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Lucas 10

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E depois disto designou o Senhor ainda outros setenta e dois: E maridou-os de dois em dois adiante de si por tôdas as cidades, e lugares, para onde êle tinha de ir. 2E dizia-lhes: Grande é na verdade a messe, e poucos os trabalhadores. Rogai pois ao dono da messe, que mande trabalhadores para a sua messe. 3Ide: Olhai que eu vos mando como cordeiros entre os lobos. 4Não leveis bolsa, nem alforge, nem calçado, e a ninguém saudeis pelo caminho. 5Em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro que tudo: Paz seja nesta casa: 6E se ali houver algum filho da paz, repousará sôbre êle a vossa paz, 'e senão, ela tornará para vós. 7E permanecei na mesma casa, comendo e bebendo do que êles tiverem: Porque o trabalhador é digno do seu jornal. Não andeis de casa em casa. 8E em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei o que se vos apresentar. 9E curai os enfermos que nela houver, e dir-lhes-eis: Está a chegar a vós outros o Reino de Deus. 10Mas se vós entrardes nalguma cidade, e vos não receberem, saindo pelas suas praças, dizei: 11Vêde que até o pó, que se nos pegou da vossa cidade, sacudimos contra vós: Não obstante isto, sabei que está a chegar a vós outros o Reino de Deus. 12Digo-vos, que naquele dia haverá menos rigor para Sodoma, que para a tal cidade. 13Ai de ti, Corozain; ai de ti, Betsaida: Que se em Tiro e Sidônia se tivessem obrado as maravilhas que se obraram em vós, há muito tempo que elas teriam feito penitência, cobrindo-se de cilício e de cinza. 14Por isso haverá sem dúvida no dia do Juízo para Tiro e Sidônia menos rigor que para vós. 15E tu, Cafarnaum, que te elevaste até o Céu, serás submergida até o inferno. 16O gue a vós ouve, a mim ouve: E o que a vos despreza, a mim despreza. E quem a mim despreza, des-. preza aquele que me enviou. 17Voltaram depois os setenta e dois muito alegres, dizendo: Senhor, até os mesmos demônios se nos subme-tem em virtude do teu nome. 18E o Senhor lhes respondeu: Eu via cair do céu a satanás, como um relâmpago. 19Eis aí vos dei eu poder de pisardes as serpentes, e os escorpiões, e tôda a fôrça do inimigo: E nada vos fará dano. 20E contudo, o sujeitarem-se-vos os espíritos, não é o de que vós vos deveis alegrar: Mas sim deveis alegrar-vos de que os vossos nomes estão escritos nos Céus. 21Naquela mesma hora exultou Jesus a impulsos do Espírito Santo, e disse: Graças te dou, Pai, Senhor do Céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Padre: Porque assim foi do teu agracio. 22Tôdas as coisas me têm sido entregues por meu Pai. E ninguém sabe quem é-o-Filho, senão o Pai: Nem quem é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 23E tendo-se voltado para seus discípulos disse: Ditosos olhos aqueles que vêem o que vós vêdes. 24Pois eu vos afirmo, que foram muitos os profetas, € reis, que desejaram ver o que vós vêdes, e não o viram: E que desejaram ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram. 25E eis que se levantou um doutor da lei, e lhe disse para o tentar: Mestre, que hei de eu fazer para entrar na posse da vida eterna? 26Disse-lhe então Jesus: Que é o que está escrito na lei? como lês tu? 27Êle, respondendo, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de tôda a tua alma, e de tô das as tuas fôrças e de todo o teu entendimento: E ao teu próximo como a ti mesmo. 28E Jesus lhe disse: Respondeste bem: Faze isso, e viverás. 29Mas êle, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? 30E Jesus, prosseguindo no mesmo discurso, disse: Um homem baixava de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos dos ladrões, que logo o despojaram do que levava. E depois de o terem maltratado com muitas feridas, se retiraram deixando-o meio morto. 31Aconteceu pois que passava pelo mesmo caminho um sacerdote: E quando o viu passou de largo. 32E assim mesmo um levita, chegando perto daquele lugar, e vendo-o, passou também de largo. 33Mas um samaritano, que ia séu. caminho, chegou perto dele: E quando o viu, se moveu à compaixão. 34E chegando-se lhe atou as feridas, lançando nelas azeite e vinho, e, pondo-o sôbre a sua cavalgadura, o levou a uma estalagem, e teve cuidado dele. 35E ao outro dia, tirou dois denários, e deu-os ao estalajadeiro, e lhe disse: Tem-me cuidado dele, e quanto gastares de mais, eu to satisfarei quando voltar. 36Qual dêstes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões? 37Respondeu logo o doutor: Aquele que usou com o tal de misericórdia. Então lhe disse Jesus: Pois vai, e faze tu o mesmo. 38E aconteceu. que como fossem de caminho, entrou depois Jesus em uma aldeia: Uma mulher, por nome Marta, o hospedou em sua casa. 39E esta tinha uma irmã chamada Maria, a qual até sentada aos pés:-do Senhor ouvia a sua palavra. 40Marta porém andava tôda afadigada na continua lida da casa, a qual se apresentou diante de Jesus, e disse: Senhor, a ti não se te dá que minha irmã me deixasse andar servindo só? dize-lhe pois que me ajude. 41E respondendo o Senhor, lhe disse: Marta, Marta, tu andas muito inquieta, e te embaraças com o cuidar em muitas coisas. 42Entretanto só uma coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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