Judite 9
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Depois que eles se retiraram, entrou Judite no seu oratório: E vestindo-se de cilício, pôs cinza sôbre a sua cabeça, e prostrando-se diante do Senhor, clamava ao Senhor, dizendo: 2Senhor Deus de meu pai Simeão, que lhe deste a espada para se vingar dos estrangeiros, que por uma paixão impura foram violadores, e ultrajaram com afronta o poder de uma virgem: 3E que deste suas mulheres à presa, e suas filhas em cativeiro: Todos os seus despojos em partilha aos teus servos, que se abrasaram em teu zêlo: Socorre, te rogo, Senhor meu Deus, a esta viúva. 4Porque tu fizeste as coisas primeiras, e determinaste que umas sucedessem a outras, e aquilo se fêz que tu quiseste. 5Porque todos os teus caminhos estão preparados, e tu estabeleceste todos os teus juízos na tua providência. 6Lança agora os olhos sôbre o campo dos assírios, bem como noutro tempo te dignaste lançá-los sôbre o campo dos egípcios, quando armados corriam atrás dos teus servos, fiando-se nas suas carroças, e na sua cavalaria, e na multidão dos soldados. 7Tu porém lançaste os olhos sôbre o seu campo, e as trevas os cansaram. 8O abismo reteve os seus pés, e as águas os cobriram. 9Assim pereçam também, Senhor, estes que confiam na sua multidão, e se gloriam nas suas carroças, e nos dardos, e nos escudos e nas suas flechas, e lanças, 10e que não sabem que tu mesmo és o nosso Deus, que desfazes as guerras desde o princípio, e que o teu nome é o Senhor. 11Levanta o teu braço como desde o princípio, e com a tua fôrça quebra a sua fortaleza, pela tua ira caia a fôrça destes que se prometem violar o teu Santuário, e profanar o tabernáculo do teu nome, e derrubar com a espada a majestade de teu altar. 12Faze, Senhor, que a sua soberba seja cortada pela própria espada: 13Fique prêso em mim com laço de seus olhos, e fere-o com as palavras de meu carinho, 14Dá-me constância no coração, para eu o desprezar: E fortaleza, para o perder. 15Êste será pois um monumento do teu nome, quando a mão duma mulher o derrubar. 16Porque o teu poder, Senhor, não está na multidão, nem tu te comprazes na fôrça dos cavalos, nem desde o princípio te agradaram os soberbos: Mas sempre te agradou a suplica dos humildes e dos mansos. 17Deus dos Céus, Criador das águas, e Senhor de todo o criado, ouve a esta miserável que te suplica, e que presume da tua misericórdia. 18Lembra-te, Senhor, do teu pacto, e põe as palavras na minha bôca, e fortifica a resolução do meu coração, para que a tua casa permaneça em te santificar: 19E tôdas as nações conheçam que tu és Deus, e que não há outro senão tu.