Judite 7
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1No clia seguinte porém mandou Holofernes marchar os seus exércitos contra Betúlia. 2E os combatentes de pé eram cento e vinte mil, e vinte e dois mil homens de cavalaria, sém contar as recrutas dos homens, aos quais tinha aprisionado, e de tôda a mocidade que tinha levado por fôrça das províncias e das cidades. 3Todos se prepararam a um tempo para combater contra os filhos de Israel, e vieram ao longo do monte até o cume, que olha para Dotain, desde o lugar chamado Belma, até a Quelmon, que está defronte de Esdrelon. 4Mas os filhos de Israel, tanto que viram a multidão clêles, lançaram-se por terra, cobrindo as suas cabeças de cinza, pedindo unânimemente ao Deus de Israel que fizesse resplandecer sôbre êles a sua misericórdia. 5E tomando as suas armas de guerra se postaram nos lugares, que vão ter à vereda de um atalho entre os montes, e estavam ali guarnecendo-os todo o dia e tôda a noite. 6Mas Holofernes, ao tempo que averiguava em roda, achou que a fonte que corria para dentro. trazia a sua direção da parte do meio-dia por um aqueduto da parte de fora da cidade: E mandou que se lhes cortasse o aqueduto. 7Havia contudo fontes e não longe dos muros, donde se via que os sitiados iam às furtadelas tirar água mais para aliviar a sede do que para beber. 8Mas os amonitas, e os moabitas foram ter com Holofernes, e lhe disseram: Os filhos de Israel não confiam nem nas lanças, nem nas flechas, mas os montes os defendem, e outeiros escarpados os fortificam. 9Porém para que tu os possas vencer sem travar peleja, põe guardas às fontes, para não tirarem delas água, e sem puxares pela espada os matarás, ou ao menos fatigados da sêde eles entregarão a sua cidade, a qual como posta sôbre um monte têm por inconquistável. 10Agradou pois êste conselho a Holofernes e aos seus oficiais, e êle pôs cem homens de guarda ao redor de cada fonte. 11E tendo-se feito esta guarda por vinte dias, es-gotaram-se as cisternas, e conservas de água a todos os moradores de Betúlia, de maneira que não havia dentro da cidade de onde se pudessem saciar nem um só dia, porque todos os dias se repartia a água por medida ao povo. 12Então todos os homens, e mulheres, moços, e meninos, vieram juntos ter com Ozias, e todos a uma voz 13lhe disseram: Deus seja juiz entre nós e ti, porque tu nos trouxeste estes males, não querendo falar de paz com os assírios, e por isso nos entregou Deus nas suas mãos. 14E assim não há quem nos socorra, quando aos seus olhos nos achamos prostrados de sêde, e de grande miséria. 15Agora pois faze ajuntar todos os que há na cidade, para que todos nós nos rendamos voluntàriamente ao povo de Holofernes. 16Porque melhor é que cativos bendigamos ao Senhor, vivendo, do que morramos, e sejamos em opróbrio a todos os homens, vendo morrer aos nossos olhos as nossas mulheres, e as nossas crianças. 17Nós te conjuramos hoje diante do céu, e da terra, e diante do Deus de nossos pais, o qual se vinga de nós segundo nossos pecados, para que entregueis para já a cidade entre as mãos do exército de Holofernes, e para que o nosso fim se abrevie ao fio da espada, o qual se torna mais dilatado pelo ardor da sede. 18E tendo êles assim falado, levantou-se um grande pranto, e alarido em todo o ajuntamento, e por muitas horas clamaram a uma voz a Deus, dizendo: 19Nós pecamos com os nossos pais, obramos injustamente, cometemos iniquidades. 20Tu, que és piedoso, compadece-te de nós, ou com o teu flagelo castiga as nossas iniquidades, e não entregues os que te bendizem a um povo, que te não conhece, 21para que não digam entre as nações: Onde está o seu Deus? 22E depois de cansados com estes clamores, e com estes prantos ficaram em silêncio, 23levantando-se Ozias banhado em lágrimas, disse: Tende bom ânimo, irmãos, e por estes cinco dias esperemos misericórdia do Senhor. 24Talvez pois que aplaque a sua ira, e dê glória ao seu nome. 25Mas se, passados estes cinco dias nos não vier socorro, faremos o que vós dissestes,