados de Holofernes se retiraram apressados para os seus quartos, e Vagao fechou as portas da câmara, e foi-se: 2Estavam pois todos sopitos do vinho: 3E Judite estava só na câmara. 4E Holofernes estava deitado no leito, profundamente adormecido pelo muito vinho, 5E Judite disse à sua escrava, que estivesse de fora à porta da câmara, e vigiasse. 6E Judite estava em pé diante do leito, orando com lágrimas, e movendo os beiços em silêncio, 7disse: Senhor Deus de Israel, fortifica-me, e sê-me favorável neste momento ao que a minha mão vai fazer, a fim de que, assim como tu prometeste, levantes a tua cidade de Jerusalém: E eu acabe o que cri que se podia fazer por teu meio. 8E tendo assim falado, chegou-se â coluna, que estava à cabeceira do seu leito, e desprendeu o seu alfanje, que estava pendurado preso nela. 9E tendo-o desembainhado, agarrou nos cabelos da cabeça de Holofernes, e disse: Senhor Deus, dá-me alento nesta hora: 10E feriu-o no pescoço por duas vêzes, e cortou-lhe a cabeça, e despegou das colunas o seu pavilhão, e deitou por terra o seu corpo descabeçado. 11E pouco tempo depois saiu, e entregou à sua escrava a cabeça de Holofernes, e mandou que a metesse no seu saco. 12E saíram ambas, conforme o seu costume, como se fôssem para a oração, e passaram além do campo, e rodeando o vale, chegaram à porta da cidade. 13E disse Judite de longe aos guardas dos muros: Abri as portas, porque Deus é conosco, êle assinalou o seu poder em Israel. 14E sucedeu que tendo os homens ouvido a sua voz, chamaram aos anciãos da cidade. 15E todos concorreram a ela, desde o mais pequeno até ao maior: Porque já não esperavam que ela tornasse, 16E acendendo luminárias ajuntaram-se todos ao redor dela: E Judite subindo a um lugar mais alto, mandou que houvesse silêncio. E estando todos calados, 17disse Judite: Louvai o Senhor nosso Deus, que não desamparou os que esperavam nêle: 18E que cumpriu por mim sua serva a sua misericórdia, que tinha prometido à casa de Israel: E que matou esta noite pela minha mão o inimigo do seu povo. 19E tirando do saco a cabeça de PIolofernes, mostrou-lha dizendo: Eis-aqui a cabeça de Holofernes, general do exército dos assírios, e eis-aqui o seu pavilhão, debaixo do qual êie estava deitado bêbado, onde o Senhor nosso Deus o degolou pela mão duma mulher. 20E vive o mesmo Senhor, porque o seu Anjo me guardou tanto ao sair desta cidade; como ao demorar-me lá, e como ao voltar para aqui, e não permitiu o Senhor que eu sua serva fôsse manchada, mas êle me fêz tornar para vós sem nenhuma mácula de pecado, cheia de alegria por sua vitória, pela minha salvação, e pelo vosso livramento. 21Louvai-o todos, porque é bom, porque sua misericórdia é eterna. 22Todos porém adorando o Senhor, lhe disseram: O Senhor te abençoou com a sua fortaleza, porque êle por ti aniquilou os nossos inimigos. 23E Ozias, príncipe do povo de Israel, lhe disse: O” filha, tu és bendita do Senhor Deus Altíssimo, sôbre tôdas as mulheres que há na terra. 24Bendito o Senhor, que criou o Céu e a terra, que te dirigiu para cortares a cabeça ao chefe dos nossos inimigos: 25Porque hoje engrandeceu o teu nome tanto, que nunca o teu louvor se apartará da bôca dos que se lembrarem eternamente do poder do Senhor, por amor dos quais tu não poupaste a tua vida, por causa das angústias, e da atribulação do teu povo, mas tu impediste a ruína na presença do nosso Deus. 26E todo o povo respondeu: Assim seja, assim seja. 27E Aquior sendo chamado veio, e Judite lhe disse: O Deus de Israel, de quem tu testemunhaste que êle tinha poder para se vingar dos seus inimigos, esse mesmo cortou esta noite pela minha mão o chefe de todos os incrédulos. 28E para que tu aproves que assim é, cis-aqui a cabeça de Holofernes, que na insolência da sua soberba desprezou o Deus de Israel, e te ameaçava a morte, dizendo: Logo que o povo de Israel fôr feito cativo, eu mandarei que te trespassem as ilhargas com a espada. 29E Aquior vendo a cabeça de Holofernes, aterrado de pavor, caiu de bruços em terra e ficou esvaído de sentidos. 30Mas depois que, recobrado o ânimo, tornou a si, lançou-se aos seus pés, e a adorou, e disse: 31Tu és bendita do teu Senhor em tôda a casa de Jacó, porque entre todos os povos, que ouvirem o teu nome, o Deus de Israel será em ti glorificado.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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